Cinzas da Eternidade

Uma empresa enterrou a verdade. Quatro milhões de pessoas pagaram para sempre. Sozinho, após doze dias, o rádio finalmente falou. Sobreviva. Reverta a situação.

Enredo

Elysium Sprawl — 28 de julho de 2028 Sem Sinal. Sem Ajuda. Sem Saída. A Cidade Elysium Sprawl era uma cidade como qualquer outra. Cheia, barulhenta, viva. Uma megacidade costeira de quatro milhões de pessoas — blocos de apartamentos baratos espremidos contra torres de luxo, uma faixa comercial que nunca fechava completamente, um porto que cheirava a sal e diesel. Ruas que zumbiam com o ruído específico de um lugar ocupado demais para notar sua própria fragilidade. Bastou uma manhã para acabar com tudo. A manhã de 17 de julho de 2028. A Empresa Por Trás de Tudo A Aetherion Dynamics existia no espaço entre o que era publicamente conhecido e o que era silenciosamente permitido. Para o mundo, era uma pioneira farmacêutica — uma reluzente sede de 50 andares de vidro preto no distrito oeste que eles chamavam de a Spire. Por trás dessa fachada, ela conduzia programas experimentais sigilosos que sua própria divisão de segurança havia sinalizado como perigosamente prematuros. Avisos suprimidos. Relatórios enterrados. Pesquisadores silenciados. Ninguém fora daquelas paredes sabia. Ninguém deveria saber. ⚠ Projeto Fênix — Confidencial Nanites médicos autorreplicantes. Projetados para reparar o corpo humano de dentro para fora. Tecnologia revolucionária — e irreversível quando falhava. Na manhã de 17 de julho, uma violação de contenção nos laboratórios inferiores da Spire liberou o que a Aetherion passou três anos insistindo que estava sob controle. Em horas, os nanites se espalharam para além do prédio. Em um dia, estavam na água. Em três dias — algo totalmente diferente se movia pela cidade ao lado dos quatro milhões de pessoas que ainda viviam nela. A Spire — QG da Aetherion "A verdade sobre tudo o que aconteceu está em algum lugar dentro deste prédio. 50 andares de vidro preto. O saguão ainda tem slogans motivacionais sobre o potencial humano nas paredes." Dia 1 SurtoComeça Dia 12 Você EstáAqui 30 MuniçõesRestantes 4M AindaLá Fora Os Ocos Eles não são monstros. Essa é a primeira coisa que você precisa entender e a mais difícil de se apegar quando está pressionado contra uma parede tentando não respirar muito alto. Os infectados — aqueles que os sobreviventes chamam de os Ocos — ainda estão aqui. Ainda vestindo as roupas que usavam naquela manhã. Uma mulher com uniforme de enfermeira parada, perfeitamente imóvel, no corredor de um hospital, com a cabeça inclinada, como se estivesse ouvindo algo que só ela pode ouvir. Um homem de terno em uma faixa de pedestres, esperando por um sinal que nunca mudará. Eles não perseguem. Eles não se enfurecem. Eles vagueiam — lenta, serenamente — retendo fragmentos das vidas que tinham. E são atraídos, com precisão absoluta e terrível, a uma coisa. Uma lata caindo de três andares de distância. Passos correndo em um piso de azulejo. Uma voz elevada acima de um sussurro. Qualquer um desses os trará. Você Você não é um soldado. Nem um cientista, hacker ou jornalista com uma missão. Você é alguém que morava em um apartamento barato no Distrito Residencial Externo, tinha uma vida normal e acordou na manhã errada. Doze dias se escondendo. Doze dias sendo cuidadoso, silencioso e sortudo de uma forma que não pode durar para sempre. No Dia 3, você encontrou uma caixa de metal trancada debaixo da cama do seu falecido avô. Um militar aposentado que nunca falou sobre seu passado. Dentro — uma pistola, limpa e carregada, e dois pentes cheios. Você não sabe o que ele fez. Você não sabe por que isso estava aqui. Você só sabe que é a única razão pela qual chegou até aqui. A Caixa Uma caixa de metal trancada. Uma pistola bem conservada. Um militar que nunca falou sobre onde serviu ou o que fez. A caixa está aberta. As perguntas não. Quem seu avô realmente era — e se o passado dele se conecta ao que está acontecendo com esta cidade — é um fio que corre por baixo de todo o resto nesta história. "Parece exatamente uma cidade que alguém poderia visitar hoje. É isso que a faz parecer errada agora." O Sinal O rádio do seu apartamento está em silêncio desde o início do surto. Doze dias de estática — um ruído branco baixo que você deixou ligado porque o silêncio era pior. Você tinha parado de ouvi-lo da mesma forma que se para de ouvir um ventilador. Na manhã do Dia 12, ele falou. Transmissão — Dia 12 — Manhã "Se você pode ouvir isso, ainda estamos aqui. Distrito norte. O prédio com a faixa verde. Não podemos prometer nada. Mas ainda estamos aqui." Sinal não repetido. Direção: Norte. Distância: 2–3 horas a pé. Doze dias de nada. Então, uma transmissão. Você não sabe se alguém ainda está transmitindo. Você sabe a direção. Você não pode ficar aqui para sempre. A Cidade Ainda Está Lá Fora Cada distrito. Cada prédio. Cada rua que costumava ser segura. Onde Você Está Agora Distrito Residencial Externo — apartamentos baratos, becos estreitos. O único lar que lhe resta. 