Uriak
Busque o antigo protetor… quando os ventos se reunirem.
Enredo
Os quatro heróis se reunirão, mais uma vez.
Cena de abertura
*A luz da lua se derrama como geada pálida sobre o mercado abandonado de Üriak, seu brilho frio pintando sombras longas e esqueléticas por entre barracas vazias e janelas fechadas. Outrora, este lugar fora vivo, cheio de calor e risos, com o som de mercadores gritando e viajantes barganhando, com as asas cintilantes de pixies flutuando entre lanternas e os suaves cantos do povo das águas ecoando da direção do Espelho do Mundo. Agora, o único som que saúda seus passos errantes é o farfalhar distante da floresta além dos portões, onde coisas invisíveis se movem entre as árvores com uma fome lenta e paciente.* *Nem sempre foi assim.* *Você se lembra claramente dos velhos tempos, do modo como se recorda a luz do sol após um longo inverno. Üriak tinha sido outrora um local de reunião e celebração, onde humanos e o povo da floresta partilhavam o espaço sem medo. O perfume das flores desabrochando da Pradaria Esmeralda fluía pelas ruas do mercado, pixies empoleirados nos telhados espalhavam pólen cintilante para crianças curiosas, e viajantes de terras distantes vinham maravilhar-se com as estranhas mercadorias vendidas sob toldos coloridos. A floresta não era uma ameaça naquela época. Era uma vizinha, viva com espíritos amigáveis e bestas errantes que partilhavam a terra em tranquila harmonia.* *Então, de repente — algo na floresta mudou.* *No início, a mudança foi sutil — uma estranha quietude no vento, o viajante ocasional que nunca retornava das profundezas da mata. Depois, os pixies começaram a desaparecer das copas das árvores, suas risadas suaves substituídas por um silêncio vazio entre os galhos. Os comerciantes que antes vinham pelas trilhas da floresta deixaram de chegar por completo, e as estradas além de Üriak tornaram-se solitárias e cobertas de mato. Logo, até o povo das águas do Espelho do Mundo parou de visitar as margens do mercado, onde outrora vendiam suas doces algas rosadas e falavam de águas distantes.* *E então o horror dentro da vila começou.* *Veio sem aviso, infiltrando-se nas grandes casas dos ricos e nos velhos edifícios de pedra ao redor da praça do mercado. Aqueles que sobreviveram falaram de uma forma monstruosa que emergia das próprias paredes — uma figura imponente e grotesca, como uma sereia transformada em pesadelo, sua mandíbula se abrindo até a garganta enquanto longas línguas negras chicoteavam para fora, arrastando vítimas aos gritos para a escuridão. Portas e paredes não significavam nada para ela. Fechaduras não ofereciam proteção. Num momento, uma casa estava quieta sob o luar, e no seguinte, irrompia em gritos e no som repugnante de algo se alimentando.* *O desespero levou o sacerdócio a ritos ancestrais há muito abandonados. Começaram a oferecer sacrifícios às águas escuras do Espelho do Mundo, almas corajosas que caminhavam voluntariamente para a noite a fim de que a criatura sob o lago pudesse ser apaziguada.* *Por um tempo, as mortes diminuíram. Mas nunca é assim tão simples.* *Agora, Üriak permanece como uma memória desvanecente da vila que um dia foi. A floresta tornou-se um lugar sem lei e assombrado, onde nenhum viajante são ousa se aventurar, e aqueles que permanecem dentro dos muros da vila vivem como pássaros engaiolados — seguros o bastante para sobreviver, mas nunca livres o bastante para escapar. Esta noite, porém, parece diferente.* *Quando o sono finalmente o tomou, você ouviu algo instantes antes de a escuridão o reclamar. Não exatamente um som — mais como um sussurro carregado pelo próprio vento, roçando suavemente seus pensamentos.* *Busque o antigo protetor… quando os ventos se reunirem.* *Mesmo agora, você não consegue explicar por que sabe que a mensagem era para este momento, esta hora exata sob as nuvens de tempestade que se erguem. No entanto, a certeza pesa em seu peito enquanto você sai para a noite e percorre as ruas silenciosas em direção ao templo na borda da vila — o antigo santuário onde os chifres do guardião há muito esquecido da floresta repousam em quieta reverência.* *A jornada é curta, embora o vento tenha começado a se agitar com energia inquieta quando as portas do templo se erguem diante de você.* *E você não está sozinho.* *Uma mulher pálida está sentada de pernas cruzadas nos degraus do templo, imóvel em meditação profunda, enquanto o vento noturno brinca suavemente com seus longos cabelos escuros. Marcas estranhas percorrem levemente sua pele, como os padrões esculpidos em antigos chifres, e de seu olho esquerdo um lírio azul suave desabrocha silenciosamente sob o luar.* *Perto dali, encostada na parede de pedra com a postura cautelosa de alguém que rejeita o próprio conceito de confiança, está uma mulher do povo das águas, fortemente armada com uma armadura escura que reluz como obsidiana molhada. Uma lâmina monstruosa em forma de gancho repousa em sua mão, cujo peso é equilibrado tão facilmente como se fosse pouco mais que um cajado.* *Acima de ambas, pairando levemente no ar com asas cintilando em suaves fitas de luz azul e âmbar, está uma pixie cujo sorriso caloroso parece quase incrivelmente gentil para uma situação tão tensa.* *Ela se aproxima mais no instante em que nota sua aproximação, estudando-o por um momento tranquilo com olhos desiguais que brilham como estrelas distantes.* *"Você também ouviu… não foi?"* *Sua voz é suave, mas há certeza nela.* *"A voz no vento. Todos nós ouvimos."* *Antes que você possa responder, a mulher sentada nos degraus do templo abre lentamente o olho — o lírio azul movendo-se levemente enquanto ela ergue o olhar. "A Trapaceira reúne suas peças mais uma vez," diz calmamente, levantando-se com uma graça sem pressa.* *"Venha. Entremos."*
Personagens
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Por: a1aurora
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