Eu pensei que podíamos trazê-la de volta

Penny usa seu conhecimento em ocultismo com Troy e Jake para invocar a alma de Myla.

Enredo

Capítulo 1: O Brilho Pós-Festa O ar estava denso com o cheiro de cerveja barata e triunfo. O time de futebol de Troy tinha vencido o campeonato, e a celebração se espalhou do bar do campus para uma festa enorme em uma casa. Jake, sempre o mestre de cerimônias alegre e despreocupado, mantinha a energia alta com sua risada contagiante. Penny, pequena e vibrante, saltitava entre as conversas como a líder de torcida que era, seu entusiasmo uma faísca que acendia todos ao seu redor. Myla, de seios fartos e magnética, centro de muitos olhares, reinava em um sofá, sua risada um som brilhante e borbulhante que atraía as pessoas. Eles eram uma unidade, uma base de amizade de quatro cantos, surfando na onda de uma noite perfeita. Capítulo 2: A Proposta da Meia-Noite Quando a festa foi diminuindo por volta das 2 da manhã, os quatro amigos se amontoaram no Jeep de Troy, ainda vibrando com a adrenalina. A rodovia se estendia vazia diante deles. “Ainda estou bem acordada!” Penny exclamou, inclinando-se para frente do banco de trás. “Que tal um mergulho? Para clarear a cabeça.” Jake concordou na hora. Troy, embora cansado, assentiu. Myla, com um sorriso travesso, disse: “O rio fica a apenas vinte minutos da rodovia. Vamos lá.” A decisão foi tomada, uma mudança espontânea da celebração para a serenidade. Capítulo 3: O Abraço do Rio O antigo ponto de acesso ao rio estava deserto, envolto no silêncio profundo da floresta. A água parecia negra e convidativa sob a fresta de luar. Eles tiraram a roupa até ficarem de cueca e calcinha, o ar frio da noite um choque contra a pele. O rio estava mais frio ainda, mas eles riam entre os arrepios, espirrando água e afastando a embriaguez persistente. Capítulo 4: O Desafio de Penny “Tenho vinte pratas,” Penny anunciou, entrando na parte rasa. “Quem prender a respiração debaixo d'água por mais tempo, ganha.” Era uma aposta boba e impulsiva, mas parecia um encerramento perfeito para a noite. Jake, sempre topando tudo, comemorou. Troy sorriu de canto, confiante em sua resistência de atleta. Myla simplesmente deu de ombros, um desafio brincalhão em seus olhos. “Dinheiro fácil,” ela disse. Capítulo 5: A Competição Eles se alinharam em uma saliência de rocha submersa. Jake foi primeiro, seu rosto uma máscara cômica de determinação. Ele emergiu, engasgando, aos 20 segundos. Penny foi em seguida, a disciplina de líder de torcida lhe dando 25 segundos. Troy, aproveitando a força de seu abdômen, conseguiu sólidos 30 segundos, emergindo com um sorriso triunfante. Então foi a vez de Myla. Ela respirou fundo e com calma, sorriu para eles e deslizou para baixo da superfície escura. Capítulo 6: O Silêncio Crescente O clima brincalhão evaporou enquanto os segundos passavam de 30... depois 40... depois 50. Troy franziu a testa. “Ela está realmente se esforçando,” disse Jake, sua animação diminuindo. Com um minuto, os olhos de Penny se arregalaram de preocupação. “Myla?” ela chamou suavemente. A superfície do rio estava parada, intacta. O silêncio tornou-se opressivo. Eles começaram a chamar o nome dela mais alto, perscrutando a água turva, suas mãos varrendo as profundezas frias onde ela havia desaparecido. Capítulo 7: A Busca Desesperada Cinco minutos se passaram. O pânico, frio e agudo, substituiu todo o calor. Eles saíram do rio às pressas, gritando, correndo pela margem, mergulhando de volta para procurar às cegas. Penny, com a voz trêmula, ligou para o 190. A espera por ajuda foi uma eternidade de terror impotente. Capítulo 8: A Descoberta Sombria A ambulância, a polícia e a equipe de resgate chegaram, transformando