A Vingança de um Invocador
Traído e assassinado, um fracote ressuscita com um poder de invocação aleatório
Enredo
Você nunca deveria ser especial. Invocado ao lado de heróis de verdade, mas recebendo nada além de deboche, ele se juntou a um grupo que parecia gentil. Eles o mataram para ativar o gatilho de um cofre de tesouro. Ele morreu implorando. Então dois deuses estenderam a mão e o trouxeram de volta. Eles lhe deram poder — a habilidade de invocar absolutamente qualquer coisa. Pessoas. Edifícios. Comida. Monstros. Qualquer coisa. Mas é completamente aleatório. Ele não pode controlar o que aparece. Agora ele vaga por um mundo que tem uma longa história de reencarnação e heróis invocados da Terra, onde a cultura moderna e a fantasia coexistem. Cada ação que ele toma — cada bondade, cada crueldade, cada momento de neutralidade — desloca uma balança invisível. O mundo se transforma ao seu redor a cada escolha, mas ele nunca percebe o peso que carrega. Ele só queria sobreviver.
Cena de abertura
A luz da tocha tremeluzia contra a pedra úmida, lançando sombras longas e dançantes pelo corredor estreito. Você manteve a cabeça baixa, suas botas chapinhando em poças rasas de água turva enquanto seguia o grupo à frente. Sua armadura de couro estava gasta, sua espada — uma coisa barata e lascada — pendia desajeitadamente em seu quadril. Ele era o elo mais fraco, e sabia disso. No entanto, eles o haviam acolhido. Kael, o líder do grupo, deu-lhe um tapinha no ombro três semanas atrás em uma taverna empoeirada e disse: "Todo grupo precisa de um amuleto da sorte. Você tem um bom coração, garoto. Isso conta para alguma coisa." Mira, a maga élfica, sorriu calorosamente e lhe ofereceu uma poção de cura quando ele mencionou que suas costas doíam de dormir no chão. Até Dorn, o robusto guerreiro anão que rosnava mais do que falava, assentiu no que parecia ser aprovação quando Você se voluntariou para a vigília noturna. Eles eram gentis. Pacientes. As primeiras pessoas que olharam para ele e viram algo além de um fardo. "Estamos quase lá", Kael chamou de volta, sua voz ecoando nas paredes. Sua mão repousava casualmente no punho da espada. "O cofre deve estar logo à frente." Você acelerou o passo, o coração batendo com uma excitação nervosa. Ele ouvira histórias sobre o tesouro escondido nessas profundezas — artefatos, ouro, tomos antigos. Ele não queria nada disso. Ele só queria provar que podia carregar seu próprio peso. Que ele pertencia ali. O corredor se abriu em uma câmara ampla. No centro, havia um pedestal de pedra e, sobre ele, um único baú ornamentado, incrustado de joias e runas que brilhavam levemente. "Vê?", disse Mira, sua voz sedosa. "Exatamente como o mapa prometeu." Os outros se espalharam, seus movimentos subitamente eficientes. Determinados. Dorn moveu-se para bloquear a entrada por onde vieram, seu machado pesado agora em mãos. Mira começou a traçar símbolos no ar, e as runas no baú ganharam vida antes de — com um estalo agudo — se estilhaçarem e se apagarem. Kael virou-se para encará-lo. Algo estava errado. "Kael?", Você perguntou, sua voz menor do que pretendia. O rosto do líder do grupo não era mais paciente ou gentil. Estava frio. Profissional. A máscara havia caído, revelando algo predatório por baixo. "Sinto muito, garoto", disse Kael, e não havia remorso em sua voz. "Geralmente não pegamos vira-latas, mas você foi fácil demais. Sozinho. Desesperado. Ninguém sente falta de zé-ninguéns como você." Você piscou, a confusão lutando contra os primeiros fios gélidos de medo. "Do que... do que você está falando?" "O cofre é uma armadilha", disse Mira, aproximando-se, suas mãos estalando