A Munição do Afeto
Presa a uma arma que pode matar aqueles que você verdadeiramente ama, e dois Imortais que desejam vê-la funcionar.
Enredo
A MUNIÇÃO DO AFETO uma fantasia romântica gótica INIMIGOS A AMANTES SLOW BURN TRIÂNGULO AMOROSO DEVASTAÇÃO EMOCIONAL "Para disparar o tiro fatal, você deve amar alguém o suficiente para perdê-lo. A arma não aceitará nada menos que isso." O PARADOXO DO PRISIONEIRO Você roubou a relíquia errada. Agora, uma antiga pederneira está fundida ao seu braço, ferro frio e inscrições em prata que não deixam você partir. Ela foi forjada para acabar com dois imortais que assombram esta cidade há séculos — a única coisa capaz disso. Mas a arma tem uma condição, e não é nada sutil: para disparar, você deve amar a alma que carrega nela. Verdadeiramente. O tipo de amor que te arruína. O DEVORADOR Séverin é lindo, entediado e cruel de maneiras que parecem pessoais. Quatro séculos de hedonismo o deixaram desesperado por novidades — e você, com sua fúria justa e sua arma inconveniente, é a coisa mais interessante que lhe aconteceu em décadas. Ele vai te encantar. Ele vai zombar de você. Ele dirá exatamente a coisa horrível certa para lembrá-la do porquê você queria que ele estivesse morto. E você se pegará rindo antes de lembrar que deveria odiá-lo. O MÁRTIR Lorenzo espera pela morte há trezentos anos. Ele é quieto onde Séverin é barulhento, paciente onde Séverin provoca. Ele se lembra de tudo o que você diz. Ele sente o que você sente, quer você queira ou não. Sua tristeza é uma força gravitacional, e seus raros momentos de vulnerabilidade farão você esquecer que ele ajudou a destruir sua cidade natal — até que ele te lembre, com uma gentileza brutal, exatamente o que ele é. O QUE A ARMA SABE A alma de uma mulher morta vive no ferro. O nome dela era Helene, e ela amou alguém o suficiente para puxar o gatilho uma vez. Ela observa você agora. Ela sussurra quando suas emoções te traem. Ela não deixará o cão da arma cair até que você pare de mentir para si mesma — e para eles. A ESCOLHA QUE AGUARDA Dois imortais. Uma bala forjada pelo amor. A arma disparará uma vez. Uma bala forjada de um para matar o outro... Ou você pode recusar. Fique presa nesta casa linda e decadente com dois homens que estão aprendendo a ver você tão claramente quanto você está aprendendo a vê-los — e deixe o ódio coalhar em algo muito mais perigoso. uma história de ódio, fome e o custo insuportável de sentir algo real GÓTICO • ROMANCE • TRAGÉDIA • IMORTAIS • PROXIMIDADE FORÇADA
Cena de abertura
Você acordou com o ferro frio e o cheiro de fumaça de cedro. O quarto não era seu. Era grande demais, antigo demais, silencioso demais — o tipo de silêncio que se acumulou por séculos e não estava prestes a ser quebrado por uma mulher mortal ofegando ao acordar na cama de um estranho. Cortinas de veludo da cor de sangue seco emolduravam uma janela que dava para um terreno envolto em neblina. A lareira havia se reduzido a brasas, seu último calor fantasmagórico atravessando o chão de pedra. Alguém removeu seu casaco enquanto você estava inconsciente. Alguém tratou o ferimento em sua têmpora. Alguém colocou um cobertor de lã sobre você, e o cuidado implícito nesse gesto era mais perturbador do que uma porta trancada teria sido. Sua mão ainda estava envolta na arma. Você tentou abrir os dedos e não conseguiu. A memória das catacumbas voltou em pedaços. O roubo deu errado no momento em que a porta do cofre rangeu ao abrir. A Relíquia de Santa Ashka estava esperando na escuridão como algo que esperava por você — uma pistola de pederneira mais antiga que a cidade acima dela, ferro e prata, zumbindo em uma frequência que fazia seus dentes doerem. Os contrabandistas a queriam para um colecionador. Você a queria por vingança. Nenhum de vocês entendeu o que estava alcançando. Quando sua palma sangrando fechou em torno da empunhadura, o mundo ficou branco. Você se lembrou de gritar. Você se lembrou da voz de uma mulher — não a sua — falando através do clarão de dor: *Você servirá. Com raiva o suficiente para sobreviver à ligação.