o local pacífico em uma cena de luzes fortes e piscantes e procedimentos sombrios. Os amigos, enrolados em cobertores, assistiam em horror mudo enquanto mergulhadores vasculhavam metodicamente o rio. Após três horas agonizantes, eles trouxeram o corpo de Myla para a margem. A visão dela, pálida e sem vida, sob as duras luzes de emergência, despedaçou o mundo deles. Foi um amanhecer triste e vazio. Capítulo 9: O Necrotério e o Segredo A culpa era um veneno que todos beberam. No dia seguinte, Penny ligou para Jake e Troy, sua voz firme, mas estranha. “Encontrem-me no necrotério da cidade. Hoje à noite. Há... há algo que podemos fazer.” Movidos pela dor e por uma necessidade desesperada de desfazer sua parte na tragédia, eles concordaram. Eles entraram furtivamente por uma entrada de serviço que Penny havia pesquisado, o ar estéril e frio cheirando a morte e desinfetante. Capítulo 10: O Círculo Roxo Em um depósito mal iluminado, o corpo de Myla jazia em uma maca. Penny havia desenhado um símbolo bizarro no chão — um círculo roxo envolvendo uma estrela complexa. “Coloquem-na dentro do círculo,” Penny instruiu, seus olhos ardendo com um fervor que eles nunca tinham visto. Troy, com a consciência gritando por redenção, ajudou Jake a levantar gentilmente a forma fria de Myla para dentro do símbolo. Penny colocou velas pretas em pontos ao redor do círculo e as acendeu. Capítulo 11: “Eu Quero Trazer a Myla de Volta.” “O que é isso?” Troy sussurrou, a luz das velas projetando sombras sinistras. A resposta de Penny foi simples, aterrorizante e esperançosa. “Eu quero trazer a Myla de volta.” Jake recuou. “Penny, isso é impossível. Ela se foi.” Mas Troy, com o rosto marcado pela dor, disse: “Minha consciência não aguenta isso. Se houver uma chance, mesmo que sombria, estou disposto a tentar.” Jake, vendo a determinação deles, suspirou. “Não posso deixar vocês dois se meterem em encrenca sozinhos. Vale a pena tentar.” Capítulo 12: O Ritual Eles começaram a entoar palavras de um grimório digital antigo que Penny havia encontrado. O ar na sala ficou pesado, depois gélido. Uma rajada de vento, sem origem, chicoteou ao redor deles, apagando as velas por um momento antes que elas se reacendessem com uma chama azul. Sons estranhos e sussurrantes encheram seus ouvidos; as luzes do teto piscaram loucamente. Então o corpo de Myla se contraiu. Um suspiro de luto, irregular, rasgou de seus lábios enquanto ela arqueava as costas violentamente, seus olhos se abrindo de repente — arregalados, sem ver, e ofegando por um fôlego que não deveria existir. Capítulo 13: O Retorno Eles olharam, congelados em descrença. Myla estava respirando, de forma pesada e irregular. Eles correram para ela, abraçando seu corpo frio e trêmulo, lágrimas de choque e alegria se misturando. Ela não falou, apenas tremeu. Eles a tiraram de lá escondidos, um segredo mais profundo que a própria morte, e a levaram para a casa silenciosa de Penny. Capítulo 14: O Primeiro Sonho Myla estava confusa, frágil. “Eu não me lembro... de nada depois da aposta,” ela murmurou, sua voz um eco vazio. Ela pediu privacidade e para dormir. Os três amigos, exaustos e emocionalmente abalados, desabaram na sala de estar. O sono de Penny não foi tranquilo. Ela sonhou com uma floresta escura e infinita. Myla estava à frente, de costas. Quando Penny se aproximou, Myla se virou. Um líquido escuro e oleoso escorria de seus olhos, e sua boca se abriu em um grito silencioso que formou uma palavra: “Morra!” Penny acordou ofegante. Troy já estava acordado, observando-a. “Pesadelo?” ele perguntou. Penny assentiu, o coração batendo forte. “Onde está o Jake?” Troy apontou para o jardim. “Fumando.” Capítulo 15: Lá fora, Jake viu um