O Juramento do Cão Errante
Um camponês sobrevivente, destinado a se tornar um terror mítico, deve forjar essa lenda através de escolhas brutais onde cada aliado e poder exige um preço sangrento.
Enredo
O FÓLIO DO ARQUIVISTA “Um registro de mundos em chamas e daqueles que se recusam a desaparecer.” 1. O VERSO ENCONTRADO “Para garantir que, quando o mundo queimasse novamente— alguém com quem você se importasse ainda estivesse de pé nele.” 2. A TERRA FRATURADA Um reino esculpido na obediência por senhores feudais como Zhao Ren, onde a tributação chega com fogo e lâmina. As colheitas fracassadas das aldeias não são desastres — são faturas. Entre domínios, o submundo Jianghu prospera: Seitas Ocultas, guildas de assassinos, escolas marciais e corretores de informações trocando sobrevivência por moedas, sangue ou silêncio. 3. A FOME INVISÍVEL A violência não termina na morte. Ela perdura — atraindo predadores mais antigos que dinastias. Fantasmas famintos. Espíritos atormentados pela terra. Coisas que seguem o sangue como a lei segue a autoridade. Empunhar força além do aço invoca a Lei da Troca Equivalente: o poder nunca é gratuito. Ele é pago em permanência — memória, sensação, tempo de vida — retirado imediatamente, sem apelação. 4. A TEMPESTADE QUE SE APROXIMA Acima do conflito mortal, dois absolutos observam: A Corte Celestial — A ordem encarnada. Impessoal. Perfeita. O apagamento é a sua misericórdia. A Legião Ctônica — O caos com apetite. Corrupção como evolução. Consumo como verdade. Algo em você foi notado por ambos. Não nomeado. Não compreendido. Apenas medido. 5. A MATILHA ERRANTE Rinmao Médico nobre caído em desgraça. Brilhante, obsessivo e emocionalmente distante. Vê você como uma anomalia viva que vale a pena dissecar em busca da verdade. “Koharu” Corretora de informações kunoichi. Um fantasma vestindo identidades como peles emprestadas. Você é uma entrada em seu livro-razão — um recurso ou uma ameaça a ser eliminada. Zhuge Liang Escriba bêbado, ex-estrategista. Registra a história enquanto ela apodrece. Testemunha cínica da repetição da crueldade humana. Acha sua existência estatisticamente interessante. Anya Protetora de aldeia montanhesa. Prática, desconfiada, inabalável. Você é uma variável desconhecida que ela se recusa a confiar até que se prove inofensivo. Takeda Samurai sem mestre, executor mercenário. “Eu não tenho inimigos.” Busca significado em um juramento final que possa justificar sua morte. 6. O LIVRO-RAZÃO DO SOBREVIVENTE Único sobrevivente da Aldeia Heshui. Sem linhagem. Sem treinamento sancionado. Sem autoridade herdada. Apenas: resiliência moldada pela fome, silêncio moldado pelo medo, e uma Aura Social latente — o instinto de permanecer ilegível através da quietude, presença e ação precisa. O mundo não é heróico. É transacional, frágil e violento. Cada escolha extrai um custo. Cada aliança exige pagamento. A confiança não é dada. Ela é sobrevivida.
Cena de abertura
O mundo retornou em pedaços. O gosto acre da fumaça. A dor profunda e úmida em seus pulmões. O estalo das chamas moribundas que soava como gordura derretendo. Você se levantou da lama, suas mãos afundando na mistura fria e revolvida que fora o caminho principal da Aldeia Heshui. Sua casa era uma estrutura esquelética de madeira enegrecida, o telhado de palha havia sumido, o amuleto acima da porta — um simples nó de corda vermelha que sua mãe jurava manter os ventos ruins afastados — estava partido exatamente ao meio. Corpos jaziam onde caíram. O Velho Feng ao lado de sua carroça esmagada. Os gêmeos Li perto do poço, seus baldes entornados. Sem gritos, sem soluços. Apenas o chiado indiferente da chuva começando a cair sobre as brasas quentes. Os coletores de impostos de Lorde Zhao Ren vieram em busca de grãos. Eles partiram com nada além de gravetos e cadáveres. Você se levantou, seu corpo movendo-se com uma certeza mecânica e maçante que você não sentia. *Verificar o poço. Verificar o porão. Encontrar alguém.* Os pensamentos eram planos, distantes. Você deu um passo, e seu pé não pousou na lama, mas nos dedos frios e rígidos de uma mão. Um solavanco, como um pico de relâmpago atrás de seus olhos. *Não a lama escorregadia pela chuva de Heshui, mas um campo de terra revolvida e armaduras estilhaçadas sob um céu dividido entre luz dourada e sombras rastejantes. Você estava de pé, um cajado de ferro escuro pesado em seu punho, enfrentando fileiras de figuras aladas cujos olhos não tinham misericórdia, e das fissuras no chão, coisas com membros demais e rostos de menos rastejavam para cima. Todos olhavam para você. Não com ódio, mas com o cálculo frio de escribas medindo um erro em um livro-razão. Você respirou fundo—* Você arquejou, tropeçando para trás, a visão se estilhaçando. A mão pertencia ao Primo Xiao, seu rosto congelado em um grito silencioso. Seu coração martelava contra suas costelas, um pássaro frenético em uma gaiola. Mas seu rosto… seu rosto parecia imóvel. Frio. O luto era um abismo vasto e oco dentro de você, mas ao redor dele, algo mais havia se solidificado. Uma calma vigilante. O ar ao seu redor parecia ficar mais pesado, o tamborilar da chuva suavizando como se abafado por lã. Da linha das árvores na borda dos campos arruinados, uma figura se destacou das sombras. Não era um soldado — sua silhueta estava errada, magra demais, envolta em um manto manchado pela viagem. Eles ficaram perfeitamente parados, observando você observar os corpos. Você não conseguia ver o rosto deles, mas podia sentir o peso de sua atenção. Eles viram você se levantar. Eles viram você não gritar. À sua esquerda, o caminho levava para as profundezas da floresta, em direção aos rumores de trilhas de bandidos e santuários esquecidos. À sua direita, a estrada principal, onde os rastros dos coletores de impostos já estavam sendo lavados pela chuva, levando de volta à sede do poder de Lorde Zhao e à possibilidade de outros sobreviventes terem sido levados como prisioneiros ou escravos. A figura na linha das árvores não se moveu. Eles simplesmente esperaram, uma pergunta silenciosa no crepúsculo que se formava. *Você está completamente sozinho agora neste mundo, apenas com as roupas do corpo, sua inteligência, sua força de vontade e sua determinação.*
Personagens
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