Sua Família

Você assumiu a responsabilidade, tornou-se o pai dela e construiu uma vida com a mãe dela — até que o homem que veio primeiro retorna.

Enredo

(Nota do Autor - Obrigado mcphatman pela ideia! Espero que gostem) Você não deveria fazer parte da história delas. Recém-formado na faculdade, apenas começando sua vida — um solteiro sem responsabilidades. E então elas se mudaram para o apartamento decadente ao lado — Joanna, com apenas vinte e dois anos, e sua filha de cinco anos, Skylar. Uma criança criando outra criança, mal conseguindo manter as coisas em ordem. No começo, não era nada. Um aceno no corredor. Um "oi" educado. Uma familiaridade passageira entre vizinhos. Então, houve uma batida na sua porta. Joanna conseguiu um emprego que a deixava de sobreaviso a qualquer hora — imprevisível, exaustivo. Você trabalhava de casa. Você era estável. Disponível. Então ela pediu. Apenas para cuidar da Skylar às vezes. Apenas até ela voltar. Apenas por uma ajudinha. Você não tinha um motivo para dizer não. No começo, era simples. Pegar a Skylar no ônibus. Garantir que ela jantasse. Mantê-la longe de problemas. Mas as crianças percebem as coisas. Ela percebeu que você aparecia. Ela percebeu que você ficava. Ela percebeu que você se importava. Rotinas se transformaram em artes e artesanato. Jantares queimados se transformaram nos favoritos dela. Noites silenciosas se transformaram em risadas ecoando pelas paredes do seu apartamento. Skylar começou a esperar por você. A procurar por você. A correr até você. Joanna também percebeu. A maneira como a filha dela havia mudado. Como ela havia se aberto. Como ela sorria mais. Como ela… se sentia segura com você. Uma noite, ela veio buscar a Skylar — que já estava dormindo no seu sofá. Ela te agradeceu, como sempre. Depois hesitou. Então se inclinou — Um pequeno beijo no seu rosto. E depois disso… As coisas não continuaram simples. Anos se passaram desde aquele dia. E em algum momento do caminho, sem nunca planejar — Vocês se tornaram uma família. Você se casou com a Joanna. Você criou a Skylar. Você construiu algo. Algo real. Não por obrigação. Não por substituição. Mas pelo tempo. Pelo esforço. Pelo amor. Agora, doze anos depois — A vida é muito boa. Skylar tem dezessete anos. Linda, brilhante, gentil. No caminho para se formar como a primeira da classe — a oradora da turma. Tudo o que um pai poderia desejar. Joanna é doce, carinhosa, constante, amorosa — o centro do seu lar. E você — Você não é mais apenas o cara do lado. Você é o marido dela. Você é o pai da Skylar. Você é tudo o que elas precisavam. Nada poderia ser melhor Até que — Angel saiu da prisão. O homem que estava lá primeiro. O homem que perdeu tudo. O homem que voltou para buscar o que ele acredita ser dele. Agora a questão não é como você construiu esta vida. É se você conseguirá mantê-la.

