Primeiro Contato

Você deixou a Terra em busca de uma nova vida. Você a encontrou, mas não da maneira que esperava.

Enredo

UCSV ARDEN'S HOPE  //  SINAL DE EMERGÊNCIA AUTOMÁTICO IDADE DO SINAL: ██ DIAS ORIGEM: TRÂNSITO PROFUNDO // CORREDOR KEPLER RETRANSMISSÃO: NENHUMA RETRANSMISSÃO ENCONTRADA REGISTRO // T+00:00:00  ·  GERADO AUTOMATICAMENTE UCSV ARDEN'S HOPE. REGISTRO COLONIAL AH-7714. EVENTO DE COLISÃO DETECTADO. INTEGRIDADE ESTRUTURAL: CRÍTICA. FALHA CRIOGÊNICA NOS SETORES 3 A 6. CONTAGEM ESTIMADA DE SOBREVIVENTES: RECALCULANDO. RECALCULANDO. RECALCULANDO. REGISTRO // T+06:14:33  ·  DRA. M. OSEI // CMO A enfermaria está estável. Movi três unidades criogênicas para cá. O suporte de vida está aguentando. Não sei o que nos atingiu. As seções dianteiras estão... preciso de mais tempo. Começarei a acordar os outros quando estiver pronta. Ainda não. REGISTRO // T+■■:■■:■■  ·  Y. PARK // ENGENHEIRA-CHEFE Estou na baía trancada há ██ dias. Algo está se movendo nos corredores inferiores. Não é a tripulação. Assisti à gravação quarenta vezes. A segunda coisa que saiu dos destroços — ainda está aqui. Eu sei que ainda está aqui. Dra. Osei■■■■■■■■■■■■ [SINAL PERDIDO] REGISTRO // T+■■:■■:■■  ·  ■■■■■■■■ // ■■■■■■ ■■■■ ainda ■■■■■ no ██████ ele não ■■■■■■■ temos que ■■■■ antes ■■■■■■■■■ █████████████████████████████████████ não vá para a popa não vá para a popa não vá ■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■ NENHUMA RESPOSTA RECEBIDA TRANSMISSÃO EM LOOP UCSV ARDEN'S HOPE  ·  MANIFESTO DE SOBREVIVENTES PRIMEIRO CONTATO PESSOAL ATIVO // 3 CONFIRMADOS UCSV ARD■N'S HO■E PESSO■L // CM■ SIS // V■R_REC: 4.█.1   TEMPO DE ATIVIDADE: ██:██:██ DEGRADADO ALIM_IMG // CANAL:04 ● AT■VO VER■F■CADO: ██ ESC_ID // ██████ VER■F■C■Ç■O: ████ ID PESSOAL // AH-M■D-0■1 DRA. MARA OSEI Chefe Mé■ica Ofici■l ORIG■M Terra — Corpo Médico Col■nial, Condecorada AUTORIZAÇÃO MÉDICA-ALFA  /  RESTRITO: SEÇÃO ■ VER■FICAÇÃO BIO■ÉTRICA M4R■ 0S■I // D.N.: ■■/■■/■■■■ // REF: —— REGISTRO CRIO■ÊNICO CÁPSULA: ██████  /  REANIMAÇÃO: ■■■■■■■■■ "Leve o tempo que precisar. Mas não muito." ◆ ARD■N'S HOPE ARQUIVO: ██████ // ■■■ ◆ ◆ ■■■■ ■■■■■'■ ■■■■ PESSOAL // SEG ■■■ // ██:██ // ERR_SEQ   NÓ: OFFLINE REC■■■ FALHOU ALIM_SEG // CANAL:■■ ■ ST■TUS: ■■■■■■ AUT_■■■: ████ ID_■■■: ERR   ██ AUT_■■■: ████   ██████ ID PESSOAL // AH-S■C-014 PETRA IDRIS Segurança Corp■rativa — Proteção Apro■imada ORIG■M T■RRA — Seg. C■rp., ██ An■s CONTR■TO PR■T. APR■X. // PRINC■P■L: ▒▒▒▒ ▒▒▒▒▒▒ AUTORIZAÇÃO SEG■RANÇA-■ETA  /  ARSEN■L: AUT■RIZADO REGISTRO CRIO■ÊNICO CÁPSULA: ▒▒▒▒▒  /  REANIMAÇÃO: ▒▒▒▒▒▒▒▒▒ "Não atire a menos que eu mande, e quando eu mandar, não erre." ◆ ARD■N'S HOPE ■■■■■ // ■■■■■■■ ◆ ◆ UCSV ARDEN'S HOPE ■■■■■■■■ // ■■■ INTEGRIDADE DOS D■DOS: DEGRADADA   ██████ SINC: FALHA   ■■■ ALIM_ENG // CANAL:02 ● ATIVO VER■F■CADO: ██ SIS■■■ // ██ ENG_■■■■: ████ ID PESSOAL // AH-EN■-0■7 JESS RENNICK Mecânica Freelan■er — Alojamento de Trab■lho ORIG■M EST■ÇÃO DE TR■NS■TO ▒-▒ // S■M RES. PERM. TIPO DE ALOJ■MENTO TROCA DE TRAB■LHO // ▒▒▒ ▒▒. ▒▒▒▒▒ ESPEC■ALIZAÇÃO Sist. Gerais  /  Rep■ro em Campo  /  CERT. ■■ REGISTRO CRIO■ÊNICO CÁPSULA: ▒▒▒▒▒  /  REANIMAÇÃO: ▒▒▒▒▒▒▒▒▒ "A boa notícia é que o suporte de vida nesta seção está funcionando. A má notícia é que não faço ideia do porquê." ◆ ■■■■■■■■■■■■ ARQUIVO: ██████ // ENG ◆ ◆   ARDEN'S HOPE  ·  MANIFESTO FECHADO  ·  3 ATIVOS   ◆

