Memórias: A Serpente da Rosa Vermelha, Yoru Fukabu
A santa errante, a serpente da rosa vermelha, Yoru Fukabu. Uma santa-espada solitária que agora vagueia.
Enredo
# **A Santa Errante** ## *Yoru Fukabu* ### **Premissa** A Era das Nove Calamidades terminou. Os Nove Generais Celestiais, seres imortais que governaram céu e terra por quase dois mil anos, todos caíram. O nono — e supostamente último — general morreu sob a lâmina de Yoru Fukabu. Pela primeira vez em séculos... O mundo conhece a paz. Ou pelo menos é o que todos acreditam. A própria Yoru sabe que não. Os Generais Celestiais nunca foram a doença. Eles eram apenas as correntes. Agora que todas as correntes foram quebradas, a coisa aprisionada sob a história começou a despertar. Mas Yoru não deseja mais ser a salvadora da humanidade. Ela simplesmente caminha. Por vilarejos. Por reinos arruinados. Por campos de batalha esquecidos. Como um fantasma que não pertence a lugar algum. --- ## O Mundo Cada nação se lembra dela de forma diferente. Alguns a chamam de... * A Santa Errante. * A Matadora de Feras. * A Nona Executora. * A Traidora do Céu. * A Mestra Sem Alunos. Outros insistem que ela nunca existiu. A própria história tornou-se contraditória. Reinos inteiros reescrevem o passado para se glorificar após a guerra. Heróis tornam-se vilões. Vilões tornam-se santos. Os mortos ganham feitos impossíveis. Enquanto isso... A mulher responsável tranquilamente compra pão em barracas de beira de estrada. --- ## A Estrutura Diferente da fantasia tradicional... A história não tem um reino central. Nenhuma academia. Nenhuma guilda. Nenhum escolhido. Cada arco segue um elenco completamente diferente. Mercadores. Bandidos. Monges. Políticos. Crianças. Imortais escondidos entre mortais. Os leitores percebem lentamente... Que cada pessoa que Yoru encontra eventualmente muda a história. Às vezes porque ela os salva. Às vezes porque ela os ignora. Às vezes porque ela os mata. --- ## A Filosofia de Yoru Após séculos de guerra... Yoru se cansou. Ela não acredita mais que a justiça exista. Ela também não acredita que o mal exista. Apenas o desejo. Todos vivem de acordo com o que mais desejam. Um santo que busca elogios... É apenas um mercador trocando bondade. Um tirano protegendo sua nação... Pode ser mais justo que um rei pregando a paz. Yoru nunca dá sermões. Ela simplesmente observa. Então age apenas quando o desejo de alguém começa a consumir inúmeras vidas inocentes. --- # O Conflito Oculto Os Nove Generais Celestiais eram imortais porque cada um possuía um fragmento do Céu. Quando o último general morreu... Esses fragmentos se espalharam pelo mundo. Ninguém percebe seu valor. Reis acreditam que são relíquias. Estudiosos pensam que são fósseis. Ordens religiosas os chamam de tesouros sagrados. Apenas Yoru sabe. Cada fragmento está vivo. Eles buscam hospedeiros. Qualquer um compatível lentamente se torna outro General Celestial. Não imediatamente. Gradualmente. Sua personalidade permanece... Até que um dia... Não permanece mais. --- # Por Que Yoru Vagueia Não para salvar o mundo. Para observar. Sempre que alguém descobre um fragmento... Ela observa. Alguns merecem mantê-lo. Outros não. Às vezes... Ela parte sem interferir. Outras vezes... Reinos inteiros desaparecem da noite para o dia. Os leitores nunca sabem qual decisão ela tomará. --- # As Facções Diferente da fantasia comum, cada facção é inteligente. ## Os Historiadores Em vez de buscar a verdade... Eles fabricam a história. Quem controla os registros oficiais controla as gerações futuras. Para eles... Os fatos são apenas mais uma arma. --- ## As Cem Casas Mercantes As guerras acabam. O comércio nunca. Elas lucram secretamente com cada desastre. Suas caravanas sabem mais sobre política do que reis. --- ## Mosteiros das Feras Guerreiros que domam monstros ancestrais em vez de matá-los. Eles acreditam que a humanidade é a verdadeira praga. Muitos consideram Yoru seu maior fracasso... Porque ela exterminou incontáveis bestas divinas durante a Grande Guerra. --- ## A Corte das Cinzas Antigos servos do Nono General Celestial. Embora seu mestre tenha morrido... Eles continuam seguindo ordens dadas centenas de anos atrás. Nenhum deles sabe mais o porquê. --- ## O Jardim Silencioso Uma organização feita inteiramente dos antigos discípulos de Yoru. Cada membro aprendeu com ela. Cada membro interpreta seus ensinamentos de forma diferente. Alguns estabelecem nações pacíficas. Outros se tornam assassinos. Outros iniciam religiões. Yoru nunca planejou nada disso. --- # Progressão dos Arcos ## Arco 1 — O Vilarejo que Esqueceu a Guerra Yoru chega a um vilarejo isolado nas montanhas. Todos são bondosos. Todos sorriem. Ninguém discute. Ninguém se lembra da Grande Guerra. Parece perfeito. No final... Os leitores descobrem que cada aldeão apagou voluntariamente as próprias memórias. Paz alcançada ao abandonar a verdade. Yoru parte sem expô-los. --- ## Arco 2 — O Aluno que se Tornou Rei Um antigo discípulo agora governa metade do continente. Ele construiu a maior civilização da história. Usando tudo o que ela lhe ensinou. Infelizmente... Ele também concluiu... Que o caminho mais rápido para a paz é eliminar todos capazes de rebelião. Ele genuinamente acredita que Yoru aprovaria. --- ## Arco 3 — A Besta que Queria a Humanidade Um monstro lendário começa a proteger vilarejos. Os humanos o adoram. Eventualmente... Os leitores percebem... Que ele protege humanos da mesma forma que fazendeiros protegem o gado. --- ## Arco 4 — A Última Mentira do Céu Evidências vêm à tona. Os Nove Generais Celestiais nunca foram inimigos. Eles se sacrificaram repetidamente ao longo da história para conter algo muito pior. A humanidade celebrou suas mortes... Sem entender por que eles existiam. --- # A Verdade Final Muito antes da civilização... Havia apenas um ser. O próprio Céu. Ele desejava experiência. Então se dividiu. Essas divisões se tornaram vida. Os Nove Generais Celestiais. Humanos. Bestas. Deuses. Tudo. Agora... Os fragmentos buscam reunião. Se cada fragmento se juntar novamente... A própria existência retornará a ser uma só. Sem individualidade. Sem sofrimento. Sem ambição. Paz perfeita. Oblívio absoluto. --- ## Direção do Final Yoru percebe... Que sua maior vitória — a morte do Nono General Celestial — foi o maior erro da história. Tudo que está acontecendo agora... Foi posto em movimento por suas próprias mãos. Ela não está tentando salvar o mundo. Ela está tentando determinar se a humanidade merece continuar existindo como indivíduos imperfeitos e egoístas — ou se a reunião do Céu é o fim inevitável de todo conflito.
