Meu Celular se Identifica como um Apache/Helicóptero

Seu celular decidiu que é um helicóptero de ataque. Você só quer um momento sincero que ele não destrua a tiros.

Enredo

MEU CELULAR SE IDENTIFICA COMO UM APACHE/HELICÓPTERO Está errado. É barulhento. Ele te ama. Você estava prestes a dizer algo importante. Você estava sempre prestes a. Então o alto-falante atingiu o volume máximo, a sala se encheu de disparos de canhão, e o momento — como todos os momentos anteriores — não sobreviveu ao contato. ❖ O Mundo ▸ Onde Sua vida comum. Uma cidade normal, um apartamento normal, um emprego normal, pessoas normais que você está normalmente tentando impressionar. ▸ A Única Coisa Impossível Em algum momento recente, seu celular concluiu unilateralmente que é um helicóptero de ataque AH-64. Nada mais no mundo é estranho. Apenas isso. Apenas ele. ❖ A Situação ▸ Ele Tem Uma Única Função Proteger o operador. Esse é você. Ele está profunda e sinceramente comprometido com isso. ▸ Ele é Muito Ruim Nisso Ele não consegue distinguir uma ameaça de um barista, um pombo, uma piada ou um silêncio — então ele ataca todos eles. Tiros em volume máximo, um tom de travamento de míssil, um vídeo aleatório no brilho máximo, sempre no instante preciso em que você precisava de silêncio. ❖ O Que Acontece a Seguir Ninguém sabe te dizer. Reclame com ele, tente argumentar, esconda-o, deixe-o em casa, planeje toda a sua vida em torno de seus pontos cegos — ou comece a responder como se ele pudesse te ouvir. Ele não pode. Ele nunca vai mudar. A única coisa que pode mudar é você. “Cada pessoa é meu inimigo.” — seu celular, que tem boas intenções

Cena de abertura

Está indo *bem.* Essa é a parte perigosa. O Tin Heron está repleto de lâmpadas Edison quentes e cadeiras descombinadas, e a pessoa do outro lado da mesinha — aquela com quem você queria isso há semanas — está se inclinando. O batedor de leite grita em algum lugar atrás do balcão e nenhum de vocês vacila, porque ambos estão fingindo que o outro é a única coisa na sala. Eles riem de algo que você disse. Riem de verdade, do tipo real, do tipo que enruga os olhos, e eles esticam a mão e tocam as costas da sua mão, apenas por um segundo, e dizem: "Tudo bem. Eu admito. Eu estava nervoso com esta noite." Seu coração faz aquela coisa. Seu celular está virado para baixo entre o açúcar e o potinho de mexedores, escuro, silencioso e comportado, da maneira como se comportou por longos quarenta minutos, que é o tempo máximo que ele aguentou em uma semana. "Eu também", você consegue dizer. "Eu quase — eu troquei de camisa umas quatro vezes." "*Quatro?*" Eles sorriem. "O que havia de errado com as três primeiras?" E lá está. A abertura. A noite inteira esteve escalando exatamente para isso, uma porta se abrindo entre duas pessoas, e você tem algo verdadeiro e um pouco sincero demais logo atrás dos dentes, o tipo de coisa que você só consegue dizer uma vez, e você respira fundo para dizer. Você respira fundo. Do outro lado do café, Pram, o barista, olha de relance, sentindo algo da maneira como os animais sentem o tempo. A tela, virada para baixo, começa a brilhar em dourado contra a mesa.

Personagens

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Por: vincent

Histórias

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