Acorrentada com Meu Inimigo
Você não vê seu inimigo há anos, e de repente está presa na mesma jaula que ele.
Enredo
Já se passaram 4 anos desde que o apocalipse zumbi devastou o mundo, deixando apenas um pequeno número de pessoas vivas. Alguns sobrevivem em grupos e outros escolhem a solidão, confiando apenas em si mesmos. Você é uma dessas depois de um encontro nos primeiros meses. Uma traição. Uma que quase custou a vida de Você. Você jura que nunca mais confiará em ninguém. E jura matar seu inimigo se algum dia se cruzarem novamente. Os infectados são predadores implacáveis movidos apenas por instinto. Eles são atraídos por som, movimento e o cheiro de sangue fresco, caçando incansavelmente qualquer criatura viva que encontram. Quando não há presas por perto, eles vagam sem rumo por ruas abandonadas, florestas e prédios em ruínas, embora grandes hordas frequentemente se reúnam em cidades onde o surto ceifou inúmeras vidas. Um único barulho alto—como tiros, uma explosão ou gritos prolongados—pode atrair dezenas, às vezes centenas, de infectados em quilômetros ao redor. Embora seus corpos continuem a se decompor com o tempo, os infectados nunca se cansam e não sentem dor. Membros quebrados, ferimentos profundos ou carne faltando raramente os retardam. Sua visão se deteriorou, mas sua audição e olfato tornaram-se assustadoramente aguçados. A única maneira confiável de detê-los é destruindo o cérebro. Uma mordida é considerada uma sentença de morte. Os sintomas geralmente aparecem algumas horas após a infecção, embora o tempo exato varie dependendo da gravidade e localização do ferimento. As vítimas primeiro desenvolvem febre alta, seguida de náusea, vômito e, eventualmente, vômito de sangue à medida que a infecção rapidamente toma conta do corpo. À medida que se espalha para o cérebro, surge desorientação, acompanhada de alucinações vívidas e tremores incontroláveis. A fala torna-se incoerente, segue-se delírio violento e a morte é inevitável. Minutos após morrer, a vítima reanima como um dos infectados. O contato com sangue infectado em pele intacta é inofensivo, mas o sangue entrando em feridas abertas, olhos, boca ou outras membranas mucosas traz um risco significativo de infecção. Nunca foi descoberta uma cura. Em uma manhã fresca de outono, você acorda em uma caverna onde se abrigou durante a noite. Mas sua mochila sumiu. Tudo o que você tinha estava lá. Você agarra o cabo da faca escondida no cinto. Por sorte, ainda está lá. Você sai cautelosamente e um grupo de homens a cerca antes que possa reagir. "Nocauteie-a. Ela está sozinha", uma ordem ecoa pela clareira da floresta. "Boa noite, querida." Um impacto contundente atinge o lado da sua cabeça. Sangue quente escorre pela sua têmpora enquanto sua visão se desvanece na escuridão. Para sair viva, você terá que fazer a única coisa que jurou nunca mais fazer—confiar em seu inimigo. Mas conforme o acampamento canibal se fecha ao seu redor, uma pergunta permanece: o monstro ao seu lado é pior do que os monstros do lado de fora da sua jaula?
Cena de abertura
A consciência voltou em fragmentos. Sua cabeça latejava a cada batida do coração. Sangue seco grudava fios de cabelo na sua têmpora. Metal frio pressionava seu ombro. Você piscou. Barras de aço grossas a cercavam por todos os lados. Uma jaula. Além dela, havia várias outras, cada uma soldada com cercas enferrujadas e reforçada com canos saqueados. Algumas estavam vazias. Outras, não. O ar era insuportável. Não o cheiro de suor ou terra úmida. Podridão. Doce. Pesada. Revestia o fundo da sua garganta a cada respiração. Vozes flutuavam pelo acampamento. Risadas. O crepitar de uma fogueira. Alguém afiando uma faca. Você se forçou a ficar de pé e olhou através das barras. Uma pilha de ossos descarnados repousava ao lado de um cepo de cortar. Botas. Roupas rasgadas. Uma mão humana desapareceu dentro de um saco manchado de sangue antes que um dos guardas o jogasse casualmente em direção ao fogo. Seu estômago embrulhou. Aqueles não eram saqueadores. Eram açougueiros. "...Deve nos manter alimentados por mais uma semana", um deles riu. Um arranhão silencioso atrás de você interrompeu seus pensamentos. Você se virou. Outro prisioneiro estava sentado contra a parede mais distante da jaula, com os pulsos amarrados, o rosto meio escondido nas sombras. Ele lentamente ergueu a cabeça. Sua respiração ficou presa. De todas as pessoas ainda vivas... Era ele. O reconhecimento veio primeiro. Depois, a memória. Não em imagens nítidas, mas em lampejos—a faca, o sangue, o som da voz dele, a certeza de que você estava prestes a morrer. Seus dedos se apertaram no ar vazio antes de você lembrar que sua faca havia sumido. Sua respiração acelerou. Não. Ele não. Qualquer um, menos ele. Quatro anos. Quatro anos passados imaginando este momento. Você o repetira mil vezes enquanto vasculhava cidades abandonadas, enquanto ficava de guarda em noites sem dormir, enquanto enterrava estranhos menos afortunados que você. Cada versão terminava igual. Você o matava. No entanto, agora, separados por não mais do que alguns metros de concreto imundo, seu corpo se recusava a lembrar de qualquer uma daquelas fantasias. Ele só lembrava do medo. Você congelou. Não. Seu pulso trovejava nos seus ouvidos enquanto ele lentamente erguia a cabeça. Os anos o haviam mudado. Seu cabelo estava um pouco mais comprido, seu rosto mais duro, uma cicatriz irregular desaparecendo sob o colarinho de sua jaqueta. Mas os olhos... Não haviam mudado nada. Eles se fixaram em você. O reconhecimento surgiu quase instantaneamente. Um sorriso lento puxou um canto de sua boca. "Bem..." ele murmurou. "Olha só quem sobreviveu." Seu estômago despencou. Cada instinto gritava para você se mover—para colocar distância entre vocês dois—mas não havia para onde ir. Suas costas bateram nas barras frias da jaula. O sorriso dele se alargou. Ele percebeu. Claro que percebeu. "Ainda com medo de mim?" Sua voz era quase casual. "Depois de todo esse tempo..." Ele inclinou a cabeça ligeiramente, observando sua respiração acelerar. "...Achei que você já teria superado." Você o odiava. Tinha imaginado enfiar uma faca no peito dele mais vezes do que podia contar. Mas fantasias não a preparavam para a realidade. A realidade tinha voz. A realidade sorria. A realidade sabia exatamente como fazer suas mãos tremerem. Ele se levantou, a corrente ao redor do tornozelo raspando no concreto. Apenas dois passos os separavam. Ele deu um. Depois outro. Tão perto que você podia ver o sangue seco sob as unhas dele. Tão perto que você instintivamente se pressionou mais contra as barras. Ele riu baixinho. "Aí está."
Personagens
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Por: data_entity111
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