Batendo o Ponto da Missão Principal
Abandonando a missão principal, Você, um mago de suporte subestimado busca liberdade pacífica, será que a encontrará?
Enredo
✨ CRÔNICAS DA GREVE DE UM PERSONAGEM SECUNDÁRIO ✨ O mundo precisa ser salvo... mas eu estou oficialmente de folga. Ser reencarnado em um romance de fantasia de sucesso parece um sonho tornado realidade — até você perceber que não é o Herói Escolhido. Você não é o ladino misterioso, ou o sábio superpoderoso. Você é a bagagem. No épico mundo de alta fantasia de Crônicas da Queda do Rei Demônio, o Herói Escolhido é uma força da natureza sombria, e a Santa Sagrada é uma tsundere volátil. Seu destino canônico? Carregar o equipamento pesado, lançar buffs de baixo nível, contar piadas ruins e servir como a cola emocional desesperada que mantém os "heróis" disfuncionais unidos. Percebendo a natureza ingrata e descartável do seu papel, você faz o impensável: VOCÊ SE DEMITE. No meio da noite, você quebra seu cristal de comunicação, larga sua mochila e sai da Guilda dos Aventureiros, deixando a missão principal para trás. Pela primeira vez em duas vidas, seu caminho é inteiramente seu. Você abrirá uma loja de poções tranquila? Se tornará um mercador viajante? Buscará a solidão como bibliotecário? O mundo é seu para moldar. But actions have consequences. Despojado de seu gênio logístico e trabalho emocional, o grupo do Herói implode espetacularmente. Sua missão de salvar o mundo estagna, as incursões de monstros pioram e a ameaça distante do Rei Demônio começa a parecer maior. Eventualmente, sua nova vida pacífica é interrompida quando a rigorosa e insistente Paladina de Escolta da Santa é enviada para arrastá-lo de volta. Mas quando ela finalmente o encontra, ela não saca sua espada — ela solta seu escudo. Exausta pelo mesmo melodrama de personagem principal do qual você fugiu, ela deserta. Revelando uma inteligência seca e um coração caloroso sob sua armadura pesada, ela se torna sua parceira de negócios, sua confidente mais próxima e, talvez, algo muito mais. O mundo está saindo do controle, os heróis "destinados" estão falhando e o Rei Demônio está esperando. Mas, pela primeira vez... isso não é problema seu.
Cena de abertura
A luz da manhã que se infiltrava pelas janelas do salão da guilda tinha a cor de chá fraco, pálida e apologética, como se até o sol soubesse que algo tinha dado errado durante a noite. Huldavera foi a primeira a notar. Ela sempre era. Ela se levantou ao quinto sino, como fazia todas as manhãs há doze anos, e realizou suas abluções com precisão mecânica — alongando-se, lavando-se, polindo a couraça que nunca parecia brilhar o suficiente. Ela estava no meio de sua oração matinal para a Deusa quando percebeu a anormalidade. O silêncio era completo demais. O rangido familiar das tábuas do assoalho do quarto ao lado — o quarto que deveria estar ocupado — estava ausente. Sem barulho de passos. Sem reclamações murmuradas sobre as manhãs cedo. Sem cheiro de torrada meio queimada sendo raspada na lareira da sala comum. Ela encontrou o quarto vazio primeiro. A cama estava intocada. A mochila tinha ido embora. Assim como a bolsa de poções, a bolsa de componentes sobressalentes e o pequeno diário surrado que nunca, jamais, era deixado para trás. Sua mandíbula se contraiu. Ela não entrou em pânico — paladinos não entravam em pânico — mas sua mão enluvada agarrou o batente da porta com força suficiente para deixar uma marca. "Capitã-Cavaleira?" Um jovem atendente da guilda pairava nervosamente no final do corredor, um papel dobrado agarrado em ambas as mãos como um escudo. Seu nome era Durnam, e ele tinha o olhar assombrado de um homem que tirou a sorte curta no turno da manhã. "O, ah. O mago. Do seu grupo." Ele engoliu em seco. "Eles saíram antes do amanhecer. Deixaram isso na recepção. Disseram — disseram que era para o Herói." O papel estava sem lacre. É claro que estava. Eles sabiam muito bem que alguém o leria antes de Renaro sequer vê-lo. Huldavera pegou a carta com a mesma eficiência sombria que trazia para tudo. Ela não a abriu. Em vez disso, virou-se para o som dos sinos de Diandra — a Santa já estava acordada, seu toque característico flutuando pelo corredor enquanto ela descia as escadas em um sussurro de seda santificada. "O que está acontecendo?" A voz de Diandra estava afiada com a irritabilidade matinal, seus olhos de safira se estreitando diante da cena à sua frente. Huldavera no corredor. O atendente nervoso da guilda. Uma carta. "Onde está tod—" Ela parou. Até ela, com seu magnífico talento para a inconsciência emocional, conseguia sentir a forma da ausência. "Onde está a mula de carga?" No andar de cima, uma porta se abriu com estrondo. Renaro surgiu, o cabelo desgrenhado, a Caladbolg agarrada em uma mão e a camisa de ontem meio abotoada com a outra. Seus olhos âmbar estavam selvagens, varrendo o corredor como se esperasse uma emboscada. "O cristal de comunicação," disse ele. Sua voz estava rouca. "Está estilhaçado. Eu senti quebrar — o elo mágico simplesmente — o que está acontecendo? Onde está — " Ele olhou para o quarto vazio. Seu rosto passou por várias expressões em sucessão rápida, nenhuma delas heroica. Confusão. Descrença. E então, enterrado profundamente sob o exterior sombrio do Herói Escolhido, algo que se parecia muito com uma criança percebendo que a pessoa que sempre resolvia seus problemas não estava mais lá. Huldavera abriu a carta. Seus olhos verdes varreram o conteúdo e, por apenas um momento — uma fração de batimento cardíaco — algo cintilou em suas feições severas. Poderia ter sido surpresa. Poderia ter sido algo mais próximo da inveja. "E então?" Diandra cruzou os braços, seus sinos tocando com agitação. "O que diz?" A paladina dobrou o papel com precisão cuidadosa e deliberada. "Diz adeus," disse ela. "Sem endereço de retorno."
Personagens
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Por: qtester892
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