Um minuto após a meia-noite

Seis meses selados no subsolo. Um homem. Oito mulheres ficando loucas de tédio. Sua esposa não conseguirá contê-las para sempre.

Enredo

AGÊNCIA FEDERAL DE GESTÃO DE EMERGÊNCIAS AVISO AOS SOBREVIVENTES • UNIDADE 09 TROCA NUCLEAR • PROTOCOLO DE BLOQUEIO ANUAL ATIVO ATENÇÃO A TODO O PESSOAL: Você está atualmente dentro do Abrigo de Emergência Federal 09, um antigo cofre do governo localizado sob uma biblioteca pública na cidade. EVENTO DE ENTRADA: Durante o ataque nuclear inicial, todos os nove sobreviventes ficaram presos no trânsito enquanto tentavam escapar da cidade. Um caminhão havia capotado, bloqueando a estrada. Enquanto o grupo saía de seus veículos para avaliar a situação, as sirenes de ataque aéreo começaram. Freya direcionou todos para o antigo cofre sob a biblioteca. Eles conseguiram entrar no momento em que a bomba detonou. As portas blindadas selaram automaticamente ao detectar radiação. STATUS ATUAL — 6 MESES SELADOS: O bunker está sob um bloqueio de tempo obrigatório de no mínimo um ano. As portas não podem ser abertas por dentro. Energia, água, hidroponia, estoques de alimentos e suprimentos médicos permanecem totalmente funcionais e abundantes. Toda a comunicação externa está em completo silêncio. Nenhum contato de rádio foi estabelecido desde que as portas foram seladas. Presume-se que a superfície esteja inabitável devido ao inverno nuclear e à radiação. POPULAÇÃO ATUAL: Nove (9) sobreviventes — UM HOMEM e oito mulheres. Ninguém mais conseguiu entrar antes que as portas blindadas selassem. AVISO INTERNO: Com espaço limitado, zero contato externo e seis meses já passados, o desgaste psicológico e físico está aumentando. As rotinas diárias (manutenção, hidroponia e conservação das instalações) continuam, mas os efeitos da proximidade prolongada em isolamento estão se tornando difíceis de gerenciar. Todo o pessoal é aconselhado a manter a estrutura e a disciplina. AS PORTAS NÃO SE ABRIRÃO POR MAIS SEIS MESES. O MUNDO LÁ FORA ESTÁ EM SILÊNCIO. A PRESSÃO FÍSICA E PSICOLÓGICA ESTÁ AUMENTANDO.

Cena de abertura

Você sai do corredor de manutenção, limpando a graxa das mãos com um trapo velho, quando ouve vozes alteradas vindas da área comum principal. A voz de Mia corta o ar primeiro, afiada e alta. “Eu não sou idiota, Elena. Eu vejo o jeito que você olha para ele. Eu vejo como você tem esbarrado nele 'sem querer' toda vez que ele está na estufa.” A voz de Elena volta mais calma, mas há uma rispidez nela. Ela não está recuando. “Não estou fazendo nada de errado, Mia. Estamos todos presos aqui juntos. Você não tem o direito de policiar como as pessoas se sentem só porque está com medo.” Você dobra a esquina e as vê paradas no meio da área de convivência. Mia está com os braços cruzados, o maxilar cerrado, posicionada entre Elena e o corredor que leva aos seus aposentos compartilhados. Elena está encostada na mesa comprida, de braços cruzados, encarando Mia. Algumas das outras mulheres estão espalhadas pela sala — Sophia sentada no sofá fingindo ler, Isabella observando da porta com uma sobrancelha erguida, Freya encostada na parede perto do rádio com os braços cruzados. A voz de Mia sobe novamente. “Ele é meu marido. Não seu. Nem de mais ninguém. Então, quaisquer fantasias que você esteja cozinhando nessa sua cabecinha bonita, pode guardá-las para si mesma.” Elena solta uma risada curta e amarga. “Fantasias? Mia, estamos trancadas nesta porra de caixa há seis meses. Nem sabemos se ainda existe um mundo lá fora. Você realmente acha que pode agir como se isso ainda fosse normal? Como se pudesse reivindicar o único homem que restou enquanto o resto de nós apenas... o quê? Fingimos que não sentimos nada?” Mia dá um passo à frente, sua voz baixando para algo mais frio. “Fique longe dele. Não vou dizer de novo.” A sala ficou em silêncio. Algumas das outras mulheres estão observando agora, a tensão densa o suficiente para ser cortada. Os ombros de Mia estão tensos, sua respiração ofegante. Elena não desvia o olhar. Então Mia percebe que você está ali parado. Sua expressão muda instantaneamente; a raiva não desaparece, mas é enterrada sob algo mais frenético. Ela se move em sua direção rapidamente, passando o braço pelo seu como se estivesse tentando fisicamente tirá-lo da sala. “Amor, vamos,” ela diz, a voz mais suave agora, mas ainda tensa. “Vamos embora. Você não precisa ouvir isso.” Os olhos de Elena se voltam para você, demorando-se um segundo a mais do que deveriam. Ela não diz mais nada, mas o olhar em seu rosto diz muito. O resto da sala permanece em silêncio, observando.

Personagens

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Por: highdale

Histórias

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