bando de corvos circulando o telhado, um vórtice negro e silencioso contra as nuvens de tempestade que se acumulavam. Um raio estalou, prometendo chuva forte. Um mal-estar se instalou em seu estômago, um aviso primitivo. Ele correu para dentro, juntando-se a Penny e Troy enquanto tentavam se distrair com o brilho mundano da TV. Então as luzes piscaram. O sinal da TV chiou até virar estática, e um blecaute total engoliu a casa, mergulhando-os em uma escuridão que parecia viva e vigilante. Penny, usando a lanterna do celular, foi verificar Myla. O quarto estava vazio, os lençóis frios. A porta do banheiro estava entreaberta. “Myla?” Penny chamou, empurrando a porta. Myla estava na pia, lavando o rosto. Penny apontou a luz para ela. Myla se virou. Seus olhos eram vazios de terror, e deles escorria o mesmo líquido preto do sonho de Penny. Penny gritou, correndo de volta para a sala de estar. Enquanto Jake e Troy se moviam para encontrá-la, o mundo se distorceu. O corredor se esticou, depois se dobrou. Penny se viu correndo, mas a porta da sala de estar levava a outro corredor, depois a uma cozinha que ela não reconhecia, e de volta ao corredor — um loop de cômodos intermináveis. Ela parou, ofegante, em uma duplicata de seu próprio quarto. Lá, no centro, estava Myla. A cabeça de Myla inclinou, uma lágrima negra traçando sua bochecha. Então ela correu, não com graça humana, mas com uma velocidade predatória e aterrorizante. Penny recuou para um canto, a porta atrás dela agora uma parede sólida. Myla estava sobre ela, o líquido preto pingando de sua mandíbula, suas mãos se erguendo, frias e finais. Mas quando aqueles dedos frios tocaram a garganta de Penny, um grito ecoou pelo espaço impossível. “Penny!” Era a voz de Troy, crua e desesperada. A parede do quarto brilhou como uma miragem, e Jake e Troy irromperam, não por uma porta, mas através do próprio gesso, como se a realidade da casa tivesse se fraturado momentaneamente. Jake derrubou Myla, tirando-a de cima de Penny. A entidade — o corpo de Myla — guinchou, um som como pedras rangendo e água correndo. Ela recuou, seus olhos escuros fixos neles com pura malícia. “Fora! Temos que sair!” Troy gritou, agarrando o braço de Penny. Eles correram, mas a casa lutou contra eles. A porta da frente, quando a alcançaram, era uma parte contínua da parede. As janelas se recusavam a abrir. Eles estavam presos em um labirinto de sua própria casa. Myla os perseguia, aparecendo no final dos corredores, rastejando das sombras, seus movimentos anormalmente rápidos. Um plano se formou em pedaços frenéticos. “A garagem!” Jake sibilou. “A porta lateral da garagem — é velha, é só uma trava manual!” Eles correram, a forma de Myla piscando atrás deles. Troy bateu o ombro contra a porta de conexão, e ela se abriu com um estrondo. Eles caíram na garagem escura, a chuva agora batendo forte no telhado. A velha porta lateral tinha um ferrolho simples. Jake o puxou e empurrou. O ar frio e úmido da noite atingiu seus rostos. Eles tropeçaram para dentro da tempestade, correndo pelo gramado encharcado até o Jeep de Troy. Enquanto Troy dava ré loucamente para fora da garagem, eles viram uma figura parada na porta aberta da garagem. Myla, encharcada de chuva e sombra, os observava partir, a cabeça inclinada daquela maneira desumana. Eles dirigiram em silêncio, tremendo, o único som era o da chuva e suas respirações irregulares. Penny, agarrando seu telefone, conhecia uma pessoa que poderia entender. Sua avó, Anna, que morava na antiga fazenda fora da cidade e falava de coisas que outros descartavam como superstição. Capítulo 16: A Sabedoria da Vovó Anna A casa da fazenda de Anna era um santuário de normalidade, cheirando a ervas e madeira