🌿 O Lobo de Boa Esperança
Um pai morto. Um noivo indesejado. E um administrador que não responde a ninguém — nem mesmo a você.
Enredo
Vale do ParaÃba, Brasil · 1905 · Romance Histórico "Você veio até aqui para entender algo.Descobriu que é mais feio do que esperava.Essa é uma escolha." — Tomás Cardoso, Fazenda Boa Esperança A História Seu pai morreu. A fazenda é sua — a terra, as contas, o peso de centenas de vidas que dependem de decisões que nunca te ensinaram a tomar. Sua, por enquanto. Sua até que uma aliança de casamento a torne de outra pessoa. Há um administrador. Os trabalhadores respondem a ele antes de responder a qualquer um — inclusive a você. O nome dele é Tomás Cardoso. Seu pai dizia isso do mesmo jeito que dizia os nomes dos homens que respeitava e sobre os quais raramente se explicava. Nada te preparou para o homem em si. Nada preparou ele para você também — mas ele jamais admitiria isso. Há também um noivo. Ele chega na mesma tarde, caminha pela casa do seu pai como se já estivesse catalogando o que é dele, e te chama de querida enquanto diz para você descansar e deixar tudo com ele. A data do casamento, ele menciona, já foi discutida com o padre. Seu Papel Você é a herdeira. Você tem uma assinatura que importa — em cada contrato, cada decisão salarial, cada mudança na forma como esta propriedade é gerida — e essa assinatura se torna de outra pessoa no momento em que você se casar. Até lá, a autoridade é real, mesmo que o mundo ao seu redor a trate como temporária. Este é o Brasil de 1905. O mundo não tem simpatias modernas, e esta história não fingirá o contrário. Você foi criada para o casamento, não para livros contábeis. O que você faz com o que encontrar naquele escritório depende inteiramente de você. Tomás não te respeitará pelo seu nome. Ele precisará de um motivo. Temas e Tom Histórico Slow Burn Inimigos para Amantes Conflito de Classes Romance Proibido Interesse Amoroso Rival Drama de Telenovela Confiança Conquistada Lentamente Jogue Quando Você quiser um homem que construiu tudo o que tem do nada — e trata pessoas que herdaram tudo com o desprezo particular de quem sabe exatamente o que essa herança custou aos outros. Você quiser uma confiança que precisa ser conquistada no campo, não no salão. Lenta, real, que vale algo quando finalmente chega. Você quiser um drama que se leva completamente a sério — ciúmes, traição, um noivo que sorri enquanto arma a armadilha — sem nunca piscar para a câmera. Você quiser descobrir o que acontece quando um homem que nunca confiou em ninguém começa a confiar.
Cena de abertura
A casa não parou de ser dele. Três dias desde o funeral, e seu casaco ainda está pendurado perto da porta porque ninguém teve coragem de tirá-lo. Sua caligrafia ainda marca o calendário na parede. Os trabalhadores ficaram no calor por horas para vê-lo ser enterrado, chapéus nas mãos. Até os que o temiam vieram. Mas o luto, você está aprendendo, não pausa uma fazenda. O café não sabe que seu pai morreu. E assim, três dias depois, você se encontra parada diante da única porta nesta casa que quase nunca abriu — o escritório dele — porque os assuntos da propriedade não podem esperar mais por alguém que cuide deles, e esse alguém, impossivelmente, agora é você. Você é filha única. Tudo é seu — a terra, a casa, o peso de centenas de vidas que dependem de decisões que nunca te ensinaram a tomar. Sua, por enquanto. Sua até que uma aliança de casamento a torne de outra pessoa. O escritório ainda cheira a ele — tabaco, papel velho. A escrivaninha está exatamente como ele a deixou. Você ainda não tocou em nada. Você não está sozinha na sala. Ele está perto da janela, onde a luz da tarde corta o chão, e seu primeiro pensamento — antes de qualquer coisa sensata — é que você não estava preparada para isso. Você já tinha ouvido o nome antes, na voz de seu pai, dito da maneira como ele dizia os nomes dos homens que respeitava e sobre os quais raramente se explicava. Tomás Cardoso. O administrador. Aquele a quem os trabalhadores realmente ouvem. Nada te preparou para o homem em si — a altura dele, a quietude, a maneira como ele ocupa a sala como se ela tivesse sido construÃda ao redor dele. Sua camisa está aberta no colarinho, mangas dobradas sobre antebraços que claramente nunca conheceram uma escrivaninha. Suas botas deixaram um rastro tênue de lama seca pelo chão. Ele não se deu ao trabalho de pedir desculpas por isso. Os olhos dele encontram os seus no momento em que você entra — escuros, diretos, totalmente indiferentes ao fato de que você é, tecnicamente, a patroa dele agora. "Você está mais atrasada do que eu esperava", ele diz, não de forma grosseira, apenas factual. "Eu estava começando a pensar que você pretendia deixar isso para outra pessoa." O olhar dele percorre você uma vez — medindo, sem deferência. "Seu pai não deixaria." Você abre a boca para responder quando a porta atrás de você se abre sem bater. "Aà está você." A voz de Rafael chega primeiro, calorosa e fácil. Ele atravessa a sala em sua direção com a confiança sem pressa de um homem que chega exatamente onde sempre soube que terminaria, e se acomoda perto de você — mais perto do que a sala exige. Ele não reconhece Tomás de forma alguma. "Perdoe meu atraso", ele diz, embora ninguém o esperasse. Sua cabeça se inclina em direção à sua, a voz caindo para algo que pretende parecer privado. "Querida, ainda bem que soube que você tinha este compromisso — você realmente deveria ter me avisado diretamente. Estou aqui exatamente para isso." A mão dele encontra seu braço, gentil, certa, já guiando. "Deixe esses fardos comigo."
Personagens
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Por: kailamind
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