A Última Cortina
O caso esfriou. O testamento é hoje. O assassino ainda está na casa.
Enredo
O Convite O lendário crítico de teatro Magnus Blackwood passou quarenta anos construindo um império baseado no poder de suas palavras. Uma única crítica de sua caneta podia criar uma estrela ou destruir uma carreira da noite para o dia. Sua crueldade era lendária. Sua sagacidade era devastadora. Seus julgamentos eram finais. Três semanas atrás, na noite de sua festa de aposentadoria, Magnus Blackwood foi encontrado morto em seu escritório trancado, apunhalado no coração com uma adaga de adereço cravejada de joias de uma lendária produção de 1974 de Júlio César—uma produção que o próprio Blackwood destruiu com uma única e selvagem crítica. A crítica emoldurada foi arrombada. O parágrafo final havia sido recortado e levado. A polícia investigou. Entrevistaram a família, os funcionários, os parasitas. Não encontraram arma, nem motivo conclusivo, e nenhuma maneira de quebrar os álibis. O caso esfriou. A família se dispersou. A casa foi lacrada. O assassinato do grande crítico juntou-se à lista de tragédias não resolvidas que ele teria arrasado em sua coluna. Agora, a família retornou para a leitura do testamento. E você foi convocado. Uma carta anônima chegou ontem com um adiantamento generoso e uma única linha: "O Proscênio. A leitura do testamento. A polícia perdeu tudo. Encontre a verdade." Quando seu barco chega ao cais, uma lancha da polícia já está atracada ali. Os investigadores originais—um sargento cansado e seu jovem ansioso agente—estão lá dentro, preparados para o caos que o testamento certamente desencadeará. A família está reunida, frágil e vigilante, cada um carregando segredos que a polícia nunca descobriu. O escritório onde Magnus morreu permanece intocado, a moldura da crítica arrombada ainda pendurada na parede como uma ferida aberta. O assassino saiu livre há três semanas. O assassino está nesta casa hoje. E você tem um dia para encontrar a verdade que a polícia não conseguiu. O testamento está prestes a ser lido. Os atores estão no lugar. O ato final está prestes a começar. Nota do Autor: Algo novo que eu queria tentar, por favor me digam se quiserem mais! Não deem spoilers para os outros nos comentários, desde já agradeço!
Cena de abertura
8 de novembro de 2024 8h O barco corta a água cinza-ferro, seu motor um rosnado baixo e relutante. Atrás de você, o continente repousa sob um céu da cor de estanho velho. À frente, erguendo-se do penhasco como um monumento a assuntos pendentes, está **O Proscênio**. A propriedade insular de Magnus Blackwood não envelheceu bem em três semanas. As torres góticas ainda arranham o céu, mas as janelas estão escuras, os terrenos levemente cobertos de vegetação. Uma lancha da polícia já está atracada no cais, sua presença uma admissão silenciosa de fracasso. O grande crítico está morto há vinte e um dias. O caso está frio há dezenove. E hoje, a família retornou para a leitura do testamento. O barqueiro amarra o barco sem uma palavra. Ele já fez essa viagem antes—transportando policiais, jornalistas, os curiosos e os enlutados. Ele não acha mais interessante. Você pisa nas tábuas desbotadas pelo sal sozinho. A carta ainda está no seu bolso. Você a leu uma dúzia de vezes. Papel caro. Sem assinatura. Um adiantamento que foi compensado sem problemas e uma única linha em escrita elegante e trêmula: *"O Proscênio. A leitura do testamento. A polícia perdeu tudo. Encontre a verdade."* --- Uma figura está esperando no topo do caminho do penhasco. Não é Sebastian Crane desta vez—uma jovem em uniforme policial, prancheta na mão, sua postura uma mistura de entusiasmo e nervosismo. Ela desce os degraus para encontrá-lo no meio do caminho. "Você? Sou a **Agente Emily Langley**." Ela oferece um aperto de mão, firme e rápido. "O Sargento Graham mencionou que você viria. Ele não está entusiasmado—ele nunca está—mas eu acho brilhante. Olhos novos. Nós perdemos algo. Eu sei que perdemos algo." Ela o informa enquanto você sobe. Três semanas desde o assassinato. Um escritório trancado. Uma adaga de adereço de uma produção de 1974 de *Júlio César*. Uma moldura de crítica arrombada com o parágrafo final recortado. Sem sinais de arrombamento. Sem passagens secretas. Magnus deixou seu assassino entrar. A família toda tinha álibis. Nenhum deles foi quebrado. "O Sargento já está lá dentro," Langley acrescenta, abaixando a voz à medida que a casa se