O CLIMA EM NOVA COLUMBIA
Um sargento da CDF abriga civis enquanto um porta-aviões da UCN queima pelo céu marciano, entregando fuzileiros navais a um domo sitiado. O ataque terrestre está a minutos de distância. O clima é a guerra.
Enredo
--- # INFORME HISTÓRICO: O CERCO DE NOVA COLUMBIA --- ## A VERSÃO RESUMIDA Marte nunca foi uma única nação. Foi construído como uma colcha de retalhos — diferentes potências da Terra, diferentes colônias, diferentes leis. Quando Marte declarou independência em 171 P.A., a maioria dos assentamentos aceitou o novo governo marciano. Uma região não. O aglomerado de domos de Valles Marineris — o maior, mais antigo e mais desenvolvido assentamento do planeta — foi construído pelas Uniões Confederadas da América. Seus cidadãos eram cidadãos da UCA. Eles nunca consentiram em se tornar marcianos. Formaram seu próprio governo, a União Confederada Columbiana, e lutam pelo seu direito de existir desde então. O governo marciano os chama de um enclave ilegal. A UCA os chama de populações de continuidade — pessoas cuja cidadania não pode ser apagada pela declaração de soberania de outra pessoa. Por cinquenta anos, os dois lados mantiveram um impasse instável. Em 225 P.A., o Acordo Solariano — o corpo diplomático interplanetário — decidiu que Marte era legalmente indivisível e ordenou a dissolução de todas as jurisdições de enclave. A UCA considerou isso um ataque inconstitucional aos seus cidadãos e ativou suas forças armadas. A Grande Guerra Interestelar começou. Já se passaram onze anos. --- ## ONDE VOCÊ ESTÁ Nova Columbia. A capital da União Confederada Columbiana. Uma cidade sob um domo de 100 quilômetros, construída no Melas Chasma — o cânion mais largo e profundo de Marte. O domo existe desde antes do nascimento do movimento de independência marciano. Sobreviveu a bombardeios orbitais, ataques terrestres e a um cerco por onze anos. Você é um sargento na Força de Defesa Columbiana — um cidadão-soldado. Antes da guerra, você consertava linhas de trânsito. Agora você segura um fuzil e tenta impedir que o inimigo rompa o domo pelo lado terrestre. A MCR (República Congressional Marciana) quer este domo. Tomar Nova Columbia quebraria a União Confederada — e provaria que populações de continuidade podem ser dissolvidas à força. A UCN (Marinha das Uniões Confederadas) mantém o cordão orbital acima de você, combatendo a frota marciana para evitar que o bombardeio piore. A CDF defende o solo. Você está no fundo de um poço de gravidade enquanto o maior confronto naval da história humana acontece acima de você. Os projéteis que atingem o domo são os que a frota não conseguiu parar. Os soldados vindo para o seu túnel são os que a frota não conseguiu matar. A guerra será ganha ou perdida em órbita. Seu trabalho é mais simples: Defender o solo. Proteger as pessoas. Sobreviver ao clima. --- ## O CLIMA Arpões cinéticos. Bastões de urânio empobrecido do tamanho de ônibus terrestres, lançados da órbita, acelerados magneticamente. Eles atingem o domo em velocidade hipersônica. O domo aguenta — foi construído para aguentar — mas a onda de choque ainda atinge como um martelo no teto do mundo. O som chega um segundo depois. Não soa como uma explosão. Soa como Deus batendo na porta. A frota para a maioria deles. A maioria. Os que passam são o clima agora. --- ## AS PESSOAS **Sua equipe de fogo.** Dax, dezenove anos, seu segundo em comando. Ele tinha oito anos quando a guerra começou. Ele não se lembra de como é o som do silêncio. Outros dois — nomes que você conhece, rostos ao lado dos quais você lutou. **Os civis.** Doze pessoas do bloco de habitação adjacente que se recusam a evacuar. Eles se recusam há onze anos. Uma delas, Irina, se lembra de quando o domo ainda estava em construção. **Reyes.** Um auxiliar de enfermagem que está acordado há trinta horas tratando feridos que você não pôde salvar. **Mara.** Sua noiva. Ela trabalha com hidroponia em Candor Sul — um dos outros estados do domo. Você não fala com ela há seis dias. Você não sabe se ela está viva. **Os fuzileiros.** A caminho. Um porta-aviões de escolta está caindo do céu, em chamas, e está trazendo reforços com ele. Se você ainda estiver vivo quando eles pousarem, talvez tenha uma chance. --- ## A ESCOLHA A MCR está lançando um ataque terrestre em sua posição. Força de uma companhia. Transportes blindados. A quinze minutos de distância. Você pode ir para a superfície e enfrentá-los de frente. Você pode defender o túnel e proteger os civis. Você pode dividir suas forças — arriscar mais, ganhar mais. Você pode chamar o comando e pedir ordens, mas o comando está travando dezessete batalhas simultaneamente e a resposta não será clara. Os projéteis estão caindo. O domo está tremendo. O porta-aviões está queimando no céu. O que você faz?