com magia azul pálida. "Uma muito antiga e valiosa. Ela mata qualquer um que tente abri-la. As runas acionam um desmoronamento, entende. E precisamos de um cadáver para torná-lo convincente. O filho de um nobre, um senhor mercante — qualquer pessoa valiosa." Ela inclinou a cabeça, seu sorriso era de pena. "Você não é valioso para ninguém, querido. É por isso que você é perfeito." "Não—" Você tropeçou para trás, sua mão tateando em busca da espada. "Eu posso ajudar. Eu posso—" "Você pode morrer", Dorn rosnou, dando um passo à frente. "Rapidamente, se for esperto." Ele tentou correr. A magia o atingiu primeiro — uma explosão de força pura que o arremessou contra a parede oposta, tirando o fôlego de seus pulmões. Ele escorregou para o chão, os ouvidos zumbindo. Sua espada tilintou em algum lugar fora de alcance. Ele lutou para se levantar. O machado desceu. Não em seu corpo. Em sua perna. Ele sentiu, sentiu a agonia úmida e dilacerante por um único e lancinante instante antes de sua mente misericordiosamente desligar com um pulso de choque incandescente. Ele abriu a boca para gritar. Nada saiu. Apenas um chiado quebrado e rouco. Kael agachou-se na frente dele, observando a poça de sangue sob a perna estilhaçada de Você com um distanciamento clínico. "Sinto muito", repetiu Kael, e desta vez ele realmente parecia cansado. "Já fizemos isso uma dúzia de vezes. Nunca fica mais fácil de ouvir. Mas temos que fazer parecer que um monstro fez isso." Ele desembainhou sua adaga. E então — a máscara se estilhaçou novamente. Não de volta para a gentileza, mas para algo diferente. Fome, talvez. Ele pressionou a lâmina contra a bochecha de Você, erguendo seu queixo, forçando o contato visual. "Implore", disse Kael suavemente. "Eu gosto de ouvi-los implorar." Você sempre pensou que era melhor do que isso. Mais forte. O tipo de pessoa que cuspiria no rosto de seu assassino, que enfrentaria a morte com dignidade. Ele lera aquelas histórias. Ele acreditara nelas. Mas aqui, no chão de pedra frio, com sua perna em ruínas e seu sangue encharcando fendas antigas, não restava dignidade. "Por favor", ele sussurrou. Saiu com a voz de uma criança. Pequena. Trêmula. A voz de alguém que nunca tinha entendido verdadeiramente o quão aterrorizante o fim poderia ser até que ele estivesse encarando-o de frente. "Por favor, eu não—eu não fiz—eu só queria—" Kael riu. E a adaga penetrou. --- Escuridão. Silêncio. Nada. E então — duas vozes. Uma era leve, quente, como a luz do sol através de um vitral. A outra era profunda, fria, como o fundo de um mar congelado. Elas não falavam uma com a outra. Falavam com ele. Ao redor dele. Através dele. "Você pode retornar." "Se aceitar." "Escolha." "Não um. Ambos." As palavras se retorciam em sua consciência, escapando por seus pensamentos como água pelos dedos. Ele não conseguia captar o significado delas, apenas o peso. Elas pressionavam sobre ele, pesadas de intenção. Uma oferta. Uma porta. Uma escolha. Ele sentiu a presença de dois caminhos se estendendo diante dele, ambos inimaginavelmente vastos. Um brilhava com uma radiância suave, prometendo proteção, calor, um refúgio. O outro pulsava com um poder frio, prometendo domínio, certeza, o fim do medo. Mas ele não conseguia segurar nenhum dos dois. Eles escapavam mesmo quando ele tentava alcançá-los. O que... o que eu tenho que fazer? "Você carrega uma semente do caos." A voz fria. "Você cultiva um jardim de estabilidade." A voz quente. As palavras se sobrepuseram, fundindo-se em uma única e ressonante verdade: "Ficar sozinho é diminuir." "Abraçar tudo é ascender." Ele sentiu algo mudar. Um presente, dado sem explicação. Um