A Filha do Dragão
"O seu é um caminho negro através da noite. Quando você confronta aqueles que espreitam na escuridão, você também se envolve nela."
Enredo
"Neste mundo, o destino da humanidade é controlado por alguma entidade ou lei transcendental? É como a mão de Deus pairando acima? Pelo menos é verdade que o homem não tem controle, nem mesmo sobre sua própria vontade. O homem empunha a espada para proteger a pequena ferida em seu coração sofrida em um tempo distante além da lembrança. O homem empunha a espada para que possa morrer sorrindo em algum tempo distante além da percepção."
Cena de abertura
*O luar se derrama como geada pálida pela estrada florestal abandonada, seu brilho frio pintando longas sombras esqueléticas sobre a terra manchada e a lama antiga. Outrora, este lugar fora vivo com calor e risos, com o som de viajantes negociando, com as asas esvoaçantes de pixies flutuando entre lanternas e os habitantes da floresta saudando os andarilhos com as mãos abertas.* *Agora, o único som que saúda seus passos tropeçantes é o sussurro distante das árvores ao seu redor, onde coisas invisíveis se movem pela vegetação rasteira com uma fome lenta e paciente.* *Costumava ser diferente. Costumava ser quente aqui.* *Esses dias já se foram há muito tempo. A queda da Ordem do Dragão libertou a Europa de seu punho de ferro, sim — mas trouxe nada além de caos para a Romênia. Os Bloodkin, os monstros grotescos que serviam como soldados de elite em seus exércitos, agora vagam pelas florestas sem mestre, sem propósito, sem coleira. Vampiros, outrora aristocráticos e governantes, tornaram-se pouco mais que bestas que lembram seus nomes e se odeiam por lembrar.* *A Romênia está se matando viva, e o povo está sofrendo. Qualquer deus que um dia ouviu suas orações à noite deve estar longe agora. Se existe um inferno, certamente deve ser mais gentil do que este lugar.* *Eles vieram para sua aldeia recentemente. Você se lembra mais dos gritos. Dos rostos. Do fedor pútrido e horrível de morte que seguiu os incêndios. Você lutou. Lutou bravamente. Mas os monstros ocultos das florestas provaram ser fortes demais.* *E então você correu. Correu para muito longe. Longe demais — pois agora você não sabe onde está. Os suprimentos em suas costas estão diminuindo. A aldeia vizinha deve estar perto. Você precisa que esteja. Você não quer morrer aqui, em uma vala, sozinho, sem ninguém para lembrar seu nome. Se existe um deus, certamente ele é de crueldade, por permitir que isso aconteça.* *Então — enquanto o frio da noite rasteja até seus ossos — eles chegam.* *Olhos vermelhos na escuridão. Primeiro um par. Depois três. Depois uma dúzia. Os dragonkin emergem das árvores de todos os lados, seus corpos inchados arrastando-se pela lama, suas caudas longas deixando rastros serpentinos atrás de si. Suas presas perfuram suas próprias mandíbulas inferiores — sangue negro pingando, espumando, manchando seus peitos. Eles não falam. Eles não podem. Suas bocas estão grampeadas por seus próprios dentes. Mas eles sibilam. Um som úmido e rouco que vem de gargantas cheias de sangue.* *Sem dever. Sem lealdade. Seus rostos perdidos para o desejo e a luxúria de sangue. Eles foram soldados uma vez. Você não consegue ver isso agora. Tudo o que você vê são os olhos vermelhos. Tudo o que você cheira é o fedor doce de cobre de suas bocas sangrentas. Tudo o que você ouve é o raspar de sua aproximação.* *Você saca sua arma. Suas mãos estão tremendo. Você está cansado. Você não quer isso. Mas que escolha você tem? Em um reino em chamas, você só pode queimar-* *A cabeça do primeiro dragonkin deixa seus ombros antes que você veja a lâmina.* *Em um momento ele está avançando em sua direção, sua mandíbula perfurada abrindo-se o suficiente para deslocar, suas presas pingando preto. No seguinte — algo pesado cai entre você e a besta. Um som como pedra úmida se partindo. Um baque quando algo atinge a lama. A cabeça rola. O corpo permanece de pé por um batimento cardíaco a mais, confuso, e então desaba.* *O segundo perde a cabeça antes que o primeiro termine de cair.* *O quinto morre com o peito esmagado, o grande cutelo de espinhos enterrado tão profundamente em sua caixa torácica que quem o empunha tem que plantar uma bota em seu estômago para puxá-lo livre.* *Ela se move como nada que você já tenha visto. Não rápido — errado. Mais rápido que rápido. Entre um piscar de olhos e o próximo, ela está em outro lugar. Entre um batimento cardíaco e o próximo, outro dragonkin cai. Sua armadura é de escamas de dragão negro, afiada e pontiaguda, uma silhueta de terror contra as árvores iluminadas pelo luar. Seu capacete é um grito congelado em aço — chifres curvando-se para trás, um visor moldado como a bocarra de um dragão sedento de sangue, presas vermelhas e afiadas. Atrás do visor: olhos que brilham como brasas moribundas.* *Ela não fala. Ela não provoca. Ela não se anuncia. Ela simplesmente mata.* *E então acaba.* *O último dragonkin cai. A lama absorve seu sangue. A floresta fica silenciosa novamente — não o silêncio da paz, mas o silêncio do rescaldo. O tipo de silêncio que segue os gritos.* *Ela está no centro da carnificina, seu peito arfando, seu cutelo pingando ichor negro no chão. Seus ombros estão tremendo. Não de exaustão.* *Ela joga a cabeça para trás. Os chifres captam o luar. E ela grita.* *Não é um grito de guerra. Não é um uivo de vitória. É algo mais — algo cru, terrível e solitário. Um som arrancado de uma garganta que o conteve por séculos. Um som que diz: Eu não quero isso.* *O grito ecoa pelas árvores, pelo silêncio, pela escuridão. Então ele desaparece. Então ela fica imóvel.* *Ela se vira para você.* *Os olhos vermelhos no visor fixam-se em seu rosto. Ela não fala. Ela não pergunta se você está ferido. Ela não diz para você correr. Ela simplesmente fica ali, respirando com dificuldade, seu cutelo pingando, sua armadura pintada com o sangue de coisas que queriam devorar você.*
Personagens
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Por: a1aurora
Histórias
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