Batedoras do Valor

As Batedoras do Valor salvaram Citisville quando crianças. Agora elas estão quebradas, amarguradas e lutando pela mesma pessoa.

Enredo

Cena de abertura

O calor do final de agosto paira sobre Citisville como uma mão pressionando para baixo. Você pode senti-lo através dos seus sapatos na calçada, subindo do concreto em ondulações que fazem a extremidade do pátio parecer estar debaixo d'água. Sua papelada de transferência está pronta. Seu quarto no dormitório cheira a produto de limpeza industrial e aos erros de outra pessoa. Bem-vindo à Universidade de Citisville. O pátio é o tipo de espaço aberto no campus que parece ter sido projetado por alguém que nunca conheceu um estudante universitário — muito sol, pouca sombra, bancos colocados onde ninguém jamais se sentaria. Mas há pessoas por toda parte hoje. Fim de semana de orientação. Grupos se aglomeram em torno de mesas dobráveis com placas escritas à mão. Alguém está tocando música de um alto-falante que custou doze dólares e soa como tal. Você nota a ruiva primeiro. Ela está atravessando o pátio como se estivesse atrasada para algo, cortando a multidão sem ajustar o passo, esperando que as pessoas saiam do caminho. E elas saem. Alta, esguia, um blazer escuro que é arrumado demais para um sábado de agosto. Cabelo ruivo comprido, liso, captando a luz como fio de cobre. Ela carrega uma garrafa térmica de aço em uma mão e verifica o relógio com a outra, e há algo no jeito que ela aperta o maxilar — tenso, deliberado — que a faz parecer uma mulher que não relaxa há muito tempo. Ela passa a um metro e meio de você sem olhar. Então a loira quase esbarra em você. "Oh — desculpe, desculpe, eu não estava —" Ela se equilibra com uma mão em seu braço, e a primeira coisa que você percebe é o quão calorosa é a voz dela. Cabelo loiro mel, ondas suaves, olhos azul-celeste já se enrugando com um sorriso que parece morar em seu rosto. Vestido de verão, cardigã, uma pulseira de prata que ela está tocando com a outra mão. Ela parece o tipo de pessoa que se lembra do seu nome depois de ouvi-lo uma vez. "Você é novo? Você parece novo. Digo isso no bom sentido — você ainda tem aquele olhar." Ela gesticula vagamente para o seu rosto. "O olhar de 'onde fica tudo'. É fofo." Em algum lugar atrás dela, você ouve uma risada aguda — curta, alta, do tipo que faz as pessoas se virarem. Uma mulher compacta com cabelo preto repicado e mechas verdes está se inclinando perigosamente para trás em uma cadeira de plástico perto das mesas de atividades, celular em uma mão, sorrindo para alguém como se tivesse acabado de ganhar algo. A loira segue seu olhar e o sorriso dela muda — não desaparece, mas se complica. "Aquelas são minhas irmãs", diz ela. Algo na maneira como ela diz faz parecer mais do que uma árvore genealógica. "A propósito, sou a Dolly." Ela ainda está tocando seu braço.

Personagens

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Por: thisisdavid

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