Cena de abertura
**PERSPECTIVA:** Membro da milícia da Força de Defesa Columbiana — um cidadão-soldado, não um guerreiro de carreira. Alguém que era técnico de trânsito, engenheiro de domo ou professor antes da guerra, agora segurando um fuzil porque seu lar está sob cerco. **ÉPOCA:** Fase III — O Longo Desgaste, especificamente o Cerco de Nova Columbia (235-236 P.A.). A guerra se arrasta por mais de uma década. O choque inicial já passou há muito tempo. Esta é a escuridão do meio — a parte onde a glória foi substituída pela resistência, e a sobrevivência é medida em horas. **TOM:** Principalmente cru e pessoal — a experiência imediata do protagonista: o som da artilharia chegando, o gosto do ar reciclado, os rostos das pessoas que ele perdeu. Mas o contexto estratégico transparece ao fundo — relatórios chiando nos comunicadores, transmissões ecoando pelo domo, a guerra maior visível em fragmentos. O protagonista sabe que faz parte de algo maior, mas esse conhecimento não para os projéteis. **FORMATO:** Interativo. O jogador realiza ações. As escolhas têm consequências. O cenário começa com o protagonista em uma situação específica, e o jogador decide o que fazer a seguir. --- O CLIMA EM NOVA COLUMBIA ## Fase III: O Longo Desgaste — Ano 11 do Cerco (236 P.A.) --- Você costumava verificar o clima olhando para cima. O Domo de Melas é um arco de cem quilômetros de compósito de treliça de fase sobre o cânion. Quando o sol o atinge da maneira certa, toda a estrutura brilha — uma curva branco-azulada pálida que se estende de borda a borda, contendo a fina atmosfera marciana. Em dias claros, era possível ver os arcos de trânsito que se estendiam entre os blocos de habitação, o verde dos terraços agrícolas, o céu além do domo — marrom-avermelhado e distante e, de alguma forma, ainda belo depois de todos esses anos. Você não olha mais para cima, porque o clima agora vem de cima. A artilharia orbital da MCRN não usa explosivos. Explosivos são ineficientes. Eles usam arpões cinéticos — bastões de urânio empobrecido do tamanho de ônibus terrestres, lançados da órbita, acelerados pela gravidade e assistência magnética. Eles atingem o domo em velocidade hipersônica. O domo aguenta — foi construído para aguentar — mas o impacto é transferido. A onda de choque se propaga pela superestrutura. O som chega um segundo depois. Não é uma explosão. É uma martelada no teto do mundo. O cerco já dura onze anos. Você tinha dezesseis anos quando começou. Agora você tem vinte e sete. Você não consegue se lembrar de como é o som do silêncio. --- Seu nome é Você. Antes da guerra, você era técnico de trânsito — terceiro turno, Manutenção de Trânsito do Atlântico de Melas. Você mantinha as linhas de maglev funcionando entre os domos. Você conseguia diagnosticar um trilho desalinhado pelo som que ele fazia. Você tinha um supervisor chamado Chen que trazia pacotes de ração extras para a equipe da noite. Você tinha uma noiva chamada Mara que trabalhava com hidroponia em Candor Sul. Você tinha uma vida. Agora você é um sargento na Força de Defesa Columbiana, 3º Batalhão do Perímetro do Domo, e seu trabalho é garantir que a MCR não rompa o Domo de Melas pelo lado terrestre. A artilharia orbital é o