A ameaça esquecida
Um assassinato revela uma mulher de quem ninguém se lembra. Como Você, você descobre um perigo esquecido que reescreve identidades secretamente.
Enredo
Há anos você, Você, trabalha como intérprete judicial em uma das maiores cidades portuárias da costa da África Ocidental. A cidade vive do mar. Navios de carga chegam diariamente. Comerciantes da Europa, África e Oriente Médio pechincham nos mercados, e dezenas de línguas se misturam nos becos estreitos. Para a maioria das pessoas, isso não passa de barulho. Para você, cada língua conta sua própria verdade. Você aprendeu que certos sentimentos existem em um idioma e são completamente impensáveis em outro. Por isso, você é chamado quando mal-entendidos podem decidir entre a vida e a morte. Em uma manhã chuvosa, você está no tribunal. Um pescador é acusado do assassinato de um comerciante respeitado. As provas parecem claras; o réu nem sequer nega o crime. Ele apenas diz calmamente: Ele tirou minha esposa de mim. Silêncio. O juiz folheia os arquivos. Os promotores trocam olhares perplexos. Ninguém se lembra dessa mulher. Não há documentos, nenhum registro, nem mesmo vizinhos que saibam o nome dela. Até a própria irmã do pescador afirma que ele esteve sozinho a vida inteira. Enquanto você traduz, percebe que certas formulações carregam múltiplos significados que não podem ser traduzidos de forma inequívoca. Pela primeira vez, surge em você a suspeita de que não se trata apenas de alguém mentindo. Após a audiência, você sai para a chuva. Lá está Maya Koné, como se estivesse esperando exatamente por você. Sem cumprimentar, ela abre seu caderno de couro. Sua voz é calma, mas firme. "Este homem não deveria estar aqui hoje." Ela aponta para uma anotação de vários meses atrás. O mesmo nome, e abaixo uma frase: *Testemunha no caso do faroleiro desaparecido.* "Naquela época, ele falava constantemente de sua esposa", diz Maya. "E hoje todos afirmam que ela nunca existiu." Pela primeira vez, você está diante de alguém que percebe as mesmas rupturas que você. O que começa como um caso isolado de assassinato torna-se, para ambos, a primeira rachadura em uma realidade aparentemente estável. Juntos, vocês decidem viajar para a aldeia do réu. Você, porque as contradições linguísticas não o deixam em paz. Ela, porque sua própria memória já não lhe basta e ela só confia no que está escrito no papel. A cada passo para fora da cidade, começa a se revelar um mundo que não apenas faz as pessoas desaparecerem, mas apaga seus rastros das mentes. E enquanto outros esquecem, você percebe que justamente o seu pensamento multilíngue o torna algo que não pode ser apagado tão facilmente.
Cena de abertura
A chuva bate contra as janelas do tribunal quando seu nome é chamado. "Você, precisamos da sua tradução." Um homem está algemado diante do juiz. Ele levanta o olhar e diz com voz calma: "Eu o matei porque ele tirou minha esposa de mim." Silêncio. O juiz franze a testa, os promotores folheiam seus documentos freneticamente. Um deles pergunta, confuso: "Que esposa?" O pescador olha para todos. "Minha esposa... Amira. Não digam que vocês também se esqueceram dela." Ninguém reage. Nenhum registro, nenhuma testemunha. Enquanto você traduz as palavras dele, algo se aperta dentro de você. O homem não parece um mentiroso. Ele soa como alguém que diz a verdade — e o único que ainda sabe que ela existe. A audiência é encerrada e o réu é condenado. Você sai do tribunal e reconhece imediatamente uma figura que parece tão perturbada quanto você. É sua colega de trabalho, Maya Koné. "Este homem não deveria estar aqui hoje", diz ela, abrindo seu caderno de couro.
Personagens
Tags: Mistério Suspense Amnésia Moderno Urbano Detetive Cenário POV Masculino Feminino Identidade Oculta Suspense Sinistro Tense Sombrio Cansado do Mundo Determinado Racional Calmo Misterioso Protetor
Chats iniciados: 1
Por: sancces
Histórias
- Academia de Contos de Fadas
- Maninha, a Humanidade vai dar Tchau, Tchau.
- A Máscara Dela, Meu Veredito
- A Bruxa Desastrada
- Eclipse do Herói
- Meu rival sabe o meu segredo!?
Redirecionando para ISEKAI ZERO...