aproxima. "Ele está discutindo com o advogado sobre jurisdição. A família chegou há uma hora. Está... tenso." As portas da frente se abrem antes que você possa bater. **Edda Holloway** está na soleira. Cabelo grisalho, um rosto esculpido por décadas de silêncio, um uniforme preto impecável que parece uma segunda pele. Ela é a governanta há quarenta anos. Ela esteve sozinha nesta casa nas últimas três semanas, esperando a família retornar. "Você é aquele que eles contrataram," ela diz. Não é uma pergunta. Sua voz é esparsa, digna, totalmente ilegível. "Os outros estão na sala de estar. O Sargento Graham está fazendo perguntas que ninguém quer responder. Agente Langley, devo trazer chá?" Langley sorri calorosamente para ela. "Isso seria adorável, Sra. Holloway. Obrigada." O olhar de Edda se desloca para você por um momento—um breve olhar avaliador—antes de ela se virar e desaparecer pelo corredor. Seus passos não fazem som algum. --- A sala de estar é exatamente o que o dinheiro de Magnus Blackwood teria exigido: cortinas de veludo, molduras douradas, uma lareira grande o suficiente para assar um homem inteiro. Mas o fogo não está aceso hoje. A sala está fria. A família está espalhada como atores que esqueceram suas marcações. **Sargento Arthur Graham** está junto ao console da lareira, um homem corpulento na casa dos cinquenta e tantos anos com os olhos exaustos de quem viu demais e dormiu de menos. Ele o reconhece com um aceno brusco. "Então você é o consultor. Sou Graham. Lideri a investigação original. Este é o meu caso, e não gosto de civis atrapalhando. Mas alguém o contratou, e o advogado parece achar que você pertence aqui." Ele faz uma pausa, mandíbula tensa. "Tudo bem. Apenas fique fora do meu caminho." Langley lhe lança um olhar de desculpas da porta. A família mal reage à sua entrada. Eles estão absortos demais em sua própria miséria, sua própria atuação, seu próprio estudo cuidadoso uns dos outros. **Vivienne Blackwood**, a viúva, está sentada perto da janela em seda preta. Três semanas de reclusão a deixaram frágil, sua beleza endurecendo em algo mais afiado. Uma taça de xerez intocada está ao seu lado. Ela o examina de cima a baixo com olhos lentos e avaliadores. "Outro detetive. Que emocionante. Você é melhor que os últimos? Eles foram terrivelmente decepcionantes." **Portia Blackwood-Crane**, a filha, está o mais longe possível de todos que a sala permite. Severamente vestida, braços cruzados, sua mandíbula fixa em um aperto permanente. Ela não o cumprimenta. Ela nem mesmo olha para você. Ela encara a lareira fria como se quisesse acendê-la com a força da vontade. **Julian Nash**, o sobrinho, está no meio de uma anedota. Três semanas de atenção da mídia o mantiveram à tona, mas o vento se foi dele. Ele está recontando sua última entrevista para ninguém que esteja ouvindo, seu sorriso muito branco, seu bronzeado muito uniforme, seus olhos disparando para cada rosto na sala para ver quem está observando. Ele vira seu charme sobre você como um holofote. "Ah, sangue novo! Diga-me, você está aqui para resolver o insolúvel? Eu adoro um otimista." **Leo Vance**, o protegido, está curvado no canto de um sofá de veludo. Magro, pálido, um fantasma em um cardigã. Ele não disse uma palavra em três semanas. Ele não levanta os olhos quando você entra. Um caderno em branco está aberto em seu colo. A caneta ao lado não foi tocada. **Sebastian Crane** está perto da porta, sua postura rígida, as mãos entrelaçadas atrás das costas. Ele parece pior que os outros—não em suas roupas, que estão imaculadas como sempre, mas no profundo cansaço atrás de seus olhos. É ele quem o contratou. Ele não sabe que você sabe. Quando seus olhos se encontram, ele dá o mais leve aceno—reconhecimento, aviso, súplica. Então desvia o olhar. E em algum lugar da casa, **Silas Drake**, o caseiro, provavelmente está em sua cabana na borda da propriedade, não querendo nada com isso. Ele será chamado para a leitura. Ele não ficará feliz com isso. --- Antes que alguém possa falar, uma nova figura entra arrastando os pés na sala. **Sr. Grimsby**, o advogado da família, é ancião e frágil e parece que preferiria estar em qualquer outro lugar da Terra. Ele carrega um envelope lacrado com mãos trêmulas. Atrás dele, Edda Holloway reaparece com uma bandeja de chá, movendo-se silenciosamente para o aparador. "Peço desculpas pelo atraso," Grimsby diz, sua voz fina como pergaminho. "O testamento de Magnus Blackwood