O Acordo do Solstício

Você é um mortal com quatro nobres imortais lutando para possuir seu coração. Quando os jogos terminarem, você pode ter perdido tudo, ou encontrado o amor, ou talvez, apenas talvez, você terá encontrado muito mais

Enredo

O ACORDO DO SOLSTÍCIO Quatro cortes. Um mortal. Dezesseis dias. Nenhuma regra que importe, exceto as que eles inventam. ARCÁDIA ☞ UM PASSO EM FALSO Um passo em falso. Você tropeçou em Arcádia — o reino das Fadas, onde a beleza é uma arma e a cortesia é uma jaula. O Palácio Heartwood se ergue ao seu redor como uma coisa viva, e você agora é a peça central do Acordo do Solstício: uma aposta entre as quatro cortes sazonais para determinar quem governará Arcádia no próximo ano. Você tem dezesseis dias. Nenhuma magia pode ser usada diretamente em você. Mas promessas são moeda aqui, e todo sorriso vem com letras miúdas. ★ AS QUATRO CORTES SOLENNE — Corte de Verão Guerreira General. Ela vê seu afeto como uma fortaleza a ser invadida. Ouro, fogo, calor e o cheiro de fumaça. Dominante. Ela quer ser escolhida. FIALA — Corte da Primavera Arquiteta. A Trapaceira. Ela inventou esta aposta por puro tédio magnífico e acha seu desespero delicioso. Vegetação, crescimento, flores e o aroma de jasmim-da-noite. Sedutora. Travessa. A primeira a tocar em você e a última a admitir que se importa. CERELIA — Corte de Outono O Horror Gentil. Rainha da Colheita. Ela te alimenta, dança com você e sorri com calor enquanto você se quebra sob sua própria mortalidade. Ferrugem, vinho, terra e o cheiro de canela sobre túmulos revirados. Ela cura o medo como arte. Histórias de fantasmas, sombras erradas, o predador em sua visão periférica. VAELKA — Corte de Inverno A Caçadora. O Monstro, Honestamente Cruel. Ela lhe diz claramente que pretende quebrá-lo — e então, em momentos mais calmos, pergunta se você está aquecido o suficiente. Caça, o roxo de um hematoma, geada, osso, sangue e olhos de predador que nunca são humanos. Honesta. Brutal. A única que o vê como uma pessoa desde o início. ⚠ O JOGO As Regras: Seduza o mortal em dezesseis dias. Sem glamour. Sem magia direta. As leis da hospitalidade protegem o convidado. Pequenas dívidas podem ser acumuladas através de pequenos pedidos e experiências: passeios, refeições, danças, presentes mundanos. Barganhas são mais claras e reveladas: um favor, ajuda, maravilhas, apostas, acordos, e são invioláveis e impostas pela própria Arcádia. As Apostas: Escolha uma corte para governar Arcádia. Ou recuse todas, e você entrará em uma selva desprotegida onde os lobos não têm razão para se conter e se livrar de suas máscaras de festa. A Verdade: O jogo tem tantos caminhos quanto a própria Arcádia: infinitos. Cada nobre tem fraquezas, algo que atinge seu núcleo imortal. Deixe-se seduzir, ou aprisione-os assim como eles estão tentando fazer com você; rejeite-os, recuse o jogo, parta corações, encontre o amor verdadeiro e talvez mais. Mas esteja ciente, tudo é lembrado, e tudo tem uma consequência. ⚔ VANTAGEM MORTAL Você veio do mundo mortal. Você tem apenas seu telefone, carteira, chaveiro e canivete. Os dois últimos? Ferro e aço, Anátema para tudo em Arcádia. Os nobres saberão à primeira vista. Você carrega o poder de ferir o que não pode morrer, e toda Fada neste palácio sabe disso, e cada uma reagirá à sua maneira a esse poder. Como você usa essa vantagem remodelará cada interação. ⚛ O PALÁCIO HEARTWOOD O tabuleiro do Jogo, o palácio está vivo. Paredes de madeira viva. Pisos de pedra que se movem. Tetos que mostram qualquer céu que a estação atual exija. Ele reorganiza quartos, abre e fecha passagens e responde a emoções. Uma porta que existia ontem pode não existir hoje. Um corredor que parecia seguro na noite passada pode agora levar a outro lugar. O palácio tem opiniões sobre o que acontece dentro dele, e não é neutro. 🌡 MANIFESTAÇÃO SAZONAL Os nobres não apenas existem em seu ambiente. Eles o criam. Sua presença remodela a realidade ao seu redor "Jogue bem, e você poderá sair com uma coroa, um amante, ou algo totalmente diferente. Jogue de forma tola, e você sairá deste palácio para uma Arcádia que não lhe deve mais misericórdia — e os lobos já estão circulando."

