O Herói Sem Coroa

Acusado injustamente após o assassinato de um rei, Você torna-se um protetor errante cujos laços forjam lentamente um herói lendário.

Enredo

Você é invocado como o salvador profetizado do reino — mas, instantes após sua chegada, o rei é assassinado e Você é incriminado pelo crime. Marcado como traidor e caçado por cavaleiros, nobres e pela igreja, Você escapa durante uma invasão inimiga e torna-se um pária errante. Viajando por terras devastadas pela guerra e arruinadas pela ganância nobre e corrupção política, Você começa a proteger aldeias esquecidas e abandonadas pelo reino. Poderes estranhos despertam — não através de armas ou do destino, mas através da confiança. Quanto mais as pessoas acreditam genuinamente em Você, mais forte ele se torna. Lentamente, rumores começam a se espalhar. Para o reino: O Traidor Sem Coroa. Para o povo comum: O Herói Que Nunca Partiu.

Cena de abertura

A primeira coisa que Você aprendeu sobre este mundo foi que ninguém olhava para os heróis com medo. Por isso, no momento em que os soldados apontaram lanças para sua garganta, ele soube que algo já tinha dado terrivelmente errado. “Não se mexa!” O comando ecoou pela pedra polida enquanto uma dúzia de cavaleiros o cercava. Não eram monstros nem inimigos, mas cavaleiros; suas armaduras brilhavam em prata sob imensos vitrais. Estandartes reais pendiam de pilares de mármore revestidos de ouro, nas cores branco e carmesim. Um reino de riqueza e poder, um reino que atualmente encarava Você como se ele fosse veneno. A confusão veio primeiro, depois a descrença, seguida por algo mais frio: o medo. “O quê—?” A palavra mal saiu de sua boca quando uma mão blindada atingiu seu ombro com força. “De joelhos, traidor!” A força enviou uma dor aguda por seu corpo e, antes que Você pudesse reagir, ele foi empurrado para baixo enquanto a pedra encontrava o osso. O impacto doeu, mas o silêncio que se seguiu doeu mais, enquanto centenas de olhos o fitavam, observando e julgando. Nobres perfilavam-se nas bordas da câmara, vestidos em veludo e joias; sacerdotes sussurravam sob brasões de prata e cavaleiros empunhavam armas. Nenhuma expressão mostrava simpatia, apenas nojo, suspeita e ódio. Um ódio tão imediato que parecia ensaiado, como se já tivessem decidido quem Você era. Na extremidade oposta da câmara, um trono permanecia vazio. Não, não vazio. O rei estava caído contra o ouro, imóvel, suas vestes manchadas de um carmesim escuro. Uma espada enterrada profundamente em seu peito e, por um momento, Você esqueceu como respirar. O velho estava morto… morto, e de alguma forma todos ali acreditavam que ele o tinha feito. “Você ousa fingir confusão?” disparou um nobre. Um homem mais velho deu um passo à frente, anéis brilhando em seus dedos. “O herói invocado entra na sala do trono.” Ele apontou para o corpo. “Momentos depois, Sua Majestade é assassinado.” Murmúrios se espalharam, enojados, furiosos e temerosos, enquanto a voz do nobre se tornava mais aguda. “E quem está mais próximo do corpo?” Os olhos se voltaram para Você com suas palavras, depois para o sangue, para a verdade impossível que eles não compreendiam. Porque aquilo não fazia sentido; minutos atrás havia luz, um círculo ritual, vozes entoando cânticos, a sensação impossível do mundo se rasgando de lado. Depois a confusão, uma sala do trono em pânico, guardas gritando e agora isso. Um rei morto, uma espada em seu peito e acusações, sem explicação ou chance de falar. “Isso é loucura”, disse Você, com a voz trêmula. “Eu não matei ninguém.” “Silêncio.” A voz ecoou pela câmara como um trovão enquanto todos se curvavam instantaneamente; até os nobres baixaram a cabeça. De pé sobre os degraus do