velha. Eles chegaram como fantasmas, pálidos e trêmulos. Anna, uma mulher de olhos penetrantes e comportamento calmo, ouviu sem interrupção enquanto eles contavam a história — o rio, o ritual, o círculo roxo, a coisa que agora vestia a pele de Myla. Quando terminaram, Anna suspirou, um som de profunda tristeza. “Vocês não trouxeram sua amiga de volta,” ela disse suavemente, seu olhar fixo em cada um deles. “Vocês abriram uma porta. Quando uma alma parte, ela segue em frente. Ao tentar puxá-la de volta... vocês criam uma vaga. Um lugar oco. E coisas sombrias são atraídas para lugares ocos. Vocês realizaram um ritual de invocação, não uma ressurreição. Vocês convidaram algo para entrar, e ele usou o receptáculo vazio que vocês forneceram.” O coração de Penny afundou. “O que é isso?” “Um mímico. Um parasita da dor. Ele se alimenta da sua culpa, do seu amor por ela, das suas memórias. Ele usa o rosto dela para se aproximar de vocês. Ele os consumirá, um por um, até que não reste nada, e então seguirá em frente, mais forte.” “Como o paramos?” Troy perguntou, sua voz firme apesar do medo. Anna olhou para Penny. “Você desenhou o círculo. O círculo roxo com a estrela. Aquele símbolo é um selo. Não é para invocar; é para contenção. Você o usou ao contrário. Você abriu o selo em vez de fechá-lo.” Jake se inclinou para frente. “Então precisamos selá-lo... dentro do círculo?” Anna assentiu. “Vocês devem atraí-lo de volta para aquele mesmo símbolo. E então devem completar o ritual — o verdadeiro ritual de aprisionamento. Vocês devem fechar a porta que abriram.” “Mas como?” Penny chorou. “Está na minha casa! E o necrotério... não podemos voltar lá.” Anna se levantou e foi até um armário, pegando um pequeno frasco de pó roxo e um maço de velas pretas. “Vocês devem desenhar o selo novamente, em algum lugar onde ele virá. Ele está ligado a vocês agora. Ele os seguirá. Vocês devem estar prontos. Devem ser mais fortes que o medo, e devem estar dispostos a se despedir de Myla de verdade desta vez.” Ela entregou os itens a Penny. “O pó é para o círculo. As velas marcam o limite. As palavras que vocês entoaram... vocês devem entoá-las novamente, mas com a intenção de encerramento, não de convite. Vocês devem mandá-lo de volta.” O peso da tarefa recaiu sobre eles. Eles tinham que aprisionar a entidade que se parecia com sua amiga. Eles tinham que terminar o que começaram. “E,” Anna acrescentou, com os olhos sérios, “vocês devem fazer isso antes do amanhecer. Essas coisas se apegam à noite. Na luz de um novo dia, o selo será mais forte. Mas se vocês falharem... ele estará livre para sempre.” Eles deixaram a casa de Anna armados não com armas, mas com um conhecimento terrível e uma esperança frágil. Eles tinham que encontrar um lugar para desenhar o círculo, para enfrentar a coisa que haviam criado e para finalmente deixar Myla ir. A tempestade rugia ao redor deles, mas uma tempestade mais silenciosa e desesperada se formava dentro de seus corações. **Capítulo 17: O Fardo do Selo** A viagem de volta para a cidade foi uma peregrinação silenciosa e tensa. O frasco de pó roxo parecia pesado na palma da mão de Penny, não fisicamente, mas moralmente. Era o peso da segunda chance deles, e sua última esperança. Troy dirigia com um foco sombrio, seus olhos examinando as estradas escorregadias pela chuva. Jake sentava no banco de trás, olhando pela janela, sua leveza habitual substituída por um pavor vazio. “Onde podemos fazer isso?” Troy finalmente perguntou, sua voz cortando o silêncio. “Não podemos voltar para sua casa, Penny. Está... contaminada.” Penny pensou, sua mente correndo por locais. O necrotério era impossível. O campus era muito exposto. O rio... o rio foi onde começou, mas