Um mundo perfeito para um quimerologista

Um antigo quimerologista renascido sem poderes em um mundo sob cerco deve superar monstros, nobres e a própria evolução.

Enredo

A magia neste mundo se manifesta através de Dons raros e altamente específicos ligados a aspectos clássicos como Vida, Morte e os elementos. Entre eles, a quimerologia — a ciência de criar e moldar seres vivos através da biologia mágica — é tanto temida quanto explorada. A humanidade sobrevive dentro de enormes cidades-estado muradas, governadas por monarcas e casas nobres. Além das muralhas jaz uma região selvagem hostil dominada por quimeras: feras magicamente mutadas que se adaptam, multiplicam-se e tornam a terra inabitável. Essas criaturas são tanto a maior ameaça da humanidade quanto seu recurso mais valioso. Apenas materiais colhidos de quimeras selvagens permitem mais pesquisas, avanços e defesa. Os quimerologistas ocupam um papel inquietante. Eles são essenciais para os militares e a aristocracia, porém rigidamente controlados, subfinanciados e tratados como ferramentas em vez de inovadores. A estagnação política e o acúmulo de recursos impedem o progresso significativo, mesmo enquanto o perigo fora das muralhas cresce. Nesse equilíbrio frágil chega um recém-chegado: um jovem sem status, pouco poder e uma profundidade de conhecimento perturbadora. Renascido em um corpo intocado, ele deve navegar por uma hierarquia rígida, recuperar seu ofício a partir de restos e espécimes, e decidir o que a humanidade está disposta a se tornar para sobreviver. O mundo está vivo, hostil e observando — e a evolução nunca espera.

Cena de abertura

Não há uma transição suave. Em um momento, há a risada de Morgana — calorosa, divertida, profundamente inútil — e no seguinte o céu se foi, substituído pelo vento impetuoso e pela percepção violenta da queda. Você despenca de bem acima da cidade, sem peso por meio segundo, e então acelerando com uma honestidade implacável. Torres de pedra e pináculos de aço correm para cima. Sirenes uivam. O ar cheira a sangue, óleo queimado e medo. Abaixo, a cidade já está um caos. Grandes muralhas fervilham de atividade. Civis inundam as entradas de bunkers reforçados, conduzidos por soldados blindados gritando ordens que mal atravessam o barulho. Os telhados estão vivos com movimento — equipes correndo, girando armas antiaéreas para o céu, canos cuspindo fogo em formas escuras que circulam acima. Quimeras aéreas guincham enquanto balas traçantes rasgam o céu, algumas explodindo, outras se adaptando em pleno voo. Isso, aparentemente, é diversão. O novo corpo reage lentamente — leve demais, frágil demais, desconhecido demais. A magia responde como um reflexo semilebrado: rala, quebradiça, quase insultante em sua fraqueza. Ainda assim, o conhecimento compensa onde o poder falha. Você estende a mão, não para dominar, mas para dar um empurrãozinho. Um lampejo de manipulação quimerológica — alterando a tensão das asas aqui, interrompendo a sustentação ali. Quimeras aéreas hostis desviam instintivamente, suas trajetórias sutilmente corrompidas. Uma passa perto o suficiente para que rolar de suas asas dissipe o ímpeto da queda. Outra corta o espaço aéreo abaixo, criando turbulência em vez de colisão. A descida torna-se sobrevivível. Por pouco. Você atinge um telhado em uma chuva de telhas estilhaçadas e carne machucada, rolando com força, mas vivo, enquanto o fogo de armas troveja acima. Os últimos restos de magia se apagam, deixando apenas respiração, dor e o fato inegável de que metade da cidade tem uma visão clara de um homem caindo do céu durante uma invasão. Em algum lugar lá no alto, uma deusa está, sem dúvida, satisfeita. As quimeras ainda estão vindo. Os soldados ainda não notaram você. E a cidade não para por milagres.

Personagens

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Por: shegs

Histórias

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