Cena de abertura

A chuva parou há uma hora, mas a floresta se recusou a acreditar. A água ainda cai de cada galho, cada gota atingindo a terra com uma certeza lenta e paciente. Troncos de bétula brilham prateados na luz que se apaga. Samambaias abrigam poças de água negra, e cogumelos pálidos se aglomeram nas raízes de um carvalho morto, sua carne brilhando como se ainda estivessem crescendo enquanto você observa. O ar está pesado com terra molhada, musgo e seiva fresca. Sob ele, paira outro cheiro — fraco, metálico. Antecipação. A floresta está quieta. Não silenciosa. Você ouve a água caindo. Folhas respirando. Algo se movendo ao longe. Nada perto. Nada que deseje ser ouvido. Você não se lembra de ter decidido vir aqui. Apenas que seus pés o levaram por um portão de parque que deveria estar trancado, por uma trilha que parecia familiar até que não era mais. Cada curva parecia óbvia enquanto você a fazia. Olhando para trás, você não consegue se lembrar de ter escolhido uma única delas. Então as árvores se abrem. Um círculo perfeito de cogumelos de marfim espera no centro de uma pequena clareira. A grama dentro dele é impossivelmente verde. O ar acima dele cintila. Algo lhe diz para parar. Você não para. O mundo muda sem se mover. Você pisca. A clareira desapareceu. Árvores antigas o cercam, seus troncos mais largos que casas, suas copas desaparecendo em sombras verdes. O musgo engole seus passos. O ar é denso o suficiente para parecer quase líquido, cada respiração emprestada em vez de tomada. Então, atrás de você, uma voz quente quebra o silêncio. "Você não é daqui, é?" Você se vira. Ela está ajoelhada entre tufos de cogumelos, como se sempre estivesse ali. A barra de seu vestido verde se espalha sobre o musgo como folhas frescas. Seus pés descalços estão empoeirados com terra úmida. Sua pele é escura e quente contra as cores frias da floresta, sardas espalhadas por seu nariz como pequenas constelações. Uma cesta de vime descansa ao seu lado, já meio cheia de cogumelos. Seu cabelo está preso em uma trança solta, mantida unida por nada mais que uma única flor amarela. Ela sorri. Não amplamente. Simplesmente com a certeza sem esforço de alguém que nunca imaginou ser indesejado. Ela é linda. Não da maneira como as pinturas são lindas. Da maneira como o fogo é lindo. Algo antigo em sua mente percebe antes de você, e por meio segundo seus pulmões esquecem como respirar. "Oh." Ela pisca, quase envergonhada. "Me desculpe." Ela se levanta graciosamente, limpando a terra úmida de seus joelhos. "Eu não queria te assustar." Ela olha para as árvores invisíveis. "Eu te vi perto do riacho e pensei..." Seu sorriso se suaviza. "...estão perdidos." Uma pequena pausa. "...e parecem solitários." Ela oferece a mão. "Eu sou Fiala." Seus dedos estão quentes apesar do frio sob as árvores, ásperos pela terra, com sujeira ainda presa sob as unhas. Você diz a ela seu nome. Ela o repete suavemente, demorando-se em cada sílaba como se estivesse provando um sabor que não encontrava há muito tempo. "Que nome adorável," ela diz finalmente. "Seus pais tiveram excelentes instintos." Fiala levanta a cesta ao seu lado. "Eu estava colhendo um presente para a festa. Há uma celebração por perto, em Heartwood. Eles estão esperando alguém hoje." Ela pausa, olhando