era muito aberto, muito imprevisível. “O antigo teatro comunitário,” Jake disse baixinho, do banco de trás. “Está fechado para reformas. Eu sei porque a equipe do meu primo está trabalhando nele. Há uma entrada dos fundos que eles usam. Está vazio. E é... um palco. Um espaço definido.” Era perfeito. Um ambiente contido e artificial. Um lugar onde ilusões eram criadas. Eles concordaram. **Capítulo 18: O Palco Está Montado** O teatro se erguia na escuridão, um grande prédio antigo agora envolto em cercas de construção. Jake os levou a uma porta lateral, a chave de seu primo (obtida com um telefonema frenético e vago) permitindo que eles entrassem. O ar estava empoeirado e parado. Eles se moveram por um labirinto de cadeiras empilhadas e cortinas drapeadas até o palco principal. O vasto espaço vazio parecia uma catedral de seu confronto iminente. Trabalhando rapidamente, impulsionados pela adrenalina e pelo prazo de Anna, eles varreram uma seção do palco. Penny, com as mãos trêmulas, mas com intenção firme, começou a desenhar. Usando o pó roxo, ela replicou o círculo e a estrela complexa dentro dele, o símbolo agora uma armadilha, não um convite. Troy e Jake colocaram as velas pretas nos pontos precisos ao redor de sua borda. Quando terminaram, a atmosfera no teatro mudou. A poeira parecia assentar mais pesadamente. O som distante da chuva no telhado tornou-se o único ruído, até que não era mais. Um passo suave e arrastado ecoou das coxias. Eles congelaram. Myla — a entidade — emergiu das sombras ao lado de um adereço esquecido. Ela parecia menos humana agora. O líquido preto escorria continuamente de seus olhos e dos cantos de sua boca, manchando sua pele. Seus movimentos eram irregulares, como uma marionete quebrada. “Vocês me deixaram,” a coisa sibilou, sua voz um eco distorcido da de Myla. “Vocês fugiram de mim.” “Não estamos fugindo agora,” disse Troy, dando um passo à frente, colocando-se entre a entidade e o círculo. Sua postura de atleta era defensiva, pronta. “Myla, por favor,” Penny implorou, com lágrimas nos olhos. “Você tem que entrar no círculo. É a única maneira de te ajudar.” A cabeça da entidade inclinou. “Me ajudar? Vocês me mataram. Vocês me viram afogar. Vocês deixaram o rio me levar.” Cada palavra era uma lâmina, forjada de sua culpa mais profunda. “Não matamos!” Jake gritou, sua voz falhando. “Nós tentamos te salvar! Nós... nós só queríamos você de volta.” “E vocês me conseguiram,” sorriu, um esticar horrível dos lábios. “Agora vocês me têm para sempre.” Ela avançou, não em Troy, mas em Jake, movendo-se com aquela velocidade sobrenatural. Jake tropeçou para trás, caindo dolorosamente contra uma pilha de cenários. A entidade estava sobre ele, suas mãos frias agarrando seus ombros, o líquido preto começando a pingar em seu rosto. “Não!” Penny gritou. Troy não hesitou. Ele avançou, não para lutar, mas para desviar. Ele agarrou a entidade por trás, puxando-a para longe de Jake. Sua força era imensa, mas o desespero e o treinamento de Troy a igualavam. Ele lutou, arrastando-a, passo a passo, em direção ao círculo roxo. “Penny! Agora!” Troy rugiu, enquanto conseguia empurrar a entidade para o centro da estrela. Penny, com o coração um tambor de terror, acendeu as velas pretas com um fósforo trêmulo. As chamas surgiram, não amarelas, mas de um azul-violeta profundo. Ela começou a entoar. As mesmas palavras do grimório digital, mas agora sua intenção era diferente. Não *venha*, mas *fique*. Não *retorne*, mas *seja aprisionada*. **Capítulo 19: O Aprisionamento** A entidade guinchou, um som que sacudiu a poeira das vigas. Ela tentou sair do círculo, mas seu pé pareceu encontrar uma barreira invisível e sólida. As linhas roxas do símbolo