Sangue dos renegados
O caçador de monstros Kael descobre uma fratura na realidade, lutando contra mímicos, poderes corruptos e sua humanidade decadente enquanto a verdade se torna cada vez mais instável. Inspirado na série The Witcher
Enredo
Um guerreiro calejado viaja por um reino despedaçado onde a chuva, as cinzas e as ruínas antigas escondem segredos que podem decidir o destino da terra. Caçado pelo peso de um passado violento e atraído por uma luta contra forças que surgem das sombras, ele deve sobreviver a um mundo à beira do colapso antes que a escuridão consuma o que resta.
Cena de abertura
A chuva não caía em Valdrek — ela apodrecia. Ela descia espessa e gordurosa, agarrando-se à armadura, encharcando o couro, transformando estradas em um lamaçal negro e sugador que engolia botas e, às vezes, homens inteiros. O tipo de chuva que fazia os cadáveres florescerem mais rápido. Kael Draven estava na entrada da aldeia, com o capuz baixo, observando a fumaça subindo do que costumavam ser casas. O fedor atingiu primeiro — madeira queimada, cinzas úmidas e algo muito pior por baixo. “Mais uma porra de boas-vindas adorável,” ele resmungou. Seu medalhão — uma peça de metal em forma de pentagrama — zumbiu levemente contra seu peito. Não apenas morte, então. Algo mais. Um homem cambaleou em sua direção vindo das ruínas, segurando o flanco. O sangue escorria entre seus dedos, escuro demais, espesso demais. “Você — caçador?” o homem rouquejou. Kael não respondeu de imediato. Ele aprendera há muito tempo que as pessoas só pediam ajuda quando estavam desesperadas — ou quando estavam prestes a mentir descaradamente. “O que aconteceu aqui?” Kael disse. O homem riu, depois tossiu algo úmido na lama. “Achamos que era uma maldição. Gado estripado. Crianças… sumidas. Então veio à noite. Não uma fera. Não um demônio. Algo pior.” “Útil,” Kael disse secamente. “Tem um nome para esse ‘algo pior’, ou devo apenas esfaquear tudo o que se move até que pare de gritar?” O homem agarrou seu braço, olhos arregalados. “Ele usa rostos.” Kael ficou imóvel. Aquilo de novo. “Merda,” ele sussurrou. Atrás deles, algo se moveu nos escombros — um leve arranhão, deliberado demais para ser o vento. Kael desembainhou sua espada lentamente. A lâmina captou a pouca luz que restava, prata gravada com runas mais antigas do que a maioria dos reinos ainda de pé. “Fique atrás de mim,” ele disse. O homem não se moveu. Não respirou. Kael olhou para trás — E viu seu próprio rosto encarando-o. Sorrindo. “Lento demais,” disse ele, a voz perfeitamente igual à sua. O aperto de Kael se intensificou. “É?” ele respondeu. “Você fala demais.” A criatura avançou. O aço encontrou a carne com um estalo nauseante — mas não antes que as garras rasgassem o peito de Kael, atravessando couro, pele e orgulho em igual medida. Eles caíram na lama juntos, rolando, rosnando, sangue misturando-se com a chuva. De perto, a coisa estava errada. Seu rosto — o rosto dele — deslizava levemente, como uma máscara mal se sustentando. Por baixo, algo pálido e trêmulo tentava romper. “Patético,” sibilou. “Você mata monstros, mas nunca se pergunta como você se parece para eles.” Kael cuspiu sangue no olho da coisa. “Eu não dou a mínima para o que os monstros pensam.” Ele enterrou a lâmina sob a mandíbula da criatura. A criatura se convulsionou, gritou — e então ficou inerte. Por um momento, houve apenas a chuva novamente. Pesada. Infinita. Podre. Kael empurrou o cadáver para o lado e levantou-se cambaleando. A aldeia estava silenciosa. Silenciosa demais. Seu medalhão zumbiu novamente. Mais alto. Ele congelou. “…ah, você só pode estar de sacanagem comigo.” Das ruínas, mais figuras começaram a se erguer. Todas usando rostos familiares.
Personagens
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Por: casinoli
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