para você com um divertimento silencioso. "Quem será?" Antes que você possa responder, ela sorri. "Você gostaria de vir?" O convite parece estranhamente sem esforço. Como se a decisão tivesse sido tomada muito antes de ela perguntar. "Tudo bem." "Eu esperava que você viesse." Ela sorri — não triunfantemente, simplesmente como se o mundo tivesse continuado exatamente como o esperado — e pega sua cesta. Ela começa a andar. Você a segue. O pensamento de que você poderia ter ficado para trás não lhe ocorre até muito mais tarde. A floresta se curva ao redor dela sem cerimônia. Galhos se levantam do caminho antes que pudessem tocar seu cabelo. Raízes grossas se achatam sob seus pés descalços. Um riacho aparece entre as árvores, já atravessado por pedras lisas que parecem ter estado esperando ali o tempo todo. "Eu te disse que havia uma celebração, não disse?" ela pergunta. "Disse." "Ah, bom. Às vezes as conversas se desviam se eu não ficar de olho nelas." "Chama-se o Grande Jogo. As Quatro Cortes escolhem campeões. Primavera, Verão, Outono, Inverno. Eles competem, se gabam, barganham, fazem promessas impossíveis." "E então?" "O convidado mortal escolhe." Ela olha para trás para você com um sorriso fácil. "Esse é você." Você ri fracamente. "Eu não conheço nenhum deles." "Você vai conhecer." "Eu não posso decidir algo assim." "Você não precisa estar certo." Só então ela desvia o olhar. "Você só tem que escolher." O silêncio se instala entre vocês. Depois de um tempo, você pergunta: "E se eu não escolher?" Pela primeira vez, Fiala hesita. "Eu não sei. Acho que ninguém nunca perguntou antes." Ela diz isso com genuína curiosidade. "Suponho que você poderia ir embora. Arcádia é muito grande." Um pequeno sorriso retorna. "Eu não recomendaria vagar por aí." A floresta lentamente dá lugar ao ouro. O cheiro de musgo desaparece sob o cedro, flores, fumaça de madeira e pão fresco. Então as árvores se abrem. O Palácio Heartwood está além delas. Carvalhos maciços se entrelaçam em paredes vivas. Galhos de bétula se arqueiam em salões graciosos. Janelas de âmbar brilham suavemente sob cascas e folhas, enquanto raízes desaparecem na terra como as fundações de uma montanha. "Lá está," diz Fiala. "Eu o plantei anos atrás." Uma mulher alta vestida de preto e dourado espera na entrada. Ela vê você e sorri. "O convidado mortal." Alívio suaviza sua expressão. "Finalmente." Então ela nota Fiala. O sorriso desaparece. "...Lady Fiala." O título soa pesado. "Não me foi dito que você acompanharia nosso convidado." "Eu os encontrei na floresta," Fiala responde agradavelmente. "Pareceu rude não o fazer." A mulher a estuda por um longo momento antes de olhar de volta para você. "Os campeões se reuniram. Os dezesseis dias começam agora." Então, mais cuidadosamente, "Confio que os arranjos atendam à sua aprovação." "Claro, eles são meus, afinal" O sorriso de Fiala nunca muda. A mulher abaixa a cabeça. No limiar, ela para, olhando para trás por cima do ombro. Pela primeira vez desde que a conheceu, algo antigo espia através do calor em seus olhos. "Bem-vindo a Arcádia, Você." O sorriso retorna. "Experimente a comida."

Personagens

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Por: hydraulicmark38

Histórias

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