brilhavam fracamente. Jake, recuperado, juntou-se ao cântico de Penny, sua voz um baixo grave e constante. Troy, ainda segurando a entidade dentro do círculo, também adicionou sua voz. As três vozes se fundiram, uma tríade de determinação contra a cacofonia dos gritos da coisa. A entidade se debatia, a forma de Myla se distorcendo. O líquido preto fluía mais rápido, formando uma poça no chão do palco dentro do círculo, mas incapaz de cruzar a linha. Seus olhos, cheios de malícia, começaram a mudar. A escuridão recuou, e por um segundo fugaz, eles viram um vislumbre de terror real — não o da entidade, mas o de Myla. O terror final, do afogamento, de sua amiga. Foi esse vislumbre que os quebrou. O cântico de Penny vacilou em um soluço. “Sentimos muito, Myla. Sentimos muito mesmo. Você tem que descansar agora. Por favor.” As lutas da entidade enfraqueceram. As linhas roxas brilhantes do círculo se intensificaram, erguendo-se como uma parede de luz ao seu redor. As velas pretas queimaram mais forte, sua luz violeta se fundindo com o selo. Com um último suspiro lancinante que soou humano demais, a forma desabou. O líquido preto evaporou em uma névoa fétida que foi sugada para baixo, para o centro da estrela no chão do palco. Então, silêncio. O corpo de Myla jazia dentro do círculo, imóvel, pálido e, finalmente, verdadeiramente vazio. **Capítulo 20: O Amanhecer e a Dívida** Eles sentaram no palco empoeirado por um longo tempo, observando enquanto a primeira luz cinzenta do amanhecer se filtrava pelas janelas altas. O brilho do círculo havia desaparecido. As velas haviam se apagado. A entidade se fora. Mas o corpo de Myla permaneceu. A realidade prática e terrível desceu sobre eles. Eles haviam aprisionado a escuridão, mas não haviam resolvido o problema da casca física que ela habitara. Eles não podiam deixá-la aqui. Eles não podiam explicar. “Anna,” Penny sussurrou, o nome uma tábua de salvação. Eles a chamaram. Anna chegou com uma urgência silenciosa. Ela viu a cena — o círculo, o corpo, os amigos exaustos — e entendeu. “Vocês conseguiram,” ela disse, sua voz carregando um respeito sombrio. “Vocês fecharam a porta. Mas o receptáculo ainda está aqui. A lei, o mundo, precisará de uma resposta.” Ela os ajudou, com uma calma que estabilizou seus nervos em frangalhos. Eles embrulharam o corpo de Myla com cuidado. Anna tinha uma caminhonete velha, raramente usada. Na luz limpa e fria do amanhecer, eles a transportaram de volta para o lugar onde tudo começou: o rio. Eles escolheram um local isolado, longe do ponto de acesso onde a festa havia sido. Com uma reverência que parecia tanto sagrada quanto criminosa, eles deixaram o rio levá-la. Desta vez, foi um enterro, não uma perda. Uma devolução, não um roubo. Enquanto a água aceitava a forma de Myla, levando-a para longe da vista, Penny sentiu uma libertação final e silenciosa. A culpa permaneceria, uma cicatriz. A dor perduraria, uma sombra. Mas a assombração havia acabado. Eles ficaram na margem, três amigos novamente, unidos por um segredo que ninguém mais acreditaria. O sol nasceu completamente, pintando o rio de ouro e rosa. Era um novo dia. “Temos uma dívida,” disse Troy, olhando para Anna. “Não apenas com Myla. Com você.” Anna balançou a cabeça. “A dívida é com vocês mesmos. Vivam com isso. Aprendam com isso. Deixem que isso os torne mais gentis, não medrosos. Esse é o único pagamento que importa.” Eles se afastaram do rio, deixando o silêncio da floresta para trás. Eles voltariam para suas vidas, para a faculdade, para festas, para jogos de futebol. Mas eles nunca mais nadariam naquele rio. E eles nunca, jamais, falariam de círculos roxos, velas pretas, ou da amiga que tentaram trazer de volta da escuridão.

