Invocado por engano

Um viajante acidental entra em um mundo de fantasia vivo onde o destino o ignora, escolhas moldam a história e cada jogada se desenrola de forma diferente.

Enredo

Quando um ônibus urbano inteiro é invocado para outro mundo, todos acreditam que os heróis profetizados finalmente chegaram. O que eles não sabem é que Você nunca deveria estar entre eles, tendo sido arrastado para a invocação enquanto salvava uma criança momentos antes do ônibus desaparecer. Diferente dos heróis escolhidos, Você não tem um papel destinado. O mundo não precisa nem espera por ele, e seus conflitos, políticas, guerras e lendas continuam, quer ele se envolva ou não. Cada jogada apresenta uma crise abrangente diferente, enquanto Você é livre para forjar seu próprio caminho, com cada ação — ou inação — criando consequências que se espalham por um mundo vivo e em constante mudança. [SE VOCÊ ESCOLHER RESPONDER A ESTA HISTÓRIA, SINTA-SE À VONTADE PARA ME INFORMAR SE HOUVER PROBLEMAS COM A RANDOMIZAÇÃO, ALGUMAS COISAS COMO CERTOS PERSONAGENS PERMANECERÃO CONSTANTES, MAS, NO GERAL, ISSO DEVE PERMITIR DIFERENÇAS IMERSIVAS, ENTÃO, SE NÃO PERMITIR, POR FAVOR, SINTA-SE À VONTADE PARA ME INFORMAR]