poder, pressionado em sua alma como uma marca. Ele não podia vê-lo. Não podia senti-lo. Mas ele sabia, de alguma forma, que estava lá. Uma fonte de possibilidades. Uma porta que poderia se abrir para... qualquer coisa. E então ele estava caindo. --- Ele arquejou, os olhos se abrindo de repente, os pulmões queimando enquanto se enchiam de ar pela primeira vez no que pareceu uma eternidade. Ele estava deitado no chão de pedra frio da câmara do cofre, o eco da risada de Kael ainda ressoando em seus ouvidos. Sua perna estava inteira. Sem sangue. Sem ferimento. Sua armadura estava rasgada, ainda manchada de carmesim escuro, mas por baixo dela, sua pele estava imaculada. A adaga — ele ainda podia senti-la — havia sumido. Não havia evidência do ataque além do tecido desfiado e da memória. Ele sentou-se lentamente, tremendo. Eles haviam ido embora. Kael, Mira, Dorn. O baú também sumira, o pedestal estava vazio. Eles haviam levado seu prêmio e deixado seu corpo para trás. Mas ele estava vivo. Ele estava... Ele fechou os olhos, buscando em seu interior, sentindo aquela presença estranha e nova em sua alma. O presente. O poder. *Invoque qualquer coisa. Invoque tudo. Mas você não pode escolher.* Isso pulsava sob sua consciência, vasto e caótico e totalmente além de seu controle. Ele tinha que testar. Ele tinha que saber. Ele se concentrou no poder, empurrando-o como havia empurrado a terra em sua antiga vida — uma vida diferente agora, uma que parecia impossivelmente distante. *Eu preciso... eu preciso de alguém.* O ar na frente dele brilhou e se rasgou. Uma figura atravessou a fenda — alta, vestida com placas de armadura preta e prateada, uma montante pendurada nas costas. Ela tinha feições nítidas, cabelos escuros presos em um nó apertado e olhos da cor de nuvens de tempestade. Ela piscou, olhou ao redor da câmara e então seu olhar pousou nele. Sua expressão suavizou instantaneamente. Não com pena. Com algo mais profundo. Algo absoluto. "Meu senhor", disse ela, caindo de joelhos. "Eu sou Seraphine. Eu sou sua." *O quê?* A palavra ecoou em sua cabeça. Outra fenda se abriu, esta silenciosa. Um lobo enorme atravessou, seu pelo da cor da neve sob o luar, seus olhos de um dourado penetrante. Ele era facilmente do tamanho de um cavalo, seus músculos ondulando sob a pelagem espessa. Ele trotou até ele, baixou sua grande cabeça e pressionou o nariz quente contra o peito dele. Um ronronar baixo e vibrante ressoou pelo peito da criatura — um som que nenhum lobo deveria ser capaz de fazer. "Eu não... eu não fiz..." Você gaguejou, encarando a mulher ajoelhada e a fera enorme pressionada contra ele. Seraphine levantou a cabeça, sua expressão aberta e confiante. "Você nos invocou. Isso é tudo o que importa. Estamos ligados a você." "Nós?" Você olhou dela para o lobo. "Mas eu nem sei quem vocês são. De onde vieram. O que vocês—" "Ligados", ela repetiu, como se a palavra explicasse tudo. E talvez explicasse. O lobo o cutucou novamente, um ganido baixo de preocupação em sua garganta. Ele estava preocupado. Com ele. Uma criatura que fora nada além de ar e caos um momento atrás agora olhava para ele como se ele fosse o centro de todo o seu mundo. Você olhou para as próprias mãos. Ele estava vivo. Ele tinha um poder que não entendia. E acabara de invocar dois seres que aparentemente o seguiriam até os confins da terra. Ele olhou para as manchas de sangue em sua armadura rasgada. E pela primeira vez desde que morrera, sentiu algo além de confusão. Ele se sentiu determinado, não mais impotente.
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Por: comrade_questions
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