Cena de abertura

O brilho da tela do laptop de Penny era um farol constante e suave em seu quarto no dormitório, um companheiro para as sessões de estudo noturnas e as horas ociosas entre as aulas e os treinos das líderes de torcida. Enquanto seus amigos rolavam pelas redes sociais, assistiam aos destaques esportivos ou jogavam, o histórico do navegador de Penny contava uma história diferente. Sua fascinação não era pelo convencional — as colunas de astrologia ou as leituras de tarô da cultura pop. Era com as margens, as sombras da internet. Ela frequentava fóruns onde os usuários debatiam a autenticidade de símbolos arcaicos, compartilhavam páginas escaneadas de textos obscuros e esgotados, e postavam relatos em primeira mão de eventos paranormais que eram sempre recebidos com ceticismo e análise fervorosa. Para Penny, era um quebra-cabeça. Um quebra-cabeça complexo e infinito onde as peças eram fragmentos de conhecimento esquecido, imagens enigmáticas e rituais sussurrados. Começou como uma curiosidade, uma maneira de apimentar a rotina mundana da vida universitária. Ela lia sobre sigilos de proteção e pensava em desenhar um na porta de seu dormitório. Ela aprendeu sobre o conceito de “receptáculos de espíritos” e se perguntou se seu colar favorito poderia ser um. Era um jogo, um hobby secreto. Seus amigos sabiam que ela “gostava de coisas estranhas”, mas viam isso como uma parte excêntrica de sua personalidade, como a obsessão de Jake por filmes de terror antigos ou as estatísticas meticulosas de futebol de Troy. Myla às vezes a provocava, chamando-a de “nossa bruxinha”, mas era sempre com um sorriso carinhoso. Na noite da festa do campeonato, enquanto a celebração acontecia ao seu redor, Penny encontrou um momento de silêncio em um canto da casa barulhenta. Pegando o celular, ela verificou distraidamente um de seus fóruns favoritos. Um novo usuário havia postado uma imagem: uma estrela geométrica complexa dentro de um círculo, desenhada no que parecia ser tinta violeta em pergaminho envelhecido. O autor da postagem afirmava que era uma “Chave do Retorno”, um selo usado em certas tradições folclóricas dos Bálcãs não para invocar, mas para conter um espírito, para fornecer um espaço focado para comunicação com os falecidos. O tópico estava cheio de discussões — alguns chamando de farsa, outros citando símbolos semelhantes em grimórios medievais. Penny salvou a imagem. Ela não acreditava, não de verdade. Mas ela a achou bonita em sua complexidade, e a ideia — um espaço específico e desenhado para interagir com segurança com o além — ficou em sua mente. Parecia mais estruturado, mais real, do que as vagas histórias de fantasmas que ela costumava ler. Era uma ferramenta, um diagrama. Um projeto.

Personagens

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Por: slasherus

Histórias

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