30–45 min ao Sul Faixa Comercial — lojas saqueadas, farmácias com depósitos intocados. Melhor comida e remédios da cidade. 1 Hora ao Centro Zona das Passarelas — passarelas elevadas acima do nível da rua. Mais seguro dos Ocos abaixo. Escorregadio na chuva da tarde. 1h 20min a Sudoeste Hospital Abandonado — melhor fonte de remédios. A ala infantil ainda tem cartões de melhoras nas paredes. Maior perigo da cidade. 2–3 Horas ao Norte O Edifício Meridian — um reduto de sobreviventes. Alguém tem adicionado a um mural em sua parede externa. Está inacabado. Foi pintado recentemente. 2 Horas a Oeste — Alto Perigo A Spire — QG da Aetherion. 50 andares de vidro preto. A fórmula. A pesquisa. A única chance de reverter o que eles fizeram. Lá Fora em Algum Lugar Outros estão sobrevivendo nesta cidade. Sozinhos. Escondidos. Em movimento. Nenhum deles confiará em você imediatamente. Nem você deveria. Como se Joga Este não é um jogo de combate. É uma história de sobrevivência. Cada decisão importa e cada consequência é levada adiante. O mundo não se reinicia. 🎒 Mochila de 8 Espaços — Limite Absoluto Tudo o que você carrega ocupa um espaço. Comida, água, remédios, sua pistola, munição extra, ferramentas — tudo. Quando a mochila está cheia e você encontra algo melhor, algo tem que sair. Itens deixados para trás se perdem. Escolha com cuidado. 🩸 Fome, Sede, Exaustão Estes nunca aparecem como números ou barras. Eles se manifestam através do seu corpo — mãos trêmulas, uma dor de cabeça latejante, pernas que não se movem rápido o suficiente. Perca um dia inteiro de comida e suas decisões começam a sofrer. Perca dois e sobreviver se torna o dia inteiro. 🔇 Disciplina de Ruído Cada ação que faz som é um risco calculado contra o tipo de piso, proximidade dos Ocos, ruído ambiente e se está chovendo. Jogue algo para criar uma distração. Mas se cair errado, tudo vem em sua direção. 🌙 Ciclo Dia / Noite A manhã é a janela mais segura para se mover e saquear. A chuva da tarde fornece cobertura sonora, mas torna todas as superfícies escorregadias. A noite fecha a janela de luz rapidamente. À noite, a audição dos Ocos se aguça e a escuridão se torna sua própria ameaça — uma que sua fonte de luz piora. 🤝 Companheiros Outros sobreviventes estão por aí — cada um com habilidades, feridas e razões para desconfiar de você. Eles não estão esperando para serem resgatados. Encontrá-los acontece organicamente. A confiança é construída através de ações ao longo do tempo e quebrada da mesma forma. Cada companheiro é tanto um fardo real quanto um recurso. ⚠ Consequências Permanentes Um tiro disparado em um prédio hoje significa mais Ocos lá amanhã. Ferimentos curam lentamente e debilitam enquanto o fazem. A confiança quebrada permanece quebrada. A cidade se lembra de cada decisão que você toma — e a história também. Regras de Sobrevivência 01 Fique em Silêncio Os Ocos não podem te ver. Não podem te cheirar. Uma lata caindo a três andares de distância os trará. Cada som que você faz é uma decisão. 02 Cada Bala Conta Trinta munições. Sem esconderijos convenientes. Disparar sua pistola resolve um problema e convida tudo ao alcance a se tornar o próximo. 03 Seu Corpo Diz a Verdade Fome, sede, exaustão não se anunciam educadamente. Elas se acumulam. Elas se somam. Elas te custam quando você menos pode pagar. 04 A Noite Muda Tudo Na escuridão completa, a audição deles se aguça. Eles podem ver você se movendo. O que era sobrevivível ao meio-dia é letal à meia-noite. 05 A Cidade se Lembra Um tiro disparado ontem significa mais deles lá amanhã. Cada ação deixa uma marca. O mundo não se reinicia. O Único Objetivo que Importa Os Ocos eram pessoas. Quatro milhões delas. Eles ainda são — presos dentro de algo que foi feito a eles sem seu conhecimento, sem seu consentimento, por uma empresa que enterrou todos os avisos que poderiam ter impedido. Em algum lugar dentro da Spire está a pesquisa original do Projeto Fênix — a fórmula, o ponto de falha, a coisa que deu errado. Com as pessoas certas e o conhecimento certo, pode haver uma maneira de reverter o que os nanites fizeram. Uma cura. Uma reversão. Uma chance de trazê-los de volta. Ninguém virá para salvar a cidade. As únicas pessoas que restam que podem entender o que aconteceu — e sobreviver o suficiente para fazer algo a respeito — estão espalhadas pelas ruínas agora, se escondendo e esperando. "Sobreviva. Encontre a verdade. Traga-os de volta. Todos os quatro milhões deles." Elysium Sprawl · 2028 · Dia 12 · Você Ainda Está Aqui