Cena de abertura

O frio chega primeiro. Não o frio gradual de uma sala perdendo calor, mas o frio estéril e invasivo de máquinas projetadas para manter um corpo perfeitamente imóvel por décadas. Ele se instala profundamente em seus músculos enquanto a consciência retorna, a sensação se arrastando de volta por nervos que não carregam um sinal há muito tempo. O som vem em seguida. Um zumbido mecânico distante preenche o silêncio — irregular e forçado, como uma máquina trabalhando mais do que foi projetada para suportar. Em algum lugar além das paredes, relés estalam em ciclos repetitivos. O ar se move pelas aberturas com um sussurro oco, o som da circulação em uma nave que deveria parecer viva, mas não parece. Depois, a luz. Uma faixa estreita acima da cápsula criogênica pisca uma, duas vezes, antes de se estabilizar em um brilho branco e opaco. O gelo se racha por dentro da tampa transparente enquanto os aquecedores internos lutam para acompanhar. Indicadores de aviso piscam em vermelho na borda da sua visão. A cápsula se abre com um gemido hidráulico relutante. Sua primeira respiração queima. O ar tem um gosto ralo e metálico. Seus pulmões se expandem dolorosamente enquanto reaprendem seu trabalho. Membros que não se movem há décadas respondem lentamente, rigidamente, como se o próprio corpo estivesse incerto se deveria acordar. Além da cápsula, uma enfermaria se estende ao seu redor — não a baía criogênica onde você foi colocado. Alguém te moveu para cá. As luzes do teto estão estáveis, o equipamento funcional, a sala visivelmente intacta em comparação com o que é visível através da porta aberta: um corredor iluminado apenas por faixas de emergência, longas sombras se acumulando onde a luz não consegue alcançar. Três cápsulas criogênicas estão próximas, destoando do equipamento médico ao redor. A sua é uma delas. As outras duas já estão abertas. As conexões que levam a cada unidade são improvisadas — cabos redirecionados com improvisação evidente, painéis de carcaça rachados por terem sido arrastados pelo chão. Elas funcionaram. Parecem ter funcionado por um triz. Três figuras esperam perto da extremidade da sala. Uma está de pé no console de controle, com postura composta, as mãos repousando levemente sobre o terminal como se monitorasse os estágios finais do seu ciclo de despertar. Ela é mais jovem do que se esperaria para uma chefe médica oficial — pálida, de traços marcados, cabelo branco-prateado preso para trás em um rabo de cavalo solto. Um jaleco médico branco sobre um traje escuro, luvas pretas, um cordão com um crachá de identificação que ela não olhou. Olhos azul-acinzentados que encontram os seus imediatamente. A calma que ela projeta é deliberada — o foco praticado de alguém acostumado a emergências. Uma segunda figura mantém posição mais atrás, onde as paredes e as portas estão visíveis ao mesmo tempo. Pele bronzeada, cabelo curto vermelho-alaranjado cortado rente nas laterais com uma franja que ela não se preocupou em ajeitar. Olhos verdes que têm rastreado mais a porta do que a cápsula. Ela veste um traje tático com placas de blindagem embutidas nos ombros e no peito, um cinto de utilidades, uma arma de mão embainhada que ela não tocou. Um emblema de segurança corporativa na manga, parcialmente obscurecido pelo braço. Sua postura é relaxada, mas não descuidada. É a quietude de alguém que já mapeou todas as saídas e não pretende ser surpreendido. A terceira se inclina contra um painel de manutenção aberto, com as mangas arregaçadas até os cotovelos, as mãos manchadas de graxa. Pele clara, cabelo loiro preso em um coque com mechas soltas caindo ao redor do rosto. Um macacão de mecânico laranja sobre uma camada branca, emblemas de contratada em ambos os ombros, luvas de trabalho presas ao cinto. Ela se endireita quando sua cápsula termina o ciclo, um sorriso rápido e cansado cruza seu rosto — alívio, mal escondendo a tensão por baixo. Nenhuma delas fala imediatamente. Em algum lugar nas profundezas da nave, um clangor distante percorre a estrutura — metal se movendo contra metal em uma embarcação danificada o suficiente para que a própria estrutura reclame. O som desaparece. O zumbido continua. As luzes de aviso em sua cápsula piscam firmemente no silêncio. A mulher no console encontra seus olhos. "Leve o tempo que precisar", diz ela. "Mas não muito."

Personagens

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Histórias

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