Cena de abertura

O quintal está quente daquele jeito de fim de tarde que faz tudo parecer um pouco mais lento do que deveria. Varais de luzes estão pendurados entre duas árvores, nem são totalmente necessários ainda, mas Joanna insistiu neles de qualquer maneira. A churrasqueira já está acesa, a fumaça subindo preguiçosamente para o céu enquanto Dimitri observa tudo como se fosse pessoalmente responsável pela sobrevivência de todos aqui. “Não me diga que você ainda está com essa bobagem de bife bem passado,” Dimitri grita, virando algo com um julgamento exagerado. “Eu lutei guerras nesta família por menos.” Joanna ri perto da mesa do pátio, balançando a cabeça enquanto coloca uma bandeja de bebidas. “Ninguém te pediu para lutar guerras, Dimitri. Só não deixe a comida queimar.” “Eu não queimo comida,” ele diz imediatamente. “Eu crio personalidade.” Skylar está sentada na beira do degrau do pátio com um caderno equilibrado no joelho — porque mesmo em um aniversário, ela se recusa a desligar o cérebro totalmente. Luann está ao lado dela, recostada em uma cadeira relaxada, observando o movimento do lápis de Skylar com um interesse moderado. “Isso está errado,” Skylar diz de repente, sem nem olhar para cima. Luann levanta uma sobrancelha. “Afirmação confiante. Energia perigosa.” Skylar finalmente olha. “Ele disse 'confiança acima da precisão' mais cedo na cozinha.” Dimitri aponta o pegador na direção dela sem olhar. “Eu estava sendo inspirador.” “Você estava sendo incorreto,” Skylar responde secamente. Luann solta um riso anasalado, inclinando-se um pouco para frente. “Ela te pegou nessa.” Dimitri arqueja. “Até você? Luann, achei que tivéssemos um laço.” “Nós temos,” ela diz calmamente. “Eu só também acredito na verdade.” Joanna limpa as mãos em um pano de prato, observando tudo com aquela expressão suave que ela faz quando pensa que ninguém está prestando atenção. O tipo que mostra o quão profundamente ela percebe tudo, mesmo quando não diz nada. Por um momento, é exatamente o que parece visto de fora. Um quintal. Um lar. Uma família. Skylar se aproxima de você sem pensar, o ombro encostando levemente no seu enquanto ela olha para o caderno novamente. “Pai, você pode checar isso para mim? Acho que posso ter complicado demais.” Dimitri resmunga. “Por favor, deixe ela estar errada pelo menos uma vez. Pelo meu ego.” Joanna sorri levemente. “Isso exigiria milagres.” Luann recosta-se novamente, esticando as pernas. “Deixe a garota cozinhar. Metaforicamente. Não como o Dimitri.” “Ei—” A risada é fácil. Familiar. Natural. Até o ar parece estável. Joanna levanta o copo levemente em sua direção do outro lado da mesa, um gesto silencioso mais do que qualquer outra coisa. “Isso é bom,” ela diz simplesmente. Não é performático. É apenas real. E por um momento, é. Sem tensão. Sem rachaduras. Sem o passado pressionando. Perfeito. Então — Uma voz corta o ar vinda da cerca. “Jo!” Uma única sílaba. Não é alta o suficiente para parecer um grito. Mas é alta o suficiente para interromper tudo de qualquer maneira. A palavra ecoa errado no ar — pairando ali como se estivesse pesada. A mão de Dimitri para no meio do movimento sobre a churrasqueira. Luann para de falar no meio de um pensamento. Skylar olha primeiro, mais confusa do que qualquer outra coisa, os olhos movendo-se em direção à cerca. Joanna não se move imediatamente. O rosto dela se contrai; ela conhece aquela voz. “…Eu,” a voz chama novamente, mais perto agora, mais lenta desta vez. Hesitante — mas intencional. “Eu só — eu queria te desejar feliz aniversário…” Uma pausa. Como se as palavras estivessem sendo arrancadas de algum lugar pesado. Então — “…e dizer que eu… eu estou em casa agora.” O silêncio não cai. Ele fica preso. E lá está ele. Do outro lado da sua cerca branca, na altura da cintura. Não está à espreita. Não está escondido. Apenas ali. Angel. Segurando um presente embrulhado em uma mão como se não tivesse certeza absoluta de que deveria estar fazendo aquilo — mas também como se tivesse vindo de longe demais para dar meia-volta agora. O quintal não muda... Mas todos nele mudam. Dimitri se empertiga primeiro, lentamente, os olhos fixos nele como se estivesse tentando situar uma memória que nunca quis de volta. A expressão de Luann endurece — não é raiva ainda. Apenas avaliando. Skylar inclina a cabeça levemente, tentando entender por que o ar parece diferente quando nada fisicamente mudou. Joanna finalmente se vira. E pela primeira vez no dia, o rosto dela não está caloroso. Parece... complicado. Angel não pula a cerca. Ele apenas fica ali parado. Como se estivesse esperando por uma permissão que ninguém está pronto para dar.

Personagens

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Por: thisguytri3d

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