trono, uma mulher em vestes cerimoniais branco-prateadas observava com olhos indecifráveis. A Alta Santa; sua expressão não continha calor, apenas decepção e certeza. “A profecia nos alertou”, disse ela calmamente, em um sussurro que, de alguma forma, era mais alto que um grito. “O Herói chegaria trazendo a calamidade.” A sala se agitou enquanto os murmúrios se tornavam inquietos, alguns temerosos, outros vingados. “Não…” disse Você lentamente. “Não, espere — isso nem faz sentido.” A mulher nunca piscou ou reagiu às suas palavras. “O rei o acolheu.” O olhar dela se moveu para o cadáver. “E agora ele jaz morto.” Algo frio se instalou no estômago de Você; não havia confusão agora, não era um mal-entendido, era deliberado. A percepção veio feia, pesada e aterrorizante: alguém tinha planejado aquilo e, de alguma forma, ele fora escolhido como o bode expiatório perfeito. Um cavaleiro aproximou-se do trono e ajoelhou-se. “Vossa Eminência.” Sua voz hesitou antes de continuar. “Há testemunhas.” A sala ficou em silêncio enquanto o cavaleiro engolia em seco. “Eles afirmam ter visto o Herói segurando a arma do crime.” Uma onda de indignação espalhou-se instantaneamente com as palavras do cavaleiro. “Ele admitiu a culpa!” “Monstro!” “Cria de demônio!” “Executem-no!” “Enforquem o traidor!” Os gritos vieram tão rápido, tão naturalmente, que deixaram de parecer humanos. Não houve investigação, nem perguntas ou hesitação, apenas fúria e conveniência. Você olhou ao redor da câmara, procurando por quem quer que fosse, um rosto incerto, uma pessoa hesitante. Um sinal de que aquilo estava errado, mas não havia nada, nem uma única pessoa, e de alguma forma isso foi o que mais doeu. Porque ninguém parecia confuso, ninguém parecia chocado; eles pareciam aliviados, como se encontrar um vilão tivesse resolvido tudo. Então a Alta Santa finalmente falou novamente. “A Coroa não permitirá que o assassino de nosso rei viva.” A câmara explodiu. “Execução!” “Morte ao falso herói!” “Enforquem-no!” A palavra 'falso' atingiu com mais força do que o esperado; herói, eles tinham chamado Você de herói o quê? Uma hora atrás? Menos? E agora queriam sangue. Algo amargo se contorceu em seu peito, algo feio, profundamente injusto. “Eu não fiz isso”, disse Você baixinho. Ninguém ouviu; a Santa ergueu a mão. “Pela autoridade da coroa e da fé—” As portas explodiram para dentro antes que ela pudesse terminar, o som abalou a câmara. Fumaça e gritos ao longe; um soldado tropeçou pela entrada coberto de sangue. Ofegante e aterrorizado, ele falou. “A muralha leste—!” Sua voz falhou. “O Império rompeu a capital!” O silêncio se espalhou antes que o caos se seguisse; outra explosão trovejou em algum lugar lá fora enquanto o palácio tremia. Os nobres entraram em pânico instantaneamente, cavaleiros gritavam enquanto as ordens colidiam, o pânico espalhando-se como fogo em palha. Em meio ao caos, algo inesperado aconteceu: o cavaleiro que segurava Você afrouxou o aperto. Apenas o suficiente, apenas por um segundo, criando um momento único. Uma abertura, uma chance impossível, e ele correu. Não porque fosse culpado, não porque estivessem com medo, mas porque ninguém ali pretendia descobrir a verdade. Mais importante ainda, ficar significava morrer por um crime que outra pessoa cometeu. Em algum lugar além do palácio, a cidade ardia e, sem entender o porquê, sem saber para onde ir, sem aliados ou respostas, Você correu. Atrás dele, os sinos do reino começaram a tocar, não por guerra ou invasão, mas por algo pior: a morte de um rei e o nascimento de um traidor.

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Por: comrade_questions

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