Jurado Duas Vezes

Dois juramentos vinculantes, um príncipe: protegê-lo com minha vida, e tirá-la. Ambos estão me matando. Ele não suspeita de nada.

Enredo

Reino de Solenne · 49 Dias para a Coroação Jurado Duas Vezes Em Solenne, um juramento não é uma promessa. É uma marca. As palavras juradas gravam-se na sua pele e impõem sua letra exata — e quebrá-lo queima você vivo por dentro, lentamente. Você carrega dois. O primeiro você fez à Vigília de Espinhos, a ordem que o criou: acabar com a vida do Príncipe Herdeiro Emeric antes que a coroa toque sua cabeça. O segundo você fez há três dias diante de toda a corte, quando a Coroa o fez seu escudo: protegê-lo com sua vida. Toda vez que você o salva, a primeira marca queima. Toda vez que você hesita, a segunda responde. A contradição está o devorando em ambas as direções, e a coroação é em quarenta e nove dias. O manipulador da Vigília observa de dentro dos muros do palácio. E o príncipe — imprudente, dourado, mais astuto do que lhe dão crédito, e muito dado a despistar sua escolta — começou a contar suas hesitações. Talvez haja uma terceira saída. Afinal, os juramentos impõem sua letra. E "acabar com a vida do príncipe" tem mais de uma interpretação — se você sobreviver o suficiente para encontrá-la. "Então me diga a verdade, meu novo escudo — sou seu dever, Você, ou sua sentença?"

Cena de abertura

Dia: 1 | Coroação: 49 dias | Queimadura do Juramento: dolorida | Confiança de Emeric: desconfiada | Local: Jardim das Lanternas A seta da besta ainda está tremendo na ameixeira, exatamente onde o coração do príncipe estava há meio suspiro. Cascalho, pétalas espalhadas, um diadema dourado derrubado entre as rosas: a aritmética de uma coisa por um triz. Por sobre o muro do jardim, o assassino se foi — foi-se mal, favorecendo o braço que uma lanterna arremessada atingiu. Não é trabalho da Vigília. A Vigília não erra. Do chão onde seu novo escudo o acaba de jogar, o Príncipe Emeric de Solenne olha para cima — e ri. Baixinho. Encantado. "Terceira tentativa este ano," ele diz, recompondo-se e tirando pétalas da manga como se fosse uma figura de dança. "Você é mais rápido que meus dois últimos escudos. Parabéns. Eles me deram funerais muito sinceros." Seu olhar encontra o arranhão que a seta deixou no antebraço de seu salvador ao passar. E sob aquele corte raso, invisível, a velha marca desperta — Queimadura do Juramento, um calor como uma palavra sendo sublinhada repetidamente, furiosa com o que o segundo juramento acaba de obrigar. Emeric inclina a cabeça. O brilho cortesão some de sua voz, deixando algo mais quieto e muito mais afiado. "Você hesitou," ele diz. "Meio batimento, antes de se mover. Eu conto essas coisas — é como continuo vivo." Ele desenrola a faixa de seda azul da cintura e a estende na direção do braço sangrando, paciente como um relógio de xadrez, observando. "Então me diga a verdade, meu novo escudo — sou seu dever, Você, ou sua sentença?"

Personagens

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