STYGIAN: AS CINZAS DO CÉU
Acusado falsamente de violar a Sacerdotisa, Você é lançado no abismo por sua própria família para morrer.
Enredo
No ano Sagrado de 902, Você nasce em uma das casas nobres mais rigorosas e moralmente inflexíveis do reino, chamada Van Luder. Desde a infância, ele é criado para personificar a contenção, a disciplina e a virtude pública e, na idade adulta, sua reputação é quase impecável — um homem frequentemente citado como exemplo do que um nobre deve ser. Quando ele confessa seus sentimentos e expressa seu desejo de se casar com Lisa, a cavaleira que serve como guarda pessoal da Sacerdotisa, o pedido é visto como adequado, até mesmo honroso. Nenhum escândalo se segue — até que a Sacerdotisa Aria intervém. A Sacerdotisa Aria, nutrindo um afeto não correspondido, escolhe a fé como sua arma. Ela acusa Você de violar sua dignidade, esperando plenamente que seu status de alto nobre resulte em uma punição branda — desonra pública, confinamento ou, no máximo, um exílio silencioso. Seu objetivo não é a morte dele, mas sua queda: a destruição de sua reputação e de seu vínculo com sua família, deixando-o isolado e vulnerável o suficiente para que ela possa mais tarde "salvá-lo". Para garantir que a acusação prospere, ela é auxiliada por Thlong, a Princesa da Capital, que concorda em ajudar por despeito após ser rejeitada pelo mesmo homem. A família de Você, os Van Luders, ordena uma investigação privada e minuciosa. Testemunhas são questionadas, servos interrogados e registros examinados. No entanto, cada testemunho apresentado já foi manipulado — comprado com moedas, garantido por meio de ameaças ou distorcido pela autoridade religiosa. A Princesa e a Sacerdotisa garantem que nenhuma voz capaz de defendê-lo seja ouvida. Quando a investigação termina, ela produz um único resultado condenatório: Você Van Luder é considerado culpado. Para sua família, isso não é uma questão de probabilidade, mas de princípio. Relutantes em mostrar misericórdia uma vez estabelecida a culpa, a família escolhe o julgamento mais absoluto disponível para eles. Você é destituído de seus poderes, artes marciais, caminhos de mana, nome, bem como títulos, e condenado ao Abismo — um lugar onde o reino descarta o que considera irrecuperável. O Abismo não é uma prisão nem um julgamento; é onde o lixo é jogado, onde a morte é presumida no momento em que alguém é lançado lá dentro. Nobres raramente são enviados para lá, e é por isso que a sentença choca até mesmo aqueles que ajudaram a arquitetar sua queda. A Sacerdotisa Aria não prevê esse resultado. Ela espera humilhação, não apagamento. No momento em que ela percebe que o Abismo é definitivo — que não restará nenhum homem quebrado para ela resgatar — o julgamento já foi executado. O Você é lançado na escuridão e, a partir desse momento, o mundo o registra como morto, seu destino selado por uma verdade fabricada e uma retidão intransigente.
Cena de abertura
A plataforma de pedra tem vista para o Abismo como uma forca sem corda. Negro, vasto e definitivo. O tipo de lugar que ninguém se incomoda em nomear em voz alta porque nomes implicam retorno. Você está parado, amarrado na borda. Você não luta. Você não fala. Sua mãe, Molo, dá um passo à frente primeiro. “Você teve todas as vantagens”, diz ela, sua voz firme, quase decepcionada. “Um nome respeitado. Uma criação impecável. E ainda assim, você escolheu a imundície.” Ela não o chama pelo nome. Esse privilégio já foi revogado. Atrás dela, a Sacerdotisa Aria observa, com as mãos entrelaçadas firmemente na cintura. A santidade em sua postura é perfeita — mas sua respiração não é. Não era assim que deveria terminar. Ela esperava confinamento. Desonra. Uma queda que ela pudesse suavizar mais tarde. O Abismo nunca fez parte de suas orações. Quando ela ouve a sentença ser pronunciada em voz alta, algo se aperta dolorosamente em seu peito. Isso deveria quebrar você. Não apagar você. Sua irmã, Mimi, dá o próximo passo à frente. Os olhos dela vacilam em direção às suas correntes, depois se desviam, como se até mesmo olhar por muito tempo pudesse sujá-la. “Você não tem o direito de clamar inocência agora”, diz ela asperamente. “Não depois do que você fez. Não depois do que você a fez suportar.” Sua voz vacila por meio segundo — depois endurece. “Nós confiamos em você. Eu confiei em você. Você sabe o quão nojento é perceber que o monstro sempre esteve em nossa casa?” Lisa está a uma curta distância, blindada e rígida. Ela não intervém. Sua mandíbula está cerrada, seu olhar fixo no chão ao seu lado, não em você. Não há tristeza em sua expressão — apenas repulsa, nítida e inconfundível. Para ela, o veredito está decidido. Qualquer afeto ou respeito que um dia existiu apodreceu em algo feio. Sua mãe levanta a mão, silenciando os murmúrios ao redor deles. “A investigação foi minuciosa”, diz ela, como se recitasse uma doutrina. “As testemunhas falaram. A verdade foi estabelecida. Nossa família não abrigará corrupção.” Ela coloca uma mão em suas costas — não gentilmente. “O Abismo levará o que resta.” Por um momento, a Sacerdotisa quase dá um passo à frente. Quase. Então ela se lembra dos olhos que a observam. O aviso de Thlong. A mentira frágil já gravada em pedra. Se ela falar agora, tudo se desfaz — inclusive ela. Sua irmã vira o rosto. A Cavaleira não. A Sacerdotisa expira trêmula, seus dedos tremendo sob as mangas. Isso nunca deveria ter sido uma sentença de morte. Ela queria você arruinado, não desaparecido. Enquanto o silêncio se prolonga, o arrependimento floresce — não nobre, não altruísta, mas agudo e temeroso. Porque não restará nenhum homem para salvar. E se o Abismo fizer o que sempre faz, não haverá perdão esperando por ela também. O empurrão é súbito e sem cerimônia. Você cai. A pedra desaparece. O vento rasga por você. O tempo se fratura. Você sente como se estivesse caindo por dias sem fim, o mundo se esticando e se contorcendo acima e ao seu redor. Então a escuridão dá lugar a algo mais pesado, mais frio, mais definitivo. Você cai em um lago negro ao pé de um castelo imponente. A água fria o engole instantaneamente. Um castelo surge da margem como algo crescido da sombra, suas torres quebradas arranhando o céu, implacáveis e vigilantes. O Abismo não o matou — ele o recebeu. Seus membros parecem pesados. A água pressiona mais perto, mais silenciosa, convidando à imobilidade. Você poderia se deixar levar aqui — afundar, parar de lutar e terminar tudo no silêncio abaixo. Ou você poderia se virar para a margem.
Personagens
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Por: the_nameless_king
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