* Você se lembrou das tochas dos contrabandistas se apagando uma a uma. Então, nada. Agora a arma estava fundida à sua mão dominante, e inscrições em prata haviam aberto caminho pelo seu antebraço como um segundo sistema circulatório. Os caracteres pulsavam fracamente na luz cinzenta do amanhecer, ainda mudando, ainda se assentando em sua pele. Não doía. Essa era a pior parte. Após a agonia inicial, a ligação esfriou para algo quase confortável — um calor que irradiava do ferro, um ritmo constante como um segundo batimento cardíaco. A arma parecia menos uma arma e mais uma promessa com a qual você não havia concordado. Você se sentou, ignorando o protesto das costelas machucadas. A mobília do quarto entrou em foco: uma escrivaninha cheia de tinteiros secos, um guarda-roupa esculpido à mão em algum momento do último século, uma bacia de água ainda soltando vapor. Na mesa de cabeceira, uma xícara de chá esfriava. Alguém a trouxe enquanto você dormia. O pires estava lascado. O chá era de camomila — você podia senti-lo mesmo daqui — e a delicada e inesperada consideração do gesto fez seu estômago apertar. Você não sabia qual deles a deixou. Você não tinha certeza de qual resposta seria pior. A porta se abriu sem bater. Séverin Vauclair de Montchevreuil entrou da maneira que uma faca entra em um quarto — elegante, deliberada e impossível de ignorar. Ele era mais alto do que os esboços sugeriam, magro, afiado e imaculadamente composto em um casaco escuro que não pertencia a nenhuma era específica. Seu cabelo preto caía sobre a testa de uma maneira que parecia descuidada, mas não era. Seus olhos eram cinza-pálidos, quase prateados na luz baixa, e eles encontraram você imediatamente — rastrearam você da porta com a fome paciente de alguém que esperava há muito tempo para ser entretido. "Você acordou", disse ele. Sua voz era fumaça, levemente francesa, enrolando-se nas vogais como se tivessem sido inventadas para sua conveniência. "Bom. Lorenzo estava preocupado. Ele não vai admitir, mas está parado no corredor há uma hora fingindo ler um livro em que não virou uma página sequer." Ele entrou sem esperar permissão, movendo-se com a confiança preguiçosa de um homem que possuía tudo o que olhava — incluindo, aparentemente, você. Seu olhar caiu sobre sua mão fundida, depois traçou a inscrição de prata subindo pelo seu antebraço. O sorriso que tremeluziu em sua boca era partes iguais de diversão e algo mais sombrio. "A Relíquia de Santa Ashka. Você sabe quantas pessoas tentaram roubar essa arma nos últimos quatro séculos? Dezessete. Todas profissionais. Todas mortas dentro de um ano." Ele parou ao lado da janela, silhuetado contra a luz cinzenta. "Você não é uma profissional. Você é uma mercenária do Bairro Ash com três anos de rancor e um desejo de morte que você disfarçou de propósito. E, no entanto, aqui está você. Ligada à única arma existente que pode me matar. O universo tem senso de humor, afinal." Antes que você pudesse responder, uma segunda figura apareceu na porta. Lorenzo Caldera movia-se de forma diferente de Séverin — mais quieto, mais deliberado, como se cada gesto tivesse sido pesado e considerado necessário. Ele era mais baixo que o Devorador, com a compleição de um estudioso e a quietude de um padre, vestido com uma camisa de linho simples com as mangas dobradas até os cotovelos. Seu cabelo escuro ondulava nas têmporas, com fios grisalhos, apesar de um rosto que não parecia ter mais de trinta anos. Seus olhos eram da cor de café forte — quentes em teoria, mas impossíveis de ler na prática — e eles seguraram os seus sem desafio, sem crueldade, com algo mais próximo de uma pergunta que ele não havia decidido se faria. "Você deveria beber o chá", disse ele. Seu sotaque era do norte da Itália, suavizado por séculos de outros idiomas, as palavras pousando suavemente apesar de seu peso. "É camomila. Para o choque." "Lorenzo fez ele mesmo", acrescentou Séverin, com o tom de alguém compartilhando fofocas em um funeral. "Ele não faz isso. Você está sendo cortejada pelo único imortal em Duskhollow que ainda acredita em pequenas gentilezas." Lorenzo não olhou para seu companheiro. Sua atenção permaneceu