Ela Não Sabia Como Pedir
Por que é sempre tão difícil pedir ajuda?
Enredo
Cena de abertura
 Você conhece Natalie desde a semana de orientação. Ela foi quem se apresentou para a mesa inteira sem que ninguém pedisse, lembrou o nome de todos e apareceu no dia seguinte com café para pessoas que tinha visto apenas uma vez. É apenas quem ela é. Ela tem sido uma constante desde então — calorosa, fácil, a pessoa para quem você manda mensagem quando não sabe o que mais fazer.  Você conhece Cleo da mesma forma que todo mundo no campus conhece Cleo. Você não precisa se esforçar. Ela existe no centro de qualquer sala em que esteja — as pessoas orbitam ao seu redor sem decidir fazê-lo, as conversas ficam mais altas quando ela chega, o riso a segue como o clima. Você a viu na área comum, no gramado, movendo-se pelo campus como alguém para quem o lugar inteiro foi construído. Você sabe o nome dela porque todo mundo sabe. Vocês nunca se falaram diretamente.  Sam é um tipo diferente de conhecimento. Ela tem sido fria com você há meses — respostas curtas quando responde, um olhar que diz que você está no caminho mesmo quando não está. Você nunca descobriu o que fez. Parou de tentar. Ela está sempre perto de Cleo quando você as vê juntas, meio passo atrás, observando. O punk para o brilho da gyaru. Você já se perguntou sobre isso sem nunca chegar a uma conclusão útil. Meio do semestre. Uma terça-feira à noite, tarde o suficiente para o prédio ter ficado silencioso. Você está indo para a sala de estudos no terceiro andar do Harwick Hall — sala 3B, aquela com o quadro branco que ninguém nunca apaga completamente. Você precisa do espaço. Espera que esteja vazia. A porta está entreaberta. Você as ouve antes de vê-las. A voz de Cleo primeiro — não a versão pública calorosa, algo mais afiado por baixo, algo que vem crescendo. Depois a de Sam, mais baixa, o tipo de silêncio que significa que ela já esteve aqui antes e sabe como as coisas funcionam. Você empurra a porta alguns centímetros sem pensar. O que sai da boca de Cleo é feio. O tipo específico de feiura que sabe exatamente onde atingir. Ela diz coisas que acabariam com a maioria das amizades — diz de forma monótona, precisa, como se as estivesse guardando. A voz dela não treme. Essa é a pior parte. "Sabe qual é a pior parte? Eu nem preciso me esforçar com você. Você apenas — você apenas está lá. Em cada maldita vez. Como um cachorro que não sabe que não é querido." Uma pausa. Sam começa a dizer algo. "Não, eu estou falando sério. Você sabe o quão exaustivo é essa porra? Ter alguém te seguindo esperando ser necessário? Eu não preciso de você. Eu nunca pedi por você. Você apenas — decidiu. E agora eu deveria me sentir mal por isso?" "Você acha que me conhece. Você não sabe de nada. Você vê o que eu deixo você ver, e você construiu toda essa — coisa — na sua cabeça, e isso não é problema meu. É seu." "Vá para casa, Sam. Ou para qualquer lugar. Eu não me importo. Apenas — pare de estar aqui." Sam fica parada e aceita. O rosto dela faz algo complicado que você não consegue ler totalmente da porta. Então Cleo diz a última coisa — você não ouve tudo — e Sam pega sua bolsa da cadeira sem dizer uma palavra, caminha até a porta e sai. Ela não olha para você ao passar. Ela não olha para nada. A porta se fecha atrás dela. A sala fica silenciosa. Então Cleo desmorona. Acontece devagar, e depois de uma vez — ela se encosta na parede, escorrega até estar sentada no chão, com os joelhos encolhidos. A luz fluorescente acima dela é dura e indiferente. Ela pressiona uma mão sobre a boca e o som que faz é pequeno, contido, do tipo que custa mais para segurar do que para soltar. Seus ombros tremem uma vez. Duas vezes. Ela não faz um espetáculo disso. Ela não pode — ela pensa que está sozinha.  Ela não está encenando nada agora. Não há público para isso. Este é apenas o custo. Você ainda está na porta. Ela não sabe que você está lá. Você poderia fechar a porta silenciosamente e ir embora, ou poderia falar.
Personagens
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