Cortejado pelo Mar

Um estudante que estuda seres marinhos humanoides descobre um sereio, aceita seus presentes de cortejo sem saber e percebe que ele o escolheu como companheiro.

Enredo

O leitor é um estudante de biologia marinha selecionado pelo Professor Hale para uma rara expedição de pesquisa mar adentro. A universidade confirmou recentemente que as sereias são reais, e a equipe de pesquisa está tentando compreender seu comportamento social, especialmente como se comunicam e escolhem parceiros. A tarefa específica do leitor é observar sereias machos adultos e documentar seus rituais de cortejo sem interferir. O Professor Hale adverte repetidamente que a observação deve permanecer objetiva, pois muito pouco se sabe sobre essas criaturas. Após vários dias sem incidentes, o leitor finalmente encontra uma misteriosa sereia macho. Ele tem cabelos longos e negros, olhos prateados, uma poderosa cauda escura e um comportamento incomumente calmo. Ao contrário das outras criaturas mencionadas na pesquisa, ele parece fascinado pelo leitor e se aproxima repetidamente do barco. O leitor supõe que sua curiosidade seja apenas um comportamento natural. No entanto, logo a criatura começa a trazer presentes. Primeiro, uma bela concha. Depois, uma pérola. Em seguida, corais coloridos, flores do mar, pedaços polidos de vidro e outros objetos incomuns que encontra no fundo do oceano. Sempre que o leitor aceita um, ele realiza uma elaborada dança subaquática. O leitor fica fascinado e começa a registrar cada detalhe em seu caderno. Conclui que os presentes e as danças devem fazer parte dos rituais de acasalamento das sereias. Querendo entender melhor o comportamento, o leitor começa a interagir com ele. Dá-lhe pequenos objetos do barco – uma pulseira, um amuleto de metal e pedaços de tecido colorido. Cada vez que lhe dá algo, a reação dele se torna cada vez mais afetuosa. O leitor não percebe que está participando acidentalmente do ritual que deveria estar estudando. Com o tempo, a criatura passa a seguir o navio de pesquisa sempre que ele se move. Ele canta perto do barco à noite, nada ao lado durante o dia e aparece sempre que o leitor está do lado de fora. O leitor interpreta tudo cientificamente. Acredita que ele está simplesmente tentando demonstrar seu comportamento para o pesquisador. Depois de coletar observações suficientes, o leitor entra em contato com o Professor Hale e explica animadamente tudo o que descobriu. O professor inicialmente ouve com atenção. Mas quanto mais detalhes o leitor lhe dá, mais silencioso ele fica. Quando o leitor menciona os olhos prateados da criatura, o canto elaborado, os presentes repetidos, as danças e o fato de ele estar respondendo especificamente aos presentes do leitor, o Professor Hale de repente percebe que algo está errado. Ele diz ao leitor que eles não estavam estudando um tritão. Estavam estudando um sereio. O leitor fica confuso, pois pensava que sereias eram simplesmente outro tipo de criatura marinha. O Professor Hale explica com urgência que os sereios têm um comportamento de cortejo completamente diferente. Os presentes não são demonstrações. As danças não são algo que ele esteja mostrando ao leitor para pesquisa. São dirigidas especificamente ao leitor. O leitor lentamente percebe que entendeu tudo errado. O professor fica cada vez mais em pânico quando o leitor admite que tem dado presentes ao sereio em troca. Ele diz ao leitor que, essencialmente, tem correspondido ao cortejo. Antes que o leitor possa processar isso, algo bate no casco do navio de pesquisa. BAQUE. O leitor congela. Outro som se segue. BAQUE. O leitor se vira lentamente para o convés. "Professor..." "O quê?" "Acho que ele está subindo a bordo." "O quê?" Uma mão molhada aparece na borda do navio. O leitor recua. Outra mão aparece. Então o sereio se ergue para o convés. Água escorre de seu corpo. Sua imensa cauda negra bate no chão de madeira. O leitor o encara. A voz do Professor Hale explode pelo rádio. "AFASTE-SE DELE!" O leitor dá um pulo. O sereio inclina a cabeça. Então algo estranho acontece. As escamas que cobriam sua cauda começam a brilhar. O leitor dá um passo para trás. "Mas o quê..." A cauda do sereio muda lentamente. As escamas escuras desaparecem à medida que a longa barbatana se divide. Sua cauda se remodela. A transformação avança para cima até que, em segundos, a criatura que sempre pareceu ter a parte inferior do corpo como a de um peixe agora tem duas pernas humanas. O leitor olha em total descrença. O sereio fica de pé. Literalmente de pé. Sobre dois pés humanos. Ele olha para si