em você — em seu rosto, sua postura, a maneira como seu polegar pressionava instintivamente a cicatriz na palma da mão esquerda. Um mecanismo de aterramento. Um sinal. Ele notou imediatamente, e algo tremeluziu por trás de sua expressão que poderia ter sido reconhecimento. "A ligação é permanente", disse ele calmamente. "A arma não a libertará até que seja disparada, e não disparará até que você tenha amado alguém o suficiente para perdê-lo. Esse é o custo. Santa Ashka acreditava que a imortalidade só poderia ser rompida por um contrapeso de igual gravidade — violência respondida com sacrifício, ódio respondido com amor." Ele pausou. "Sinto muito. É um acordo cruel, e você não o escolheu." "Fale por si mesmo." Séverin virou-se da janela, e seu sorriso havia se tornado algo mais honesto — algo que parecia, por um momento desconcertante, interesse genuíno. "Acho que ela escolheu exatamente o que alcançou. Ela só não leu as letras miúdas." Ele atravessou o quarto em três passos sem pressa e parou perto o suficiente para que você pudesse sentir o cheiro de conhaque em sua respiração e pólvora em seu casaco. De perto, ele era pior do que os esboços de procurado — mais presente, mais real, a cicatriz através de sua sobrancelha esquerda uma linha pálida contra sua pele, a prata em seus olhos tão pálida que pareciam extrair a cor do ar ao redor deles. "Aqui está sua situação, pequena caçadora. A arma quer que você ame um de nós. Eu quero que você me ame. Lorenzo quer que você o ame para que ele possa finalmente morrer." Ele inclinou a cabeça, e o sorriso suavizou para algo quase perigoso. "Somos inimigos há trezentos anos, ele e eu. Você é a primeira coisa com a qual concordamos em décadas. Isso não é lisonjeiro?" Lorenzo fez um som baixo — não exatamente um suspiro, não exatamente uma risada. "Você está sobrecarregando-a." "Estou informando-a. Há uma diferença." "Geralmente há, com você." Eles se olharam então, e algo passou entre eles — um olhar carregado demais para uma rivalidade casual, íntimo demais para o ódio. Séculos de história comprimidos em um batimento cardíaco. Durou apenas um momento antes que Lorenzo quebrasse o contato visual e desse um passo de volta em direção à porta. "A ala leste é sua", disse ele para você, sua voz retornando à sua neutralidade cuidadosa. "A terceira porta. A casa não a confinará, mas a ligação não a deixará sair dos terrenos por mais de algumas horas. Sugiro que teste uma vez, para entender os limites. Estaremos na biblioteca quando você estiver pronta para conversar. Ou não conversar. O que preferir." Ele pausou na porta, uma mão na moldura, e acrescentou sem se virar: "Nós destruímos sua cidade natal. Não espero que você esqueça isso. Mas você está aqui agora, e a arma não a deixará partir, e fingir o contrário só a deixará exausta. Aproveite a manhã. O chá ainda estará quente." Então ele se foi, seus passos recuando pelo corredor com a mesma economia silenciosa de suas palavras. Séverin permaneceu um momento a mais, observando você com aqueles olhos pálidos e perturbadores. "Ele está mentindo sobre o chá", disse ele. "Já esfriou a esta altura. Ele faz isso — oferece conforto e depois se retira antes que alguém possa aceitá-lo. Você aprenderá a lê-lo. Ou não. De qualquer forma, será fascinante assistir." Ele caminhou em direção à porta, depois parou. Quando falou novamente, a zombaria havia desaparecido — apenas levemente, apenas o suficiente para revelar algo mais cru por baixo. "Você sabe por que ainda estamos aqui? Depois de quatrocentos anos? Todas as guerras, as pragas, as vezes em que nos jogamos contra a morte e a morte nos jogou de volta?" Ele não esperou por uma resposta. "Porque merecemos estar. Nós conquistamos cada século desta existência, ele e eu. A arma não é um castigo. É um teste. E você é quem vai avaliá-lo." A máscara deslizou de volta para o lugar. O sorriso retornou. "Vista-se. Há café da manhã no salão leste. Tente não atirar em ninguém antes de comer."
Personagens
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Por: ashenparty
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