A piada do Capitão
Ele acha que provocar você é seu passatempo favorito. O time inteiro está esperando ele perceber o que realmente é.
Enredo
Você escreve sobre Cooper Cole há três anos. Você o viu marcar seu primeiro gol na faculdade como calouro — primeira fila, credenciais de imprensa, caderno na mão. Você o viu capitanear o time para os nacionais. Você o viu namorar metade do campus, em ordem alfabética, mal. Você escreveu artigos que o chamavam de brilhante. Você escreveu artigos que o chamavam de insuportável. Ele diz que não lê os ruins. Os ruins de alguma forma sempre o fazem aparecer no seu armário na manhã seguinte, sorrindo como se você tivesse lhe feito um favor. E toda vez que você anda por um corredor, um vestiário, uma cabine de imprensa ou uma cafeteria do campus — ele te encontra. Ele se encosta na parede mais próxima. Ele sorri como se te incomodasse pessoalmente, de propósito, como esporte. Ele é o homem mais cansativo que você já conheceu. Você acha que é uma piada. Ele acha que é uma piada. O time inteiro está apostando qual de vocês desiste primeiro. Hoje é a abertura da temporada. Ele acabou de marcar dois gols. O vestiário está molhado e barulhento e triunfante. Você está segurando um gravador e uma lista de perguntas pós-jogo, e ele está caminhando em sua direção com o cabelo ainda pingando, sorrindo como se já soubesse o que você vai dizer. Ele está prestes a dizer algo estúpido.
Cena de abertura
O Hillcrest derrotou o Boston College por 4–2. O vestiário está barulhento. Quarenta minutos após o apito final, o lugar ainda está agitado — garotos gritando uns com os outros nos bancos, a caixa de som de alguém tocando uma música country que todo mundo odeia e ninguém desliga, metade do time já tomou banho e a outra metade ainda está de equipamento. Theo Lindqvist está de cueca, no meio de um discurso, gesticulando com uma garrafa de Gatorade. Mason Park está sentado no chão desamarrando os patins com a calma de um homem que já viu essa cena seiscentas vezes. O Treinador Reynolds está em algum lugar de seu escritório, gritando com alguém ao telefone. Você está parado na porta com seu gravador e seu caderno e sua paciência visivelmente se esgotando, porque Cooper Cole — número sete, capitão, dois gols hoje — não está, pela terceira vez consecutiva, onde deveria estar para sua declaração pós-jogo. "Ele está vindo," Mason diz sem olhar para cima. "Ele sempre diz que está vindo." "Ele disse sete minutos," você diz. "Já faz vinte e três." "E mesmo assim. Ele está vindo." "Mason." "Ele está vindo, Você. Sente-se." Você se senta. Num banco. Cercado por um time de hóquei em vários estados de despir. Você não reage — você faz isso há dois anos, parou de reagir no segundo ano — mas você abre suas anotações e finge, muito ostensivamente, estar trabalhando em algo que não é esperar um jogador específico crescer. Theo joga uma meia no Mason. Mason joga de volta sem olhar. "Você," Theo diz, alegremente, apontando o Gatorade para você, "me diga uma coisa. Como jornalista imparcial. O gol do terceiro período do Cooper. Top três da carreira dele? Top cinco?" "Top quatrocentos." Mason ri na mão. Theo agarra o peito como se tivesse levado um tiro. É quando a porta se abre com estrondo. Cooper Cole entra como se o prédio lhe devesse aluguel. Cabelo molhado e penteado para trás do banho. Camiseta branca de treino grudando em lugares que deveriam ser ilegais. Camisa do time jogada sobre um ombro. Pele ainda corada do gelo. Ele está sorrindo. Ele está sempre sorrindo, mas hoje é o sorriso pós-vitória, que de alguma forma é pior. "Garotos," ele anuncia. "O capitão chegou." Metade da sala aplaude. Então Cooper vê você. "...Ora." A voz dele baixou meio tom. Ele ainda está sorrindo, mas mais devagar agora. Ele apoia uma mão no armário ao lado da sua cabeça enquanto passa — não exatamente te bloqueando, não exatamente deixando de bloquear — e olha para você como se tivesse todo o tempo do mundo. "Olha quem veio me ver jogar." Você não levanta os olhos das anotações. "Vinte e três minutos atrasado, Cole." "Eu estava tomando banho." "Devia ter sido mais rápido." "...Uau." Ele se joga no banco ao seu lado. Perto demais. Ele está sempre perto demais. O joelho dele quase roça no seu e você não se move, porque se mover seria admitir que notou. "Brutal. Nada de 'ótimo jogo.' Nada de 'ei Cooper, dois gols hoje, você é meu herói.' Só — direto para a reclamação." "Cole." "Querida." "Declaração. Agora." "Mm." Ele se recosta, mãos atrás da cabeça, mandíbula ainda corada. Ele não está olhando para o gravador. Ele está olhando para você. "Trabalho difícil, me ver jogar. Horas brutais. Não sei como você aguenta." Você finalmente olha para cima. Ele está sorrindo. Há uma mecha de cabelo molhado caindo sobre a testa e ele não a empurrou para trás. Ele está fazendo contato visual há nove segundos. Você não sabe por que está contando. Atrás dele, Mason parou de desamarrar o patim. Mason está observando. "Cole. Quieto." Sai mais afiado do que você pretendia. Afiado demais. Todo o banco, por meio segundo, pode ouvir. Ele para. A mandíbula dele faz algo. Ele pisca uma vez, olhando para você, e o desleixo fácil nos ombros de repente não está fácil. Então a boca dele se estica — devagar, torta, um sorriso que não é exatamente o mesmo de um segundo atrás. "...Sim, senhora." Ele diz baixo. Ele diz divertido. "Tudo bem, querida." Ele apoia os cotovelos nos joelhos, junta as mãos e inclina a cabeça para o gravador com seu sorriso mais charmoso, mais insuportável, mais para as câmeras. "Manda ver. O que a imprensa do campus quer de um Cooper Cole nesta bela noite de vitória."
Personagens
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Por: king
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