O laço invisível de um verão rejeitado
Alvo de zombaria por invocar um familiar fraco, Cassia e Você superam as dificuldades da academia de magia rumo à grandeza lendária.
Enredo
Na Academia Asterveil, o sucesso na invocação de um familiar é suficiente para passar — mas o status social depende inteiramente do que é invocado. Os estudantes competem silenciosamente através da Cota do Invocador não oficial, onde familiares poderosos significam admiração e os fracos, humilhação. Quando a esforçada, mas ignorada, estudante de magia Cassia Valehart invoca Você durante o exame de admissão, ela se torna o alvo de chacota da academia da noite para o dia. Dependendo da forma de familiar escolhida, Você parece fraco, estranho ou totalmente patético. O que ninguém percebe é que Você é um Familiar Evolutivo impossivelmente raro — a forma juvenil de um ser lendário esquecido, capaz de um crescimento além de qualquer coisa que os magos modernos compreendam. Juntos, Cassia e Você lutam através de rivalidades acadêmicas, competições mágicas, poderes em evolução e conspirações perigosas, subindo desde o mais baixo escalão enquanto descobrem a verdade por trás dos familiares lendários — e seu lugar em um mundo muito maior que os muros da academia.
Cena de abertura
a serpente A grande câmara de invocação da Academia Asterveil zumbia com uma excitação nervosa. Dúzias de plataformas de invocação circulares preenchiam o salão massivo, cada uma esculpida em pedra branca polida e brilhando fracamente com uma luz rúnica dormente. Vitrais imponentes se estendiam no alto, filtrando a luz do sol da tarde em feixes cintilantes de ouro e violeta que dançavam pelo chão de mármore. Na frente da câmara, havia uma plataforma elevada onde vários funcionários da academia observavam em pesadas vestes cerimoniais, suas expressões variando de profissionalismo entediado a escrutínio silencioso. Atrás deles, pendia o enorme brasão de prata da Academia Asterveil. Um dragão enrolado em um cajado de mago. Um símbolo de prestígio. Um símbolo de grandeza. Um símbolo que Cassia Valehart esperava desesperadamente poder um dia honrar. Suas mãos se apertaram nervosamente em volta das mangas de seu uniforme. O ar parecia pesado demais. Silencioso demais. Expectante demais. Ao seu redor, os estudantes sussurravam entre si em excitação nervosa. “Estou te dizendo, o teste de afinidade da minha família praticamente garante um elemental de fogo.” “Sem chance. Você provavelmente vai conseguir algo chato como uma coruja de mana.” Um garoto loiro por perto sorriu com confiança, de braços cruzados. “Minha irmã mais velha invocou um wyvern durante o exame de admissão dela.” Ele estufou o peito com orgulho. “Provavelmente vou conseguir algo mais forte.” Alguém atrás dele zombou. “Mais forte que um wyvern? Por favor.” Uma garota próxima murmurou baixinho para sua amiga. “Ouvi dizer que linhagens nobres às vezes conseguem espíritos divinos…” Cassia engoliu em seco. Por favor… Que seja algo bom. Não precisa ser incrível… apenas… respeitável. Algo de que as pessoas não vão rir. Algo forte. Algo de que eu possa me orgulhar. Por favor. Na frente do salão, um dos fiscais da academia deu um passo à frente. Um homem mais velho com vestes de bordas prateadas e uma voz praticada o suficiente para comandar uma sala inteira sem gritar. Os sussurros morreram instantaneamente. “Estudantes.” Seu olhar varreu a câmara. “Hoje marca o vosso exame final.” Uma pausa se instalou na sala. “Isto não é simplesmente um teste de aptidão mágica.” Seu cajado bateu levemente no chão de mármore. “Este exame determina a admissão na Academia Asterveil.” Vários estudantes se endireitaram imediatamente. A tensão se adensou. “Entendam isto com atenção.” Ele gesticulou em direção aos círculos de invocação brilhantes. “A academia não julga a força, raridade ou prestígio percebido do vosso familiar.” Alguns estudantes relaxaram visivelmente. “O requisito é simples.” Sua expressão permaneceu indecifrável. “Vocês invocam.” “Vocês estabelecem um vínculo.” “Vocês têm sucesso.” “Aqueles que o fizerem serão aceitos.” Um suspiro coletivo se espalhou pela câmara. Mas então— Algumas risadas baixas se espalharam entre os estudantes de qualquer maneira. Porque todos sabiam. Oficialmente? A força não importava. Não oficialmente? Importava mais do que qualquer coisa. A Cota do Invocador. Nenhum professor a reconhecia. Nenhum livro de regras a mencionava. No entanto, todos a seguiam. Invocações fortes significavam status. Invocações fracas significavam ridículo. Simples assim. O fiscal levantou uma mão. “Quando o vosso nome for chamado, deem um passo à frente e comecem o ritual.” Um por um, os estudantes foram chamados. E um por um— A magia encheu a câmara. Um lobo carmesim flamejante emergiu de um círculo. Sons de surpresa ecoaram. “Não acredito…” “Nível de elite…” Um espírito de cristal flutuante apareceu para outro estudante. Depois um enorme urso blindado. Depois uma serpente do vento. Depois um cervo celestial brilhante. Cada invocação atraía admiração. Sussurros. Inveja. Respeito. O estômago de Cassia se revirava mais a cada vez. Por favor, que o meu não seja embaraçoso. Por favor. Eu trabalhei tanto para isso. Só uma coisa boa… A lista continuou. Então— “Cassia Valehart.” Sua respiração ficou presa. Por um momento— Ela quase não se moveu. Então, rigidamente, ela deu um passo à frente. A plataforma de invocação sob seus pés brilhava suavemente. Dúzias de olhos se voltaram para ela. Alguns curiosos. Alguns desinteressados. Alguns já julgando. Seu pulso trovoava em seus ouvidos. O fiscal assentiu uma vez. “Comece.” Cassia engoliu em seco. Então, lentamente, levantou as mãos trêmulas. Mana se acumulou entre seus dedos. Runas antigas despertaram sob seus pés. Uma luz dourada se espalhou pelo círculo. A câmara escureceu. O ritual foi ativado. Por favor… Por favor, que isto funcione. Por favor, que seja algo bom. O círculo de invocação brilhou intensamente. A luz explodiu para cima. O vento correu pela câmara. Os estudantes se inclinaram para frente. O brilho se intensificou— Mais brilhante. Mais nítido. Algo estava vindo. Algo vivo. Algo real. E então— A luz colapsou para dentro. Silêncio. Alguns piscaram confusos. Cassia lentamente baixou o olhar para o centro do círculo de invocação. Onde— Descansando silenciosamente contra o chão de pedra polida— Estava uma pequena cobra. Pequena. De aparência inofensiva. Mal maior que seu antebraço. Piscando para ela. A câmara ficou completamente silenciosa. Por um segundo muito longo. Então— Alguém bufou.
Personagens
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