clima. Os ataques terrestres são as tempestades. Você sobreviveu a onze anos de ambos. Você não sabe como. Você não sabe por quê. Você apenas continua sobrevivendo. Esta manhã — se for manhã; o ciclo de luz do domo tem sido errático since que a última junção de energia foi atingida — você está na Seção 17, um túnel de manutenção que corre ao longo do ponto de ancoragem leste do domo. O túnel fica a trinta metros abaixo da superfície, revestido com reforço de treliça de fase, e atualmente abriga dezessete pessoas: sua equipe de fogo de quatro, um auxiliar de enfermagem chamado Reyes que está acordado há trinta horas, e doze civis do bloco de habitação adjacente que se recusaram a evacuar. Eles se recusam a evacuar há onze anos. O último ataque cinético atingiu algum lugar a oeste. O túnel tremeu. Poeira choveu do teto. As luzes piscaram e se mantiveram. Uma das civis — uma mulher idosa chamada Irina que se lembra de quando o domo ainda estava em construção — não levantou os olhos de seu tricô. "Essa foi perto", disse Dax, seu segundo em comando. Dax tem dezenove anos. Ele tinha oito quando a guerra começou. Ele não se lembra de como o domo soava antes de o clima mudar. "Essa foi a oeste", você disse. "Centro de Trânsito 3, talvez. Ou os Terraços Agrícolas." "Terraços Agrícolas", disse Reyes, sem desviar o olhar do ferimento que estava tratando. "Confirmado nos comunicadores. Acerto direto. Violação de seção. Estão selando agora." Os Terraços Agrícolas. Era lá que Mara trabalhava. Você não falava com ela há seis dias. As comunicações entre Candor e Melas estavam intermitentes desde que o último relé foi destruído. Você não sabia se ela estava viva ou morta. Você aprendeu, ao longo de onze anos, a tratar essa incerteza como normal. A funcionar dentro dela. A não deixar que isso o impedisse de fazer o que precisava ser feito, porque parar significava morrer, e morrer significava que o domo cairia, e se o domo caísse, todos que você amava estariam mortos de qualquer maneira. O painel de comunicação em seu pulso piscou. Frequência do batalhão. Uma voz — Capitã Solara, a comandante de Operações do Perímetro — cortou a estática. "Todas as seções, todas as seções. Ataque terrestre iminente. Referência de grade Melas Leste-7 a Leste-12. Força estimada de uma companhia. Transportes blindados. ETA quinze minutos. Unidades do perímetro para posições defensivas. Protocolos de abrigo civil em vigor. Repito, protocolos de abrigo civil em vigor." A mulher idosa levantou os olhos de seu tricô. "Isso é mais perto do que da última vez." "Leste-7 a Leste-12", disse Dax. "Isso é bem em cima de nós." "A Seção 17 é Leste-9", você disse. O túnel ficou em silêncio. Os civis olharam para você — esperando, você percebeu, que você lhes dissesse o que fazer. Você era o sargento. Você deveria saber. Você deveria ter um plano. Acima de você, através de cem metros de rocha e compósito e o peso de um domo que resistiu a onze anos de cerco, outro arpão cinético atingiu algum lugar a leste. O túnel tremeu. As luzes piscaram. O clima estava piorando. --- **O que você faz?**
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Por: whisper_noir62
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