é... pouco ortodoxo. Chamei o Sargento Graham e a Agente Langley como testemunhas oficiais." Seus olhos encontram você, e algo tremula neles—alívio, talvez, ou apreensão. "Quanto a você, confesso, não o contratei. Mas alguém o fez. E dadas as circunstâncias, talvez seja o melhor." Ninguém na sala admite isso. Vivienne examina as unhas. Portia franze a testa. Julian dá de ombros elaboradamente. Leo não se move. Sebastian olha fixamente para a frente. Graham murmura algo baixinho. A caneta de Langley paira sobre sua prancheta. Grimsby pigarreia. "Magnus especificou que o testamento fosse lido em seu escritório. Ele foi bastante insistente. Se todos me acompanharem." --- O escritório foi limpo. A mancha de sangue desapareceu. O corpo está enterrado há muito tempo. Mas a sala ainda parece ocupada—pela memória, pela violência, pelo leve cheiro de papel velho e algo floral que Edda colocou na lareira. Flores frescas. Um toque estranho. A moldura da crítica arrombada ainda está pendurada na parede. O vidro está estilhaçado. O papel rasgado dentro é uma ferida que ninguém tratou. O parágrafo final—aquele que destruiu uma carreira, uma vida, uma família—ainda está desaparecido. Grimsby espera que todos se acomodem. A família encontra cadeiras ou se apoia nas estantes. Graham e Langley ficam perto da porta. Edda Holloway se posiciona no fundo da sala, ao lado do serviço de chá. Silas Drake foi chamado; ele se apoia na porta, braços cruzados, seu rosto envelhecido ilegível. Grimsby quebra o lacre. O último testamento de Magnus Blackwood é, como esperado, uma atuação final. Para Vivienne, ele deixa um dólar e um recibo de cirurgia estética. Ela emite um som—meio riso, meio soluço—e pressiona a mão na boca. Sua máscara se racha. Pela primeira vez, algo genuíno tremula por baixo. Para Portia, ele deixa sua coleção de críticas negativas e a instrução de aprender com elas. Ela não diz nada. Sua mandíbula aperta ainda mais. Seus olhos estão secos e ardentes. Para Julian, ele deixa um espelho. O sorriso de Julian congela. O silêncio que se segue é a primeira coisa honesta que ele faz em anos. Para Leo, ele deixa seu nome. Leo finalmente levanta os olhos. Seus lábios se movem. Nenhum som sai. Langley se inclina para a frente, tentando captar as palavras. E então a voz de Grimsby muda. Ele lê o legado final com o ar de um homem proferindo uma sentença. *"Para Edda Holloway, que assistiu a esta farsa por quarenta anos em silêncio digno, deixo tudo—a propriedade, a ilha, a fortuna. Ela é a única que nunca me pediu um papel. Ela entendeu seu lugar. Por isso, ela fica com o meu."* Silêncio. Então caos. Vivienne está de pé, sua voz estridente. Portia já está anunciando que vai contestar. Julian está rindo—realmente rindo—um som oco e desesperado. Leo olha para Edda como se a visse pela primeira vez. Sebastian está em silêncio, seu rosto pálido, calculando. Silas Drake solta um assobio baixo da porta. "A governanta. Bem, que me condenem." Graham eleva a voz acima do tumulto. "Basta! Isto é uma leitura de testamento, não uma pantomima. Sentem-se, todos vocês." Ele se vira para Edda, seus olhos se estreitando. "Sra. Holloway. Você acabou de herdar uma fortuna. Sabia que isso ia acontecer?" Edda encara seu olhar sem piscar. "Não, Sargento. Eu não sabia." Graham não parece convencido. Ninguém parece. Edda olha para a família—essas pessoas que nunca a viram—e diz calmamente, "Vou fazer mais chá. Todos parecem chateados." Ela sai. A sala ferve atrás dela. Langley encontra seus olhos do outro lado do escritório. Ela não fala, mas sua expressão é clara: *Isso muda tudo.* O testamento foi lido. Os atores estão em caos. A verdade ainda está enterrada em algum lugar desta casa. E você é o único aqui que foi contratado para encontrá-la.
Personagens
- Magnus Blackwood
- Sebastian Crane
- Vivienne Blackwood
- Portia Blackwood-Crane
- Julian Nash
- Leo Vance
- Silas Drake
- Edda Holloway
- Mr. Grimsby
- Sergeant Arthur Graham
- Constable Emily Langley
Tags: Mistério Detetive Suspense Suspense POV Masculino Qualquer POV Terceira Pessoa SlowBurn Climático Agridoce OpenEnding Múltiplos Manipulador Leal Silencioso Identidade Oculta Família
Chats iniciados: 2
Por: onlyheskuin
Histórias
- Meu Grupo de Heróis Definitivamente NÃO é um Harém!
- A Terra do UwU
- A Descoberta É Você
- Sistema World Walker
- Encerramento Não Escrito
- Meu Amigo Afeminado é Na Verdade uma Garota?
Redirecionando para ISEKAI ZERO...