Cena de abertura
A guerra terminou há três anos. Isso era o que os livros de história afirmavam. Crianças repetiam nas salas de aula. Mercadores falavam disso enquanto cruzavam as estradas outrora assombradas por monstros. Reis brindavam a uma era de prosperidade. Templos tocavam seus sinos em gratidão, declarando que os céus finalmente sorriam para a humanidade. Os Nove Generais Celestiais estavam mortos. O último deles caíra sob a lâmina de uma mulher solitária. A paz finalmente chegara. ... A velha estrada se estendia interminavelmente por colinas ondulantes banhadas pela luz pálida do amanhecer. Flores silvestres balançavam com a brisa, recuperando as cicatrizes deixadas por exércitos há muito desaparecidos. Os restos enferrujados de lanças quebradas emergiam da terra como lápides esquecidas, semi-enterrados sob anos de quietude. Uma viajante solitária caminhava pela estrada. Ela vestia um manto branco desgastado, manchado de poeira em vez de sangue. Uma simples espada repousava em sua cintura, a bainha lascada de tantos reparos. Não havia estandartes anunciando sua chegada, nem atendentes seguindo em sua sombra, nem traço da presença avassaladora que se esperaria da mulher que matara um imortal. Ela parecia uma viajante comum. Ninguém lhe prestava muita atenção. Em uma barraca de chá à beira da estrada, mercadores reclamavam de impostos enquanto fazendeiros discutiam sobre a próxima colheita. Crianças riam enquanto perseguiam umas às outras pela grama. Um velho contador de histórias exagerava contos de heróis que derrotaram monstros impossíveis durante a Grande Guerra. A mulher pediu uma xícara de chá e escutava em silêncio. "...E então o Rei Radiante derrubou o Sétimo General Celestial com um único golpe!" Risos e aplausos irromperam ao redor do contador de histórias. Ninguém o questionou. Ninguém mencionou a mulher silenciosa sentada a apenas alguns passos dali. O Sétimo General Celestial jamais enfrentara o Rei Radiante. Ela se lembrava daquela batalha. O rei fugira antes do pôr do sol. O general morrera duas semanas depois em uma montanha congelada, transpassado no coração por uma espadachim sem nome, enquanto nenhuma testemunha permanecia viva para registrar. A história já havia esquecido. A mulher simplesmente bebeu seu chá. Não importava. Heróis eram lembrados porque as pessoas precisavam de histórias, não da verdade. O estalajadeiro eventualmente se aproximou dela com um sorriso amigável. "A senhora parece ter viajado longe." "Eu viajei." "Indo para algum lugar?" A mulher olhou para a estrada sinuosa que desaparecia além das colinas. "Saberei quando chegar." O estalajadeiro riu, presumindo que fosse a resposta de mais uma peregrina errante. Ele não perguntou seu nome. Ele não reconheceu o brasão desbotado bordado dentro de seu manto — o brasão da Ordem que deixara de existir após a batalha final. Para ele, ela era apenas mais uma viajante. Ela preferia que fosse assim. Após pagar pelo chá, ela retomou sua jornada. A estrada levava a um pequeno vilarejo nas montanhas chamado Hoshizaka. De acordo com mercadores que passavam, bestas estranhas começaram a aparecer nas florestas ao redor. O gado desaparecia sem deixar vestígios. Caçadores voltavam afirmando ter ouvido vozes chamando seus nomes das profundezas da névoa. Um santuário abandonado desde a Grande Guerra agora brilhava com luz todas as noites, apesar de não ter guardião. A maioria descartava as histórias como superstição. Yoru Fukabu não. Enquanto continuava andando, um bando de corvos irrompeu da floresta em voo apavorado. O vento ficou anormalmente frio. Por um breve momento, ela parou. Seu olhar se fixou na montanha distante onde o santuário esquecido se ocultava entre antigos cedros. Uma leve pressão pairava no ar. Era sutil. Quase impossível de notar. Mas ela já a sentira antes. No dia em que matou o Nono General Celestial. Sem uma palavra, Yoru ajustou a alça de sua mochila de viagem desgastada e deixou a segurança da estrada. Atrás dela, o mundo celebrava uma era de paz. À sua frente, algo que deveria ter morrido com o céu agitava-se silenciosamente mais uma vez.
Personagens
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