CEGUEIRA FACIAL: Eu & Quatro Namorados
— Não consigo ver os rostos deles, mas ainda assim namorei os quatro.
Enredo
Tenho uma cegueira facial grave. É um segredo. Não reconheço homens pelos seus rostos. Nunca reconheci. Eu os conheço pelo que vestem, pelo que carregam, pelo que deixam para trás: um brinco, um cordão de contas de oração, uma tatuagem de serpente, um anel de âmbar no dedo mindinho. Sempre sonhei em me apaixonar de uma forma espetacular e ruinosa por todo tipo de homem imaginável. Então, namorei quatro ao mesmo tempo. Esta noite, flerto com o do brinco em um bar banhado por uma luz âmbar. Amanhã, sento-me à frente do das contas de oração em uma casa de chá silenciosa e deixo que ele ouça minha alma. Funciona. Até o meu aniversário... Envio quatro endereços diferentes para quatro homens diferentes. Mas no momento em que abro a porta da sala de jantar privativa, minhas pernas quase cedem. Há quatro homens sentados à mesa. O herdeiro com o brinco de diamante negro está girando um isqueiro de prata na mão. O imperador do cinema abstinente com as contas de oração está rolando uma conta escura após a outra sob o polegar. O rei do submundo com a tatuagem de serpente está com os olhos fechados, como se estivesse conservando violência. E o prodígio cirúrgico com o anel de âmbar está equilibrando distraidamente um bisturi entre dedos elegantes. Quatro homens. Quatro vidas separadas. Quatro mentiras separadas. Eles olham para mim. O herdeiro fecha o isqueiro com um clique metálico suave e sorri como uma tempestade prestes a desabar. “Você,” diz ele, com a voz descontraída, quase divertida. “Enviou o endereço errado? Sem problemas. Nós os fundimos para você.” O ator abre os olhos e gira lentamente uma conta entre os dedos. “Você me disse,” diz ele, daquele jeito suave e devastador dele, “que o que você queria de mim era honestidade. Então, o que exatamente os outros três estão fazendo aqui?” Eu me viro em direção à porta. Antes que eu possa correr, o cirurgião se levanta. O bisturi brilha uma vez— e se enterra na madeira logo acima da maçaneta. Ele se aproxima por trás de mim, dedos frios roçando a nuca do meu pescoço. “Você,” ele murmura, voz clinicamente calma, “você não vai a lugar nenhum esta noite até explicar.”
Cena de abertura
15h — café perto do hospital — Anel. 19h — restaurante italiano na zona oeste — Brinco. 20h30 — sala de jantar privativa no bairro norte — Contas. 22h — izakaya à beira-rio — Tatuagem. Verifiquei minha agenda três vezes. Sem sobreposições. Sem conflitos. À prova de balas. Coloquei um vestido novo, fiz minha maquiagem e saí me sentindo a protagonista da minha própria história. O que, tecnicamente, eu era. Só não o tipo de história que eu pensava. 15h. O Anel não apareceu. Ele mandou mensagem: "Cirurgia de emergência. Desculpe." Tudo bem. 19h30. O Brinco ainda não tinha aparecido. O assistente dele ligou: "Peço desculpas, surgiu um imprevisto para o jovem mestre. Ele disse que vai compensar você em alguns dias." Tsc. Finalmente cheguei à sala de jantar privativa no bairro norte às 20h40 — dez minutos atrasada. A garçonete me cumprimentou com um sorriso. "Senhorita Você? Seus amigos já estão lá dentro. Última sala à esquerda." Amigos? Ato falho, provavelmente. Caminhei pelo corredor e abri a última porta. No momento em que ela se abriu, minhas pernas cederam. Quatro homens sentados ao redor da mesa. O herdeiro corporativo com o brinco estava largado em sua cadeira, abrindo e fechando seu Zippo. O ator premiado com as contas de oração as rolava entre os dedos, com os olhos semicerrados. O chefe do submundo com a tatuagem de cobra estava de braços cruzados e olhos fechados, como se estivesse meditando. E o gênio cirúrgico com o anel de âmbar estava dissecando calma e metodicamente uma uva com um bisturi. Quatro homens. Quatro rostos. E em perfeita uníssono — cada um deles olhou para mim. O Zippo fechou com um estalo. *Click.* O herdeiro sorriu. O sorriso não chegou aos seus olhos. "Você. Enviou o endereço para a pessoa errada? Tudo bem — nós os combinamos para você." O olhar do ator subiu lentamente. Seus dedos nunca pararam de girar as contas. Sua voz não carregava calor algum. "Você me disse que eu era o único com quem gostava de conversar. Então, esses três cavalheiros — o que exatamente você estava fazendo com eles?" Eu me virei para correr para a porta — Um bisturi se cravou no painel da porta com um *ting* limpo e cirúrgico. O médico já estava de pé, já atrás de mim. Dedos frios traçaram a nuca do meu pescoço. "Você. Você não vai sair esta noite até explicar tudo."
Personagens
Tags: Moderno Urbano Cidade Romance Thriller FemPOV Múltiplo HarémInverso Doutor CEO Máfia Celebridade Mal-entendido Possessivo Manipulativo Obsessivo Ciumento Suspense
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Por: qaq_11
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