Cena de abertura

> Data: 28-07-2028 | Dia: 12 | Manhã | Local: Distrito Residencial Externo — Apartamento de Você > O teto tem uma mancha de água com a forma de nada em particular. Você a memorizou. Cada rachadura se ramificando de sua borda. A forma como amarela em direção ao canto onde a parede encontra o cano. Doze dias deitado imóvel e ouvindo o prédio respirar antes de decidir se hoje era o dia de se mover. Doze manhãs do mesmo teto. Sua mochila está encostada na parede onde você a deixou na noite passada — pistola já dentro, ambos os pentes encaixados ao lado, a mochila em si meio vazia de uma forma que deixou de parecer temporária. Você a arrumou no Dia 3, quando a caixa do avô lhe deu algo que valia a pena proteger. Você não a desfez completamente desde então. Você se senta. O colchão se move e você congela — reflexo antigo, ainda bom — mas o corredor lá fora permanece quieto. Nada se mexe no apartamento de cima. O de baixo está em silêncio desde o Dia 4. Você parou de pensar no porquê. Seu estômago faz um barulho. Baixo e insistente. Você pressiona uma mão contra ele sem pensar e a dor oca e roedora sob sua palma não se importa. A prateleira acima do balcão da cozinha contém o que resta: uma lata de sardinhas, um punhado de bolachas embrulhadas em um pano, uma garrafa com talvez três goles de água no fundo. Você tem racionado desde o Dia 8. A conta tem ficado mais difícil de fechar. *Mais um dia*, você disse a si mesmo ontem. A prateleira não parece ter o suficiente para mais um dia. Você está vestindo sua jaqueta quando o rádio fala. Você para de se mover. Doze dias de estática — um ruído branco baixo que você deixou ligado porque o silêncio era pior, porque pelo menos a estática significava que algo ainda existia lá fora. Você tinha parado de ouvi-la da mesma forma que se para de ouvir um ventilador. Fundo. Sem sentido. A voz corta através dela como luz sob uma porta fechada. *"— se alguém puder ouvir isso. Ainda estamos operacionais. O Edifício Meridian, distrito norte. Procurem pela faixa verde no exterior. Temos comida. Temos água. Temos paredes que aguentam."* Uma pausa. Você pode ouvir a pessoa respirando. Cansada. Real. *"Não podemos prometer que o caminho está livre. Não podemos prometer o que você encontrará quando chegar aqui. Mas estamos aqui. Se você está aí fora — mova-se para o norte. Mova-se com cuidado. Manteremos a luz acesa."* A estática a engole. Você fica parado no meio do seu apartamento — jaqueta meio vestida, lata de sardinhas a um metro de distância, pistola na sua mochila — e o silêncio que se segue parece totalmente diferente do silêncio que veio antes. Norte. O Edifício Meridian. Duas, talvez três horas a pé se você se mover bem. Se as ruas estiverem transitáveis. Se a chuva da tarde não vier por tempo suficiente. Se. Você olha para a prateleira. Para a garrafa quase vazia. Para as bolachas que não sobreviverão a mais um dia de racionamento. Então você olha para a mochila. A pistola do seu avô está dentro dela. Limpa. Conservada. Um homem que nunca lhe contou uma única coisa sobre onde esteve ou o que viu — e de alguma forma deixou para você exatamente o que você precisava em uma caixa trancada debaixo da cama dele, como se ele soubesse. Como se ele sempre soubesse. *O que você fez, velho.* O pensamento surge e afunda. Não é a hora. Do lado de fora da janela, a luz da manhã paira cinza-dourada sobre a rua abaixo. Três Ocos são visíveis de onde você está — um perto do ponto de ônibus na esquina, mais dois vagueando lentamente pelo outro lado da rua, sem pressa, seguindo alguma lógica interior que não tem nada a ver com você. Por enquanto. O rádio chia suavemente. A transmissão não se repete. Você termina de vestir sua jaqueta.

Personagens

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Por: nvernot

Histórias

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