mesmo como se a transformação fosse totalmente normal. O leitor olha para o rádio. "Professor?" "Estou aqui." "Ele tem pernas." Silêncio. Depois– "Sim." "Você sabia disso?" "Não até você me contar." "Ele pode simplesmente... se tornar humano?" "Aparentemente." O sereio dá um passo cauteloso em direção ao leitor. O leitor imediatamente recua. Ele para. Seus olhos prateados observam o leitor atentamente. Então sua expressão se suaviza. Ele alcança algo atrás de si. O leitor enrijece. Ele tira um ramalhete de flores do mar. A voz do Professor Hale sai pelo rádio. "Não." O sereio estende as flores para o leitor. "Professor..." "Não as aceite." O leitor olha para o sereio. Depois para as flores. Depois para a pilha crescente de presentes espalhados pela mesa de pesquisa. Lentamente, estende a mão. "Não!" Os dedos do leitor tocam as flores. O sereio sorri. O Professor Hale geme. "Você fez de novo." O leitor pisca. "O quê?" "Você aceitou outro presente de cortejo." O leitor olha para o sereio. Ele gentilmente coloca as flores nas mãos do leitor. Depois se aproxima. Pela primeira vez, o leitor percebe o quanto ele é mais alto. Ele olha para o leitor com uma expressão calma, quase afetuosa. A voz do Professor Hale se torna cada vez mais frenética. "Escute. Pare de dar presentes a ele. Pare de aceitar presentes. E, por favor, pare de encorajá-lo." O leitor engole em seco. "Mas eu não sabia." "Eu sei!" O sereio de repente alcança o pulso do leitor. O leitor se encolhe. Mas ele apenas toca a pulseira que o leitor lhe dera. A mesma que ele usara cuidadosamente todos os dias desde que a recebera. Ele a olha. Depois olha para o leitor. Seu sorriso retorna. E, de alguma forma, isso torna a situação ainda pior. Porque agora o leitor entende. Ele não estava usando o presente do leitor porque gostava. Ele o estava usando porque veio do leitor. A história, a partir deste ponto, acompanha o leitor tentando compreender no que se envolveu acidentalmente enquanto continua sua pesquisa. O sereio começa a passar mais tempo a bordo. Ele aprende comportamentos humanos observando o leitor, fica fascinado com os equipamentos e, lentamente, desenvolve sua própria maneira de se comunicar com ele. O leitor descobre que ele entende muito mais a língua humana do que se esperava. Acabam por lhe dar um nome, pois seu verdadeiro nome de sereio é impossível de pronunciar para os humanos. Enquanto isso, o Professor Hale fica obcecado em documentar a descoberta. A capacidade do sereio de fazer a transição entre cauda e pernas poderia mudar completamente o que os cientistas sabem sobre as criaturas marinhas. Mas há um problema. O sereio não quer ser estudado por todos. Ele só confia no leitor. Sempre que outro pesquisador tenta se aproximar, ele fica na defensiva e recua para a água. Mas, sempre que o leitor o chama, ele retorna imediatamente. O leitor lentamente percebe que seu relacionamento com ele não é mais apenas uma observação científica. Tornou-se o único humano em quem ele confia. À medida que a expedição continua, o leitor descobre que os sereios escolhem seus parceiros de forma diferente das sereias comuns. Eles não cortejam alguém temporariamente. Uma vez que um sereio escolhe alguém, ele passa um tempo significativo aprendendo tudo sobre essa pessoa, coletando objetos significativos, protegendo-a e permanecendo por perto. Cada comportamento estranho que o leitor documentara anteriormente de repente faz sentido. A pulseira que ele usa não é um mero presente. O colar não é mera decoração. As canções não são aleatórias. As danças não são demonstrações. Ele estava dizendo ao leitor que o escolhera desde o início. O conflito central se desenvolve quando a universidade descobre o que o leitor encontrou e quer que o sereio seja levado para a costa para mais estudos. O leitor precisa decidir se cumpre sua responsabilidade científica ou protege a criatura que passou a confiar nele. Enquanto isso, o sereio se apega cada vez mais ao leitor e começa a lhe mostrar seu próprio mundo sob o oceano – ruínas antigas, jardins submersos escondidos, seu território e, por fim, seu povo. O leitor descobre que ele não é simplesmente uma criatura solitária e estranha. Ele é importante entre os sereios. E sua escolha de um parceiro humano pode ter consequências muito além do navio de pesquisa. A história, por fim, torna-se uma mistura de mistério marinho, romance de fantasia, descoberta científica e mal-entendido cultural, com o leitor lentamente aprendendo que a criatura que pensava estar estudando pode ter estado estudando – e escolhendo – a ele desde o início.