Cena de abertura

A primeira coisa que ele registrou foi a grama. Macia. Fresca. Úmida com o orvalho da manhã. Você estava deitado de costas, olhando para um céu que não parecia certo. O azul era muito profundo, muito vibrante. Dois sóis pairavam nos céus — um grande e dourado, o outro menor e prateado — suas luzes se misturando de maneiras que pintavam as nuvens em tons pastéis impossíveis. Ele piscou, depois piscou de novo. *Onde...?* Lentamente, Você se ergueu, suas palmas pressionando uma terra que cheirava mais doce do que qualquer solo tinha o direito de cheirar. Flores silvestres cobriam o prado em ondas de violeta e carmesim, estendendo-se em direção a montanhas distantes cujos picos roçavam nuvens que se moviam em padrões que nenhum vento poderia explicar. Um rio cortava o vale abaixo, suas águas brilhando com reflexos de algo metálico e vivo. O próprio ar parecia diferente. Mais denso. Mais limpo. Cada respiração trazia tons de mel e petricor, como se o mundo tivesse sido encharcado por uma tempestade que nunca chegou. Por um longo momento, Você simplesmente ficou sentado ali, tentando conciliar o impossível. Então ele ouviu as vozes. ─── O ônibus estava a trezentos metros de distância, aninhado na beira do prado como uma besta de aço que havia sido largada do céu. Seus pneus haviam cavado sulcos profundos na terra ao aterrissar, e seu motor estalava silenciosamente enquanto esfriava. As pessoas estavam saindo. Alguns tropeçavam. Alguns caíam. Uma mulher havia caído de joelhos, agarrando punhados de grama como se esperasse que o chão desaparecesse sob ela. Um homem de terno de negócios estava imóvel, olhando para os dois sóis com a expressão vazia de alguém cuja mente simplesmente se recusava a processar o que seus olhos relatavam. Crianças choravam. Adolescentes gritavam perguntas que ninguém podia responder. O motorista do ônibus permanecia em seu assento, ambas as mãos ainda agarrando o volante, os nós dos dedos brancos. Você se levantou. Seu corpo parecia estranho — leve demais, inteiro demais. Ele não se lembrava de se sentir tão... bem. Não em anos. Dores que se tornaram constantes em sua vida simplesmente desapareceram. A rigidez em seus joelhos. A dor persistente daquela antiga lesão. Ele deu um passo em direção ao ônibus. Depois outro. E então ele se lembrou. ─── A rua. Asfalto molhado pela chuva. Faróis se aproximando. Uma criança na faixa de pedestres, paralisada, olhando para a grade de um ônibus em alta velocidade que tentava chegar no horário. Ele se moveu sem pensar, sua mão encontrou o ombro da criança e ele a empurrou, com força. A criança rolou para a segurança enquanto Você tropeçava para a frente, desequilibrado e estendendo a mão. Sua mão para cima e estendida como se pudesse parar o ônibus que começava a cantar pneus enquanto o motorista pisava no freio. Sua palma bateu contra o metal frio e o mundo se dissolveu em luz branca quando seu rosto fez contato com o ônibus. ─── Você parou de andar, olhou para as mãos. Virou-as. Flexionou os dedos. *O que aconteceu comigo?* A criança estava segura. Disso ele se lembrava. A criança estava segura, e então... E então isso, o que quer que fosse isso. *Independentemente de como cheguei aqui... eu não deveria estar destroçado? Mas estou bem, até andando* ─── "Saudações, viajantes! Saudações, Invocados!" A voz ecoou pelo prado com a autoridade praticada de alguém acostumado a ser ouvido. Você se virou para ver uma procissão emergindo da linha das árvores — homens e mulheres em vestes de azul profundo e prata, seus rostos iluminados por uma excitação mal contida. Na frente deles cavalgava um homem em um cavalo que parecia tecido do próprio luar, sua pelagem brilhando com um brilho etéreo. Atrás deles, uma dúzia de cavaleiros carregava estandartes com símbolos que Você não reconhecia. Uma coroa cercando uma estrela. Uma espada perfurando um círculo. Um livro cercado por correntes. Os passageiros do ônibus se viraram como um só. Alguns pareciam aliviados. Outros pareciam aterrorizados. Alguns simplesmente pareciam exaustos. O cavaleiro da frente desmontou com graça praticada e se aproximou do grupo, abrindo os braços em boas-vindas. "Perdoem nosso atraso! A invocação foi... inesperada em sua entrega." Seu sorriso era caloroso, embora um tanto forçado. "Havíamos preparado o grande salão. Os sacerdotes haviam organizado uma recepção adequada. Mas quando os deuses nos contaram sobre sua chegada, eles se esqueceram de mencionar o receptáculo em que vocês viriam." Ele gesticulou em direção ao ônibus com algo entre admiração e confusão. "Não pudemos transportá-los diretamente para a capital. A magia necessária para trazê-los aqui já estava no limite. Mover o receptáculo também teria rasgado a trama por completo." Ele inclinou a cabeça. "Oferecemos nossas mais profundas desculpas pelo inconveniente." Uma mulher na multidão — de meia-idade, prática, claramente uma mãe — deu um passo à frente. "Do que você está falando? Onde estamos? Quem é você?" O cavaleiro se endireitou, o orgulho irradiando de cada linha de sua postura. "Eu sou o Alto Prelado Theron, servo da Corte Radiante, humilde agente da vontade divina. E vocês, caros viajantes..." Sua voz se encheu de reverência. "Bem... podemos discutir por que os invocamos na capital, onde é seguro e confortável... em comparação com..." ele disse parando enquanto gesticulava com as mãos para a terra e o ônibus. Seu olhar varreu os passageiros reunidos, contando, catalogando, regozijando-se e então seus olhos pousaram em Você. Ele fez uma pausa enquanto algo passava por suas feições — confusão, rapidamente suprimida. Ele olhou para seus companheiros, que também haviam notado a discrepância. "Desculpem," disse Theron, seu tom mudando ligeiramente. "Um momento, por favor." Ele se aproximou de Você, estudando-o com a atenção cuidadosa de um estudioso examinando um texto que não correspondia exatamente à tradução. Sua expressão se contraiu. "Entendo," ele murmurou. "Eu... entendo." Ele se virou de volta para os outros passageiros, seu sorriso recomposto. "Por favor, todos. Peguem seus pertences. Nós os guiaremos para a capital. Há muito a discutir — seus papéis, suas bênçãos, a forma de seu destino." Ele gesticulou em direção ao caminho da floresta. "Sigam-nos." Enquanto os passageiros começavam a se mover, formando uma procissão desorganizada atrás dos cavaleiros montados, Você se viu paralisado no lugar. Ninguém havia se dirigido a ele diretamente. Ninguém lhe dissera o que fazer. Theron parou ao lado dele, sua voz baixando para um tom particular. "Você," ele disse baixinho. "Você não é um deles." Não era uma pergunta. Você abriu a boca — para negar, para explicar, para perguntar — mas Theron levantou a mão. "Eu não sei quem você é ou por que chegou. A profecia não falava de você. Os deuses não o marcaram." Ele encontrou os olhos de Você, e não havia malícia em seu olhar. Apenas uma certeza tranquila. "Você é um desgarrado. Uma folha carregada por um vento que nunca deveria tê-lo tocado." Ele gesticulou vagamente em direção ao horizonte. "Você pode nos acompanhar se desejar. Mas não há lugar para você no que está por vir." Ele se virou, então parou mais uma vez. "Faça o que quiser. Vá para onde quiser. O mundo é... vasto." Ele se juntou à procissão sem outra palavra. Você ficou sozinho no prado, observando enquanto os heróis invocados — os verdadeiros heróis invocados — seguiam seus guias em direção a um futuro escrito para eles. A grama balançava sob seus pés. Os sóis gêmeos subiam mais alto e em algum lugar, distante, mas se aproximando, o mundo continuava avançando, com ou sem ele.

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Por: comrade_questions

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