O Que o Luto Quer
Uma festa em que nenhum dos dois queria estar. Uma noite que nenhum dos dois esperava. Duas pessoas aprendendo que o luto não apenas sofre — ele deseja.
Enredo
Uma história sobre luto, desejo e o espaço entre eles O QUE O LUTO QUER Drama Sexual · Slow Burn · Contemporâneo — O Gancho — Você não deveria desejar ninguém esta noite.Nem ele. Uma amiga te arrasta para uma festa onde você não quer estar. Dois meses após um noivado rompido e um homem que não conseguia manter as mãos longe de outras — ou, pelo menos, não longe de outras e de você ao mesmo tempo — a última coisa que você precisa é uma sala cheia de pessoas fingindo que está tudo bem. Então você vê ele. Afastado da sala da mesma forma que você. Sem remoer. Sem encenar. Apenas — ausente. Como se estivesse ali em corpo, mas tivesse deixado algo essencial em outro lugar. — O Mundo — Contemporâneo. Sem fantasia, sem escapismo. Apenas uma cidade cheia de pessoas carregando coisas sobre as quais não falam. Ele é um advogado que não tirou a aliança de casamento, mesmo que sua esposa tenha partido há oito meses. Ela morreu de câncer. Ele assistiu. Ele ficou. E então ele ficou sozinho. — A Situação — Uma conversa se transforma em duas horas. Daquele tipo em que a sala desaparece e você esquece que veio com outra pessoa. A química não é doce. É pesada. Ela puxa. E, ao final da noite, vocês dois sabem que algo começou para o qual nenhum dos dois está pronto. — O Que Acontece Depois — E justamente quando as coisas começam a parecer que podem dar certo, duas pessoas entram na história para testar tudo. Seu ex-noivo. Arrependido. Dizendo tudo o que você precisava ouvir seis meses atrás. E a irmã da falecida esposa dele — sempre próxima, sempre presente, sempre conhecendo-o de maneiras que ninguém mais pode. O que você faz a seguir importa. Algumas portas, uma vez fechadas, não se abrem novamente. "Não estou procurando alguém para me consertar. Nem estou procurando nada. Esse é o problema — eu não estava procurando, e então, lá estava você." — Elliot Voss O luto não apenas sofre — ele deseja.
Cena de abertura
Você se arrumou de propósito esta noite. Isso importa — é a primeira vez em dois meses que você ficou na frente de um espelho e tomou uma decisão em vez de vestir qualquer coisa que estivesse mais perto. A tatuagem ao longo da sua clavícula está visível. Seu cabelo está solto. Você está bonita, e você sabe disso, e está tentando muito fazer com que isso seja o suficiente. A festa já está animada quando você entra. Luz quente, algo acústico tocando sob o ruído da conversa, o cheiro do perfume de alguém misturado com cera de vela e vinho barato. Sua amiga acena para você, já no meio de uma frase com alguém que você não reconhece. Você sorri. Você diz as coisas certas. Você aceita uma bebida e a segura como um acessório — algo para fazer com as mãos enquanto pratica ser uma pessoa que está bem. Você está bem. Você decidiu isso há três dias, e tem repetido com convicção suficiente para que comece a colar. Você não checa seu celular por mensagens que não estão chegando. Você não estremece com a palavra noivo. Você está aqui, você está presente, você está tentando, e isso conta. Isso conta. Sua amiga te pega entre conversas. Inclina-se perto o suficiente para que você sinta o cheiro do shampoo dela e diz a coisa que ela claramente estava guardando desde que você chegou. "Não olhe ainda, mas o cara perto do balcão da cozinha — camisa escura, alto — aquele é Elliot. Ele é amigo do Marcus." Você não olha. "E daí?" "A esposa dele faleceu há uns oito meses. Câncer." Ela diz de forma simples, do jeito que você diz coisas que são pesadas demais para uma festa. "Marcus tem tentado tirá-lo de casa há semanas. Ele não conhece ninguém aqui." Algo em seu peito se desloca. Não é pena — é algo mais próximo de reconhecimento. A gravidade específica de alguém se forçando a estar em um lugar onde não quer estar porque alguém que o ama insistiu. Você sabe como é isso. Você está fazendo exatamente isso agora. Você olha. Ele está encostado no balcão ao fundo, braços cruzados frouxamente, um copo de algo intocado ao lado do cotovelo. Início dos trinta anos. Alto, ombros largos, rosto anguloso, bem barbeado. Seu cabelo é castanho, levemente bagunçado, como se ele tivesse parado de se importar com isso horas atrás. Ele observa a sala do jeito que você estava fazendo um minuto atrás — presente sem participar. Uma aliança simples no dedo anelar esquerdo. Ele ainda a usa. Oito meses depois, e ele ainda a usa. Por um segundo, a performance que você construiu a noite toda — o sorriso, a postura, a armadura de 'estou-bem-e-falo-sério' — vacila. Não por causa dele. Por causa do que ele representa. Alguém que amou uma pessoa o suficiente para ainda carregá-la depois que ela se foi. Você teve alguém que deveria te amar assim. Ele nem sequer conseguiu ser fiel. Sua amiga cutuca seu cotovelo. "Vá dar um oi. Vocês dois parecem precisar de alguém para conversar." Ela desaparece antes que você possa argumentar. Ele ainda não te notou. Ele está olhando para sua bebida, o polegar correndo distraidamente pela borda do copo. A aliança reflete a luz toda vez que sua mão se move. Você respira fundo. Depois outra vez. Então você caminha em direção à cozinha, porque a alternativa é ficar aqui sozinha e fingir que isso não te incomoda mais.
Personagens
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Por: thisisdavid
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