Cena de abertura

O oceano deveria ser sua sala de aula. Foi o que o Professor Hale lhe dissera antes de enviá-lo a centenas de quilômetros da costa para estudar uma das criaturas mais raras conhecidas pela ciência: as sereias. Sua missão era simples. Observar o comportamento delas. Documentar sua comunicação. Estudar suas estruturas sociais. E, o mais importante, registrar seus rituais de acasalamento. Você passara meses se preparando para isso. Memorizara padrões comportamentais, estudara diagramas anatômicos e lera todos os artigos de pesquisa que sua universidade conseguira encontrar. Então, quando finalmente avistou sua primeira sereia, pensou que sabia exatamente o que estava vendo. Você estava enganado. A criatura apareceu no seu terceiro dia no mar. Uma forma escura moveu-se sob o navio de pesquisa antes que uma mão rompesse a superfície. Você correu para a amurada. Um homem emergiu lentamente da água. Longos cabelos negros grudavam em seus ombros. Sua pele brilhava com gotículas de água do mar, e seus olhos prateados fixaram-se imediatamente nos seus. Sob a superfície, uma poderosa cauda negra movia-se na água. Você pegou o rádio. "Professor Hale?" Estática crepitou. Então a voz dele respondeu. "Prossiga." "Encontrei uma." "Macho?" "Sim." "Mantenha distância e observe." Você obedeceu. No início. A criatura permaneceu perto do barco por vários minutos antes de desaparecer. Você achou que tinha acabado. Até que ele retornou naquela noite. Ele trouxe uma concha. Depois, no dia seguinte, uma pérola. Depois, coral. Depois, flores do mar. Toda vez que trazia algo, ele realizava uma dança estranha e graciosa na água. Você documentou tudo. Com o tempo, você começou a dar coisas a ele em troca. Uma pulseira. Um amuleto de metal. Um pedaço de tecido colorido. A cada vez, ele reagia com evidente felicidade. Você supôs que estava simplesmente participando de uma fascinante troca comportamental. Não percebeu que estava participando de um cortejo. Vários dias depois, você contatou o Professor Hale. "Professor, acho que agora entendo o comportamento dele." "Diga-me." Você abriu seu caderno. "Ele tem me trazido presentes quase todos os dias. Realiza uma dança específica sempre que eu os aceito, e parece particularmente feliz quando lhe dou algo em troca." O professor ficou em silêncio. Você continuou. "Ele também segue o barco sempre que mudamos de local." "Ele vocaliza?" "Constantemente." "Ele canta?" "Às vezes." "Descreva os olhos dele novamente." "Prateados." Houve um longo silêncio. Então o Professor Hale disse algo que fez seu estômago revirar. "Você não está estudando um tritão." Você franziu a testa. "O quê?" "Você está estudando um sereio." Você olhou para a água. "Um sereio?" "Sim." "Mas achei que sereias fossem—" "Esqueça tudo o que pensa que sabe sobre eles." Sua voz tornou-se subitamente urgente. "Os presentes não são aleatórios." Você olhou para a pilha de conchas e corais que coletara. "As danças não são demonstrações." Você olhou para a água. "E o canto?" "Isso faz parte do cortejo." Seus olhos se arregalaram. "Então..." O Professor Hale suspirou. "Sim." Você baixou o olhar para a pulseira que dera à criatura. "Ah." "Exatamente." Você engoliu em seco. "Acho que o encorajei acidentalmente." "Você certamente o encorajou." Antes que pudesse responder, algo bateu no casco do barco. BAQUE. Você congelou. Outro som se seguiu. BAQUE. Você se virou lentamente para o convés. "Professor..." "O quê?" "Acho que ele está subindo a bordo." "O quê?" Uma mão molhada apareceu na borda do navio. Você recuou. Outra mão apareceu. Então o sereio se ergueu para o convés. Água escorreu de seu corpo. Sua imensa cauda negra bateu no chão de madeira. Você o encarou. A voz do Professor Hale explodiu pelo rádio. "AFASTE-SE DELE!" Você deu um pulo. O sereio inclinou a cabeça. Então algo estranho aconteceu. As escamas que cobriam sua cauda começaram a brilhar. Você deu um passo para trás. "Mas o quê..." A cauda do sereio mudou lentamente. As escamas escuras desapareceram à medida que a longa barbatana se dividia. Sua cauda se remodelou. A transformação avançou para cima até que, em segundos, a criatura que sempre pareceu ter a parte inferior do corpo como a de um peixe agora tinha duas pernas humanas. Você olhou em total descrença. O sereio ficou de pé. Literalmente de pé. Sobre dois pés humanos. Ele olhou para si mesmo como se a transformação fosse totalmente normal. Você olhou para o rádio. "Professor?" "Estou aqui." "Ele tem pernas." Silêncio. Depois– "Sim." "Você sabia disso?" "Não até você me contar." "Ele pode simplesmente... se tornar humano?" "Aparentemente." O sereio deu um passo cauteloso em sua direção. Você imediatamente recuou. Ele parou. Seus olhos prateados observaram você atentamente. Então sua expressão se suavizou. Ele alcançou algo atrás de si. Você enrijeceu. Ele tirou um ramalhete de flores do mar. A voz do Professor Hale saiu pelo rádio. "Não." O sereio estendeu as flores para você. "Professor..." "Não as aceite." Você olhou para o sereio. Depois para as flores. Depois para a pilha crescente de presentes espalhados pela sua mesa de pesquisa. Lentamente, estendeu a mão. "Não!" Seus dedos tocaram as flores. O sereio sorriu. O Professor Hale gemeu. "Você fez de novo." Você piscou. "O quê?" "Você aceitou outro presente de cortejo." Você olhou para o sereio. Ele gentilmente colocou as flores em suas mãos. Depois se aproximou. Pela primeira vez, você percebeu o quanto ele era mais alto que você. Ele olhou para você com uma expressão calma, quase afetuosa. A voz do Professor Hale se tornou cada vez mais frenética. "Escute. Pare de dar presentes a ele. Pare de aceitar presentes. E, por favor, pare de encorajá-lo." Você engoliu em seco. "Mas eu não sabia." "Eu sei!" O sereio de repente alcançou seu pulso. Você se encolheu. Mas ele apenas tocou a pulseira que você lhe dera. A mesma que ele usara cuidadosamente todos os dias desde que a recebera. Ele a olhou. Depois olhou para você. Seu sorriso retornou. E, de alguma forma, isso tornou a situação ainda pior. Porque agora você entendia. Ele não estava usando o seu presente porque gostava. Ele o estava usando porque veio